Quem é o Lobo de Wall Street?

Quem é o Lobo de Wall Street?

Crises têm o poder de causar uma reviravolta em todas nós, não é mesmo? Quando elas ocorrem no mercado financeiro podem inclusive fazer com que as pessoas mais tradicionais mudem os métodos de aplicação e se arrisquem fora da linha convencional. É o que mostra a história de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), narrada no filme “Lobo de Wall Street”, dirigido por Martin Scorsese, e que estreia no próximo dia 24 em todas as salas de cinema do Brasil. Para quem está louca para conferir o lançamento, a pré-estreia acontece nesta sexta-feira (10).

O longa mostra como foi a trajetória de Belfort, um corretor de valores que tornou-se milionário entre as décadas de 1980 e 1990. A tônica do filme é o excesso. Em todas as maneiras que você puder imaginar: são quase três horas de duração, um recorde de Scorsese. Como o objetivo aqui foi retratar uma vida de abundância, o diretor não poupou no uso de cores vibrantes e em figurinos cheios de estilo para basicamente todos os personagens da trama. Vemos também no lançamento uma marca comum de Scorsese: a exploração da câmera lenta. Os takes lentos realçam os momentos de delírio do investidor americano, que divide-se entre os vícios em dinheiro e drogas.

Apesar do início promissor trabalhando em uma corretora bluechips (de ações de alta liquidez), Belfort é chutado do mercado de ações com a crise de 1987.

Em uma jogada de oportunidade, Jordan encontra espaço para dar seu salto para uma vida milionária em uma corretora praticamente jogada às traças, cujo o objetivo era vender a investidores de classe média ações que estavam fora do pregão e que valiam reles centavos. Na maioria dos casos, ninguém nem sabia do que se tratavam os negócios das empresas, mas todos tinham a certeza de que estavam vendendo porcaria.

É neste ambiente que Jordan vê a oportunidade perfeita de casar sua habilidade como vendedor com a inteligência para a corrupção. O discurso adotado era bem afinado com o perfil de seu público. A cada vez que pegava o telefone para convencer um cliente a comprar ações, Jordan falava com incrível poder de persuasão sobre a “excelente oportunidade” que aquela pessoa deixaria escorrer pelas mãos caso não comprasse os papeis indicados.

A narrativa extravagante de Scorsese leva os espectadores aos bastidores obscuros que o dinheiro e o sucesso podem levar – drogas, prostitutas, brincadeiras de mau gosto e muita, muita ostentação, tudo isso ainda em horário comercial, entre uma transação e outra.

As artimanhas para enganar os clientes levaram Jordan a um ciclo de enriquecimento fácil e ilegal. A empresa artificialmente colocava os preços de ações baratas lá em cima, chegava a lucrar 50% sobre o capital investido e os investidores saiam com os bolsos vazios. O americano inclusive fez um trabalho de reconstrução da imagem da empresa e um intenso treinamento com os novos funcionários, que não entendiam absolutamente nada do mercado financeiro, mas absorviam perfeitamente bem os ensinamentos de um exímio vendedor.

Para quem investe, a história é um choque de realidade e um alerta vermelho na hora de determinar quem será o responsável por cuidar dos investimentos. A reflexão, na verdade, vai além. O filme instiga as empreendedoras a se questionarem quanto aos limites necessários na hora de avaliar oportunidades. Mais além, ter boa índole para diferenciar oportunidade de oportunismo. Até que ponto é válido arriscar para ter mais dinheiro? Até onde podemos chegar? Será mesmo o pensamento individualista e o dinheiro a qualquer custo que valem a pena? São perguntas que ficam no ar ao fim do filme.

JStone / Shutterstock.com

O verdadeiro Jordan Belfort no lançamento do filme

DiCaprio vive Jordan nas telonas de forma esplendorosa, levando fielmente ao público a imagem de um homem vaidoso, extremamente ambicioso, arrogante e sem a menor preocupação em demonstrar sentimentos que não estejam relacionados a tudo aquilo que o dinheiro pode prover. Os funcionários praticamente o louvam pelos ensinamentos que facilmente levaram-nos ao caminho da fortuna, a primeira mulher (Cristin Milioti, do seriado How I met your mother) – que parecia realmente amá-lo – foi substituída por outra mais vistosa (Margot Robbie), capaz de mostrar-se uma esposa amorosa e tolerante a traições, desde que bem adulada com diamantes, um belo iate e uma vida de primeira dama. O pai (Rob Reiner), em certo momento, aparece como a figura que pode colocar algum tipo de limite na vida do filho, mas os valores se corrompem com o deslumbramento pelo império que o rapaz constrói. A personalidade sagaz e cada vez mais ambiciosa de Jordan o levam a subestimar e até mesmo desafiar agentes federais que o investigavam.

O resultado das reviravoltas na vida do milionário é um choque para o espectador, mas algo previsível quando o assunto é excesso de dinheiro. Mas neste ponto é melhor que vocês tirem suas próprias conclusões.  “O Lobo de Wall Street” é um retrato feio do que acontece por trás das cortinas, mas um impacto necessário de ser visto por quem se interessa pelo mercado financeiro. Não vá se assombrar, pensando que tudo que acontece no mercado especulativo é sombrio. Mas cuidado com o glamour, afinal, nem tudo que reluz é ouro.

 

 

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