Quanto dinheiro é o bastante para você fazer o que quer?

Quanto dinheiro é o bastante para você fazer o que quer?

Jayme Carvalho*

No último dia 23 de janeiro, o jornal O Globo trouxe a seguinte matéria: “Sergey Brin é fotografado com Google Glass no metrô”. Segundo a reportagem, ele nada lembrava um bilionário e se misturava entre outros usuários do metrô nova iorquino, usava jaqueta, touca e um óculos que mais lembrava aqueles utilizados por míopes, o famoso Google Glass. Por baixo desse visual comum estava o co-fundador do Google e que segundo a revista Forbes possui uma fortuna de US$ 18,7 bilhões. Fiquei pensando quanto esse valor significa. Se compararmos com a renda per-capita brasileira, isso equivale à renda de 1,5 milhão de brasileiros em 2012. Se olharmos entre os norte americanos, seria o equivalente à renda per capita anual de 400 mil americanos juntos! Como pode uma pessoa acumular tal riqueza? De origem russa, Sergey foi para nos EUA quando criança e seus pais migraram da antiga URSS atrás de oportunidades em um ambiente político social menos complicado. Além da educação regular, teve aulas complementares com seus pais, um matemático e uma cientista que sempre foram sua referência.

Seria sua educação diferenciada que proporcionou tal valor? Não há dúvidas que a educação faz diferença. Segundo dados do IBGE, na média, a renda de um cidadão brasileiro que tenha curso superior é 350% maior que a daquele que não completou o ensino médio. Se adicionarmos os cursos de pós graduação, línguas e vivência internacional, este número é muito superior. No entanto, não é apenas educação que explica essa diferença de riqueza brutal. Sergey e Larry Page criaram o Google, que hoje avança rapidamente em vários campos de negócios, mas ganha boa parte da sua receita vendendo espaço de marketing em suas aplicações tecnológicas, como o site de busca e o Gmail.

Como no Google, em que palavras de busca têm valor, eu gostaria de destacar dois substantivos que podem explicar tal riqueza: Facilidade e Inovação. O maior produto que esses dois gênios da tecnologia criaram foi facilitar a vida dos usuários da internet. E vem mais por ai! O Google Glass promete ser mais umas dessas ferramentas inovadoras, em que poderemos usar a internet e outras facilidades sem o uso das mãos, neste caso, só com os seus olhos!

Recentemente, baixei em meu Kindle (mais uma dessas facilidades fantásticas) um livro que me chamou a atenção pelo nome  “How Rich People Think” – em português “ Como as pessoas ricas pensam”. Logo que comecei a ler o meu humor mudou, pois mais parecia um livro de “auto ajuda vendendo fórmulas” de sucesso (eca!), porém rapidamente lembrei-me de uma cena de um filme adorável – “Little Miss Sunshine” – em que o pai da protagonista vende cursos enlatados de auto ajuda e ganhei fôlego para continuar a leitura.

O livro é melhor que a primeira impressão e traz basicamente uma única provocação e conclusão: pessoas enriquecem vendendo soluções, facilidades, montando times que ajudem no desenvolvimento de produtos e conveniências que outras pessoas aceitem pagar. Investem seus recursos, sua energia e seus conhecimentos específicos nessa busca. No caso do co-fundador do Googlevejo nele um exemplo perfeito. Para muitas pessoas, uma ínfima parcela dos recursos de Sergey seria mais do que suficiente para se aposentar e passar o resto da vida viajando. Porém, ainda bem, existem pessoas como ele determinadas a mudar as coisas.

Creio que todos nós deveríamos exercitar isso. Procurar oportunidades para usar conhecimentos criando soluções e produtos inovadores. E isso não se resume apenas ao setor tecnológico. No campo das ciências sociais e relações humanas também temos muito para fazer diferente, nem que seja para copiar as melhores práticas institucionais que levaram outros países a um nível de renda bem superior que o Brasil. Práticas que funcionam em determinado setor podem ser bem vindas em outros: uma pessoa com experiência em hotelaria traria muitas inovações e diferenciais em uma área de relacionamento com clientes em um banco, por exemplo.

Bem fica aí o exemplo do Sergey, precisar não precisa, mas sempre podemos fazer mais e de preferência diferente.

* Jayme Carvalho é economista.

Foto: Reprodução.

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

Dúvidas enviadas através desse formulário não serão respondidas individualmente por e-mail.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

carolinaruhman

carolinaruhman

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

close