Real maternidade: uma outra forma de ver a carreira e o papel de mãe

Real maternidade: uma outra forma de ver a carreira e o papel de mãe

Luciana Cattony é uma jovem publicitária, mãe de um filho pequeno e durante um período da vida foi dona de uma rotina bastante conhecida por muitas de nós: trabalhava freneticamente das 8h às 18h. Os momentos junto com o filho começavam ao final do dia, quando buscava o pequeno na escolinha, mas o aproveitamento estava bem longe do desejável. Com a bateria fraca devido à correria e o desgaste do trabalho, ela não tinha energia para brincar com o pequeno e sentia-se mal com a situação.

“As professoras estavam acompanhando o desenvolvimento do meu filho e eu não. Não estava achando aquilo certo, ficar na vida corrida e não conhecer meu filho direito”, comenta. A situação desconfortável só teve uma reviravolta depois de uma experiência trágica. Em junho de 2012 a publicitária acompanhou de perto a dor de uma prima que perdeu a filha de 2 anos, vítima de uma pneumonia nos dois pulmões. A criança chegou a ser medicada e hospitalizada, mas não resistiu. “Aquilo me deu um estalo. Foi uma experiência ruim que me fez tomar uma decisão positiva: pedi demissão e resolvi passar mais tempo com meu filho”.

Ela fica grata ao fato de exercer uma profissão em que pode fazer dinheiro por meio de freelances, assim foi possível continuar dividindo as despesas domésticas com o marido. Mas deixou muito claro que, independente do retorno, não recuaria na decisão. Se a situação apertasse estaria disposta a vender sanduíche, bijouterias, etc, mas a prioridade seria passar mais tempo com o filho.

O equilíbrio entre a vida profissional e a maternidade só aconteceu diante de uma decisão difícil, porém corajosa. E diante do que viveu e que já observou entre muitas mães, ela deixa uma reflexão. “Vejo que muita gente tem condição de seguir este caminho, mas não faz isso porque não quer abrir mão de outras coisas. Depois que tomei essa decisão, sei que não vai dar mais para comprar naquela loja X, nem para viajar todo fim de ano. Nem todo mundo está disposto a abrir mão disso, mas para cada bônus você tem um ônus”, avalia.

Mais além da vivência pessoal, ela questiona a política que é adotada no país. “O Brasil, as empresas e a sociedade não apoiam esse tipo de iniciativa. As empresas poderiam ser mais flexíveis, mas tudo que acontece é na teoria. Aquelas que se dizem mais flexíveis acabam cobrando da mulher por meio de metas. As pessoas não enxergam que valorizar o trabalho de mãe é investir em uma sociedade mais justa”, considera.

Luciana Cattony e Henrique/arquivo pessoal

Mudança de vida e o nascimento de um novo projeto

Mais perto do filho, hoje com 3 anos, e vivendo de perto situações relacionadas à maternidade que para ela eram completamente novas, Luciana descobriu o “lado b” de ser mãe. Além de toda a parte positiva que as pessoas costumam mencionar sobre o amor incondicional e etc, ela sentia-se angustiada em relação ao lado difícil de ser mãe. “No início eu senti que perdi muito da minha liberdade, porque tudo que você vive passa a ser em função do filho. Quando eu tocava em assuntos sobre o lado desgastante da maternidade as pessoas diziam que era assim mesmo, mas ninguém falava sobre aquilo, faltava esse espaço”.

Foi então que nasceu o Real Maternidade no facebook, um espaço para abordar, de forma leve e bem-humorada, as dificuldades de ser mãe. O fato de que o tabu precisava realmente ser quebrado pode ser comprovado pelo sucesso da página. Criado em outubro de 2012, a fanpage hoje conta com nada menos que 129 mil pessoas curtindo o conteúdo.

O crescimento fez com que nascesse o site, criado há cerca de dois meses. Empolgada com a nova etapa, ela hoje divide o tempo que dedica ao trabalho entre os freelances e os projetos relacionados ao Real Maternidade. Quanto ao filho, ela não se arrepende em nenhum momento da decisão tomada. “Hoje eu sei o que ele está sentindo só com um olhar, aproveitamos o tempo que temos um com o outro de um jeito bem melhor, fazemos parte um da vida do outro de um jeito melhor”, finaliza.

 

 

 

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