Quer fazer um investimento para o seu filho? Conheça as opções

Quer fazer um investimento para o seu filho? Conheça as opções

Foi o desejo de garantir a futura ida à faculdade que levou Michelle Bensussan, de 41 anos, a procurar uma opção de investimento focada nos filhos Marcelo, de 9 anos, e Enrico, de 7. “Um sobrinho meu está prestando medicina e percebemos que o valor da universidade pode sair muito caro se não nos preparamos”, conta a economista.

Depois de pesquisar as opções oferecidas no mercado, ela e o marido optaram há três meses por dois planos de previdência VGBL, um para cada um. “Nossa preocupação é com o futuro deles. Caso, lá na frente, eles passem em uma universidade pública, poderão usufruir desse valor de alguma outra forma.”

Marcelo Ribeiro, diretor de risco da Azimut Brasil Wealth Management, identificou preocupações semelhantes vindas de outros clientes. “Neste ano, observamos uma crescente demanda por parte dos investidores sobre o estabelecimento de reservas específicas destinadas aos filhos menores. Pelo menos dois a cada dez clientes vêm realizando tais questionamentos. Isso não ocorria no passado.”

Desejo de garantir o pagamento de uma faculdade, proporcionar um intercâmbio no exterior ou já facilitar a aposentadoria dos pequenos são alguns dos motivos colocados pelos pais que procuram esse tipo de investimento. O objetivo é colocar os juros compostos para trabalharem ao seu favor desde cedo e facilitar a tarefa de poupar.

Na hora de escolher onde colocará o dinheiro, a previdência privada é a primeira opção que vem à cabeça. Mas existem outras opções: há diversos investimentos que se encaixam em sonhos de longo prazo, alguns, inclusive, em nome da criança. Nesse texto, você conhece as principais formas de investir no futuro do seu filho e o que você deve levar em consideração para fazer essa escolha. Confira.

Onde investir?

1) Previdência privada

Os planos de previdência privada são opções largamente explorados por quem está pensando no futuro dos filhos. Para Teresa Lustosa, planejadora financeira da Planejar, os benefícios fiscais presentes nessa modalidade podem ser bons atrativos para os pais.

“Por meio do plano de previdência, é possível fazer investimentos de longo prazo onde o titular é um dos pais e os beneficiários, os filhos. Isso traz ainda outra vantagem, já que na eventualidade do falecimento do titular, os beneficiários recebem os recursos sem que seja necessário passar por inventário”, explica a especialista.

Se a escolha for essa, é importante conhecer as particularidades dos planos existentes e entender qual se encaixa melhor nos seus objetivos. Silvio Paixão, professor de Macroeconomia da Faculdade Fipecafi, também pontua a necessidade de ficar de olho nas taxas cobradas – entenda melhor aqui como escolher um plano de previdência privada.

2) Outros investimentos

Mas não é só a previdência privada que pode atender aos seus objetivos. Diversos produtos podem ser levados em conta: Tesouro Direto, CDBs, LCIs, fundos de investimentos e até ações podem entrar na roda.

Ribeiro explica que, normalmente, são indicados produtos atrelados à inflação, por garantirem o aumento de poder de compra no longo prazo. “Dependendo do perfil e conhecimento do cliente pode se utilizar títulos públicos indexados ao IPCA, títulos privados ou fundos de investimento específicos.”

Mas essa escolha dependerá essencialmente dos seus objetivos. “Se você deseja, por exemplo, que o seu filho estude fora, a melhor opção pode ser um produto atrelado à variação cambial. As opções variam”, defende Paixão.

Nesses casos, há duas alternativas para os pais: fazer o investimento em nome de um dos responsáveis (e se comprometer a não colocar as mãos nele por outro motivo senão o definido inicialmente) ou colocá-lo diretamente no nome do filho. Embora essa seja uma opção ainda pouco explorada, com o CPF dos filhos em mãos, é possível cadastrá-lo em diversas instituições financeiras e fazer aplicações em seu próprio nome.

E como escolher entre as duas possibilidades?

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Em nome do responsável ou dos filhos?

Para fazer essa escolha, é preciso primeiramente entender como funciona o investimento em nome da criança. Depois de feito o cadastro do menor em uma instituição financeira que disponibiliza essa opção, o responsável poderá escolher o produto que mais se adeque aos seus planos.

O investimento será feito em uma conta de titularidade da criança, com um dos responsáveis como titular. Até que a criança complete 18 anos, o responsável poderá movimentar os recursos como quiser, após a maioridade a anuência dos pais deixa de ser necessária.

Uma particularidade dessa opção é que o responsável estará efetivamente transferindo dinheiro à criança – diferente do que ocorre se o produto estiver em seu nome, onde ele é o proprietários dos recursos. “A Receita Federal permite um percentual de doação isento de ITCMD (doação em vida) anualmente – e os pais devem observar esses limites. Através desta possibilidade, muitas pessoas têm utilizado essa vantagem para iniciar a poupança para os filhos”, explica Ribeiro. Além disso, essa forma de investimento também exclui a necessidade de inventário em caso de falta do responsável.

Por um lado, Teresa defende que há um efeito psicológico de se fazer o investimento em nome do filho, que pode ser muito útil para manter a disciplina. “Ao tomar essa decisão, os pais estão dizendo para si mesmos que aquele dinheiro não é mais deles. A vantagem disso, é que fica mais difícil cair numa tentação e mexer naquele recurso.” Mas, por outro, a profissional explica que é preciso levar em conta que os recursos pertencerão aos filho após a maioridade. Isso porque, caso ele tenha um projeto diferente para a reserva, o uso pode acabar frustrando as expectativas dos pais.

Por onde investir em nome dos filhos?

Entre os grandes bancos, Bradesco e Banco do Brasil cadastram crianças como clientes e, portanto, permitem o acesso a investimentos em nome de menores. Itaú e Santander não oferecem essa opção e Caixa não respondeu até o fechamento da matéria.

O Bradesco disponibiliza a Click Conta, uma modalidade focada no público de até 17 anos que oferece acesso à poupança e CDBs, além de outros serviços, como cartão de crédito e mesada programada. No Banco do Brasil o cadastro de crianças permite acesso a diversos produtos, como poupança, CDBs, LCIs, fundos de investimento e ações. Até os 16 anos, a criança não tem permissão para movimentar a conta e entre 16 e 18 anos esse recurso depende de liberação do responsável.

Não só os bancos, mas também as corretoras fazem o cadastro de menores. Na Easynvest e XP, por exemplo, o cadastro dos filhos pode ser feito normalmente pelo sistema, com envio da documentação da criança e representante legal. A facilidade é que todas as transações são feitas online, assim como ocorre com adultos. Além disso, o leque de produtos em corretoras costuma ser maior.

A opção está disponível também na Azimut Wealth Management. Ribeiro explica que, na gestora de patrimônio, o valor mínimo para investimento é de R$ 300 mil por relacionamento. Assim, se o responsável já possuir esse valor, é possível a abertura de conta para a criança com um volume inferior de recursos.

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3) Poupança

Apesar de muita gente ainda se sentir confortável com a poupança, essa não é a melhor opção para quem está investindo com um objetivo de longo prazo. No cenário econômico atual, a caderneta está dando resultados semelhantes a outros investimentos em renda fixa no curto prazo. É preciso, entretanto, ter consciência de que não estamos falando de curto prazo aqui, mas de um horizonte de investimento de pelo menos 10 anos. Nessa situação, outros produtos podem oferecer resultados muito mais interessantes e plausíveis com as suas metas.

E como escolher?

Na hora de tomar essa decisão, Paixão enfatiza que o primeiro passo é realmente pensar no seu objetivo. “A escolha de um produto financeiro está totalmente atrelado às metas de quem investe. Por isso, é importante refletir, pesquisar e fazer as contas”, orienta.

Idade dos filho, montante a ser investido, prazo, sua predisposição ao risco, produtos disponíveis, expectativa de ganho e tributação: tudo isso deve ser levado em conta nessa escolha. “Definindo uma estratégia de investimento clara e coerente, será possível aumentar a expectativa de rentabilidade da carteira”, conclui Teresa.

 

Fotos: Shutterstock

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