Quando desistir de seus sonhos?

Quando desistir de seus sonhos?

É provável que desde criança você ouça que nunca deve desistir de seus sonhos – e você lembrará deste ensinamento toda vez que precisar de forças para seguir em frente. Por isso, falar sobre deixá-lo de lado pode ser doloroso.

No caso de C.*, foram as circunstâncias da vida que a fizeram abrir mão do sonho de ser designer, que cultivava desde os 14 anos. Enquanto fazia o curso técnico de Artes Gráficas e Comunicação, aos 21, conseguiu um estágio para trabalhar com ilustração na área fabril. Completando um ano de serviço, ela conta que a empresa sumiu com seu contrato de estágio.

Foi quando C. foi efetivada, porém, na área administrativa. Para não perder o foco, matriculou-se na faculdade de design gráfico. Porém, a cada seis meses a trocavam de setor, e as mudanças de horário aconteciam com frequência ainda maior – ela chegou a trabalhar até de madrugada.

“Por conta dessas mudanças, todo semestre eu tinha que trocar meu horário na faculdade. Sem falar na quantidade de horas extras que eu era obrigada a fazer para dar conta da demanda. Essas coisas me prendiam tanto ao trabalho e desanimavam tanto que acabei trancando o curso”, desabafa.

A exploração por parte da empresa também a distanciou de seu sonho. “Resolvi largar de vez a área, porque percebi que não fazia parte daquilo. Deixei as minhas ilustrações de lado e voltei a fazer cursinho para entrar na área da educação. Mesmo ganhando menos, acho que terei mais qualidade de vida”, diz.

“Comecei a perceber que não valia a pena”

A certeza que Bárbara Rossi tinha de que seria jornalista – que vinha desde os 13 anos – até assustava quem convivia com ela. O estilo de vida corrido, que incluía até virar a madrugada trabalhando, a encantava tanto que, logo que começou a trabalhar na área, fez de tudo para seguir esses hábitos. Não à toa conseguiu trabalhar em revistas relevantes no mundo da moda e beleza.

“Mas fui percebendo que aquilo me fazia mal. Aos 20 anos, já havia desenvolvido gastrite e ansiedade. Fui até parar no hospital. Aí comecei a perceber que não valia a pena”, conta. A decisão de mudar de rumo foi complicada e envolveu muitas dúvidas, medo de arrependimento e dificuldade em desapegar de uma aspiração de tanto tempo. “Não adianta ter um sonho que vai acabar destruindo seu emocional, psicológico e físico”, afirma.

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Hoje, Bárbara saiu da correria de São Paulo e se mudou para Florianópolis, dá aula de inglês para crianças e está se preparando para entrar no mestrado – sua vida mudou da água para o vinho. “Não foi fácil, tive crises de ansiedade no meio do caminho, mas tem sido um grande aprendizado. Tenho descoberto muito sobre mim mesma, e mesmo os momentos ruins trouxeram muitas coisas legais. Não me arrependo de nada”, pontua.

Quando desistir de um sonho?

“Os sonhos que podem não dar certo são aqueles que, de alguma maneira, ferem nossos princípios”, explica Fernanda Palácios, coach, Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e diretora comercial da Sociedade Brasileira de PNL (SBPNL). No caso de Bárbara, a correria e doação necessárias no dia a dia do jornalista já não condizia mais com sua necessidade de ter qualidade de vida. Assim como C., que hoje não sente a menor vontade de seguir carreira como designer.

É o mesmo que aconteceria, por exemplo, com uma pessoa que deseja ter seu próprio negócio, mas que tem problemas em correr riscos. “Provavelmente, em um cenário como esse, ela irá experimentar em vários momentos uma sensação de que algo a impede de seguir em frente”, completa.

Existem sinais de que as coisas não estão funcionando. Um deles é quando, em vez de estimular e instigar, o caminho se transforma em um fardo. Sabe aquele momento em que é difícil levantar da cama ou enxergar um propósito para tanto esforço? Este pode ser o sinal de que está na hora de revisitar sua missão.

Porém, tome cuidado para não confundir este sentimento com o cansaço que correr atrás de seu sonho pode causar – e, sim, isso acontecerá. “O que é necessário ficar atenta é se isso começar a ser constante, ou seja, se o cansaço e esgotamento são mais frequentes do que os momentos de inspiração e energia”, alerta. Também é preciso observar se, na verdade, você não está tentando se boicotar por uma questão de baixa autoestima.

Tomando a decisão

Um dos fatores que tornam a decisão tão difícil é o medo de se arrepender. Por isso, antes de bater o martelo, pergunte-se: “Considerei todas as possibilidades? Envolvi todas as pessoas importantes? Pensei em alternativas?”. “Se a resposta for ‘sim’, provavelmente, o arrependimento não virá por falta de planejamento ou de opções criativas”, orienta.

Neste momento, também não vale ter medo da opinião dos outros. Tire um momento para refletir e alinhe-se às suas próprias expectativas. Se toda a sua trilha até aqui aconteceu por causa de algo que você acredita ou acreditava, pode respirar aliviada. “Entender o que é ‘seu’ e por que você quer fazer algo é um dos pontos mais importantes ao se tomar uma decisão. Considerar que durante a jornada algo pode mudar e ter flexibilidade suficiente para lidar com isso é um passo muito relevante”, aponta.

Para Bárbara, não foi fácil desapegar de algo que ela sonhava desde tão nova. “As pessoas precisam levar isso com mais naturalidade. Sonhos começam e acabam, então, é preciso fazer trocas que fazem sentido. O mais bonito da vida é que não precisa se acomodar. Se um sonho não te faz mais feliz, vá em frente”, finaliza.

Fotos: Shutterstock

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