Resgate antecipado de plano de previdência: por que evitar

Resgate antecipado de plano de previdência: por que evitar

São diversas as situações financeiras que podem levar uma família a recorrer ao resgate antecipado do plano de previdência: desemprego, emergências ou arrependimento. Nem todos esses cenários podem ser previstos ou evitados com planejamento, mas é importante saber que a retirada de recursos antes do prazo esperado pode acabar prejudicando (e muito) o esforço de poupança que você fez até aquele momento.

Isso acontece pelo próprio objetivo da previdência privada. Segundo a FenaPrevi, os planos são voltados para constituição de uma reserva de longo prazo – para complementar a renda no momento da aposentadoria ou ajudar a pessoa a realizar projetos pessoais no futuro. Exatamente por isso, a tributação também é pensada para privilegiar quem mantém o dinheiro aplicado por um longo período.

Além da perda financeira, é preciso considerar também aquela que vem da quebra do seu planejamento. “Ao resgatar o plano antecipadamente, você faz com que mais à frente você tenha que replanejar o seu futuro e aportar valores maiores para alcançar o mesmo objetivo, já que o tempo disponível será menor”, acrescenta Fernanda Pasquarelli, Diretora de Vida, Previdência e Investimentos da Porto Seguro.

Nesse texto, você entende por que o resgate antecipado não vale a pena e as medidas que você pode tomar para minimizar os riscos de precisar desses recursos.

Por que o resgate antecipado não é uma boa opção?

Ao escolher um plano de previdência, é preciso fazer duas principais escolhas: entre um plano PGBL ou VGBL e entre a tabela progressiva ou regressiva – você entende mais sobre isso aqui. Essas decisões têm impacto direto sobre como será calculado o IR lá na frente. A principal desvantagem de fazer o resgate antecipado vem, necessariamente, desses descontos, mas possíveis taxas também devem ser consideradas. Abaixo você entende cada um desses pontos.

1) Tabela progressiva X regressiva

A tabela regressiva foi criada em 2005 para incentivar ainda mais as reservas de longo prazo. Ela coloca que quanto mais tempo os seus aportes ficarem aplicados, menor será a alíquota de IR aplicada no momento do resgate ou recebimento do benefício. Veja abaixo:

Prazo de aplicaçãoAlíquota de IR cobrada
até 2 anosdesconto de 35%
de 2 a 4 anosdesconto de 30%
de 4 a 6 anosdesconto de 25%
de 6 a 8 anosdesconto de 20%
de 8 a 10 anosdesconto de 15%
depois dos 10 anosdesconto de 10%

O que acontece na tabela regressiva é que depois de 8 anos ela se equilibra com a aplicada para investimentos em renda fixa – que varia de 22,5% em até seis meses a 15% depois de dois anos. Mas para quem retira a previdência em até dois anos, o imposto “come” 35% dos esforços colocados – o que é muito significativo. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o ideal para quem escolhe essa opção é ter em mente um prazo de pelo menos seis anos.

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Já a tabela progressiva trabalha com as mesmas alíquotas aplicadas sobre os salários – que variam da isenção até 27,5%. “Ou seja, quanto maior for o valor resgatado ou recebido a título de benefício, maior a alíquota do imposto a ser cobrado”, explica a FenaPrevi.

Essa pode ser a melhor opção em dois casos: para quem pode precisar do valor em um prazo mais curto e para quem planeja, quando começar a usufruir do benefício, receber um valor anual que seja isento ou não ultrapasse a alíquota mais baixa estabelecida pela Receita Federal, de 7,5%.

2) PGBL X VGBL

Além do regime de tributação, a escolha de planos PGBL ou VGBL também influencia os descontos. Nos planos Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), indicados para quem faz a declaração simplificada de Imposto de Renda, o desconto ocorre apenas sobre os rendimentos.

Já no Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), indicado para quem faz a declaração completa de Imposto de Renda, a história é outra. Essa opção permite a poupadora deduzir até 12% da renda tributável ao ano da base de cálculo do IR. Mas, em compensação, na hora do resgate, o imposto é calculado sobre todo o valor resgatado – ou seja, dinheiro investido e rendimentos.

É importante entender, então, que com o resgate antecipado de um PGBL você não conseguirá aproveitar tudo o que esse benefício fiscal pode lhe trazer e ainda verá o desconto acontecer sobre todo o valor. “Nesse caso, o resgate antecipado traz ainda mais prejuízo”, explica Fernanda.

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3) Carência e taxas também merecem atenção

Além da perda tributária, a Fenaprevi esclarece que a beneficiária precisa observar os prazos de carência para solicitação dos resgates. Para o primeiro, esse período pode variar entre 60 dias e 24 meses após a contratação do plano. Já entre os pedidos, pode ser colocada uma espera de 60 dias a 6 meses. Por isso, é importante ficar atenta ao seu contrato.

Outro ponto que merece atenção são as taxas. Fernanda explica que planos de previdência podem contar com taxas de carregamento cobradas nas saídas antecipadas. “Isso impacta ainda mais no valor que a pessoa efetivamente receberá.”

Como evitar a necessidade de um resgate antecipado?

Como foi falado, os planos de previdência são idealizados para quem está pensando lá na frente, seja na aposentadoria ou em um sonho futuro. Por isso, é fundamental que essa não seja a sua única reserva financeira.

Para curto e médio prazo – o que inclui a sua reserva de emergências – é importante optar por outras opções, como poupança, Tesouro Direto, CDBs ou fundos de investimento. Esse planejamento irá ser muito útil para que, no caso de um imprevisto pessoal, você não preciso recorrer à previdência privada.

Agora, se você quer fazer o resgate pois está descontente com o plano contratado – pela taxa de administração ser muito alta ou contar com taxa de carregamento, por exemplo -, saiba que você não precisa optar pelo resgate, mas pode solicitar, respeitando os prazos colocados, a portabilidade do seu plano.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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