Realidade no empreendedorismo feminino

Realidade no empreendedorismo feminino

*Eduardo Ferreira

Muito tem se falado sobre a campanha feminista feita na noite do Oscar. Discursos sobre a necessidade de igualdade inflamaram não apenas a plateia de famosos, mas, principalmente, as redes sociais. Nos fóruns internacionais que tive oportunidade de participar, a atenção dada à igualdade de gêneros também é muito recorrente. Nesse sentido, tenho certeza que há unânime concordância sobre a impossibilidade de preconceitos, estereótipos ou qualquer outra forma de tratamento inferior em relação às mulheres. Mas o fato é que não dá para dizer que homens e mulheres são iguais, o que, justamente, torna essa conversa interessante.

As nossas raízes fazem com que homens e mulheres reajam de maneira muito distinta em relação às situações impostas pelo cotidiano. Não há dúvida, somos diferentes e a maneira mais inteligente de enfrentar esse fato não é tratar a todos de forma igual, mas respeitar as diferenças e extrair o máximo dessa diversidade, principalmente, no ambiente de negócios. Acredito que a discussão não deveria ser pautada na igualdade de gêneros e sim, na equidade. Isto é, a mesma oportunidade para homens e mulheres, respeitando a natureza de cada um.

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Durante a década de 1970, houve uma intensificação do movimento feminista no Brasil. Com isso, a luta das mulheres que protestavam contra a desigualdade de gênero organizou-se de vez, ganhando força e visibilidade. As mudanças ocorridas no âmbito político, econômico e legislativo colaboraram para que houvesse um crescimento notável de mulheres ativas no mercado de trabalho. Com estas conquistas, elas puderam buscar qualificação profissional e melhores oportunidades. Hoje, contam com conquistas importantes como licença maternidade e, em alguns segmentos, jornadas de trabalho mais flexíveis, como turnos de seis horas. Avanços que contribuíram para a crescente participação no mercado.

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Embora tenhamos significativos progressos, ainda há desafios a serem enfrentados, entre eles o desenvolvimento do empreendedorismo feminino.

Dados recentes mostram que há certo equilíbrio de homens e mulheres entre os microempreendedores. Entretanto, observa-se uma diminuição significativa da participação feminina nas pequenas e médias empresas. Pesquisas desenvolvidas pelo Itaú Mulher Empreendedora apontam a falta de referências femininas no setor e a menor capacidade de construir redes de relacionamento como possíveis causas para o menor apetite feminino ao crescimento. Paralelamente, o mesmo estudo mostra que o fortalecimento de lideranças femininas traz grande transformação na comunidade ao gerar modelos mais democráticos de gestão e mais atenção com o entorno do empreendimento. A tradução do cenário é simples: ainda são poucos os exemplos de programas que otimizam o resultado desse movimento e poucas mulheres verdadeiramente empoderadas.

Ainda que pareça óbvio que ambientes com diversidade são mais produtivos, são vários os exemplos de mulheres bem-sucedidas que confessam que, em algum momento da sua jornada, procuram mimetizar o comportamento masculino para evoluir na carreira ou instituir sua opinião. Este tipo de situação reforça a tese de que ainda há muito espaço para aproveitar as características femininas, que tanto podem enriquecer o ambiente de trabalho e contribuir para o desenvolvimento da sociedade.

“On ne nâit pas femme, on le devient” – não se nasce mulher, torna-se mulher – é uma das frases mais famosas da feminista francesa Simone de Beauvoir e traduz muito bem esse contexto. A chave para a conquista da tão desejada equidade está na mulher preparada e disposta a desafiar os estereótipos e preconceitos, estabelecendo sua essência na sociedade e tornando-se modelo de inspiração, de empoderamento e empreedendorismo. Diferenciando- se dos demais, por ser incomparavelmente, mulher.

*Eduardo Ferreira é superintendente de Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco, responsável pelo programa Mulheres Empreendedoras 

 

Crédito das fotos: Shutterstock

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