Redução da desigualdade de gênero poderia ajudar a resolver a crise fiscal

Redução da desigualdade de gênero poderia ajudar a resolver a crise fiscal

O governo anunciou recentemente a revisão da meta fiscal para 2017 e 2018, prevendo um rombo nas contas de R$ 159 bilhões. O número está acima da meta anterior, de R$ 139 bilhões – e mostra a dificuldade do governo de conseguir ajustar os gastos públicos para fazer as contas fecharem e resolver a crise fiscal.

A dificuldade de aprovar a reforma da Previdência, a lenta recuperação da economia e a queda na arrecadação de impostos levaram a equipe econômica a ter que revisar a previsão de déficit (quando o governo gasta mais do que arrecada). Atrapalhou também a gastança que o presidente da República, Michel Temer, promoveu em junho e julho, distribuindo verbas para parlamentares para poder se safar da votação da denúncia de corrupção contra ele.

Trocando em miúdos, a situação econômica do País segue dura, com a dificuldade cada vez maior do governo de conseguir fechar as contas.

No entanto, acredito que existem medidas simples que podem ajudar a resolver a crise fiscal, e, de quebra, dar um gás na economia: promover a igualdade de gêneros. O empoderamento feminino poderia trazer enormes ganhos não só para as mulheres, mas para a sociedade como um todo.

Um relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que uma redução de 25% das desigualdades entre homens e mulheres o mercado de trabalho poderia adicionar R$ 382 bilhões na economia até 2025, o que equivale a 3,3% do PIB. Somente em receitas tributárias, seria um aumento de R$ 131 bilhões na arrecadação.

Isso tudo sem cortar cargos públicos, rever políticas tributárias, reformar a Previdência ou promover outros ajustes na economia. Não digo que eles não são necessários – muito pelo contrário. Todos estes ajustes são essenciais para colocar o Brasil em uma rota de crescimento sustentável e estimular investimentos.

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No entanto, é interessante ver como uma pequena medida, que muitos enxergam como algo de importância menor, poderia ter um impacto enorme na economia. “A desigualdade de gênero continua a ser um dos desafios mais urgentes que o mundo do trabalho enfrenta. As mulheres são substancialmente menos propensas do que os homens a participar do mercado de trabalho e, uma vez no mercado de trabalho, elas têm menor probabilidade do que os homens de encontrar emprego”, afirma a ONU.

De acordo com a OIT, a participação feminina no mercado de trabalho no Brasil em 2017 é de 56%, contra uma taxa de 78,2% dos homens. “O fato de que metade das mulheres em todo o mundo está fora da força de trabalho, quando 58% delas preferem trabalhar em empregos remunerados, é uma forte indicação de que há desafios significativos que restringem suas capacidades e liberdade de participação”, disse a diretora-geral adjunta para políticas da OIT, Deborah Greenfield.

Por isso, fica a dica para a equipe econômica e o governo Temer: que tal lançar um pacote de medidas para a promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho? Um pacote como este poderia turbinar a economia, aumentar a renda das famílias e, de quebra, aumentar a arrecadação do governo e solucionar a crise fiscal. Todos sairiam ganhando.

 

Fotos: Shutterstock

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Carol Sandler

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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