Saiba como falar sobre crise financeira para as crianças

Saiba como falar sobre crise financeira para as crianças

É difícil prever o impacto que uma crise financeira pode ter na vida de alguém. Há quem opte pela péssima saída de manter as aparências, mesmo sabendo que as coisas vão de mal a pior. Outros acabam perdidos na bagunça do impacto psicológico e saem descontando em todo mundo. Bom seria se todo mundo fosse sensato e conseguisse manter a serenidade no meio da turbulência, mas infelizmente não é assim que as coisas funcionam.

Mas e quanto às crianças? Se para os adultos já é difícil assimilar uma mudança brusca no padrão de vida, o que dizer delas, que mal sabem ainda como o mundo funciona? Por mais que seja difícil para nós mesmos assimilarmos o que está acontecendo e tomar decisões, é preciso protegê-los do impacto e impedir que o mundo deles desabe junto ao nosso despreparo. Neste sentido, a educadora financeira Cássia D’Aquino aponta algumas orientações que podem ajudar as famílias nesta difícil tarefa.

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Não envolva as crianças no primeiro momento 

A primeira providência a ser tomada é discutir o problema, mas longe dos pequenos. Ainda que a situação de crise gere angústias, medos e desentendimentos, isso não deve ser levado às crianças. “Ainda que você chore, grite, se desespere, que faça isso longe deles. Se a criança participa deste momento de descontrole, o mundo dela desaba. A primeira coisa que ela pensa é: se eles que são adultos não estão no controle, como é que eu posso estar?”, salienta.

Ainda sobre este aspecto, a especialista comenta que os adultos costumam esquecer sobre um “fantasma” que costuma acompanhar a vida de toda criança durante uma certa fase. “Toda criança no mundo carrega um fantasma infantil que é o receio de ficar pobre, de perder tudo e morar na rua. É um temor justamente retratado no conto de Joãozinho e Maria”, acrescenta. Deixar que a criança participe deste momento conturbado de aceitar que existe uma crise financeira, pode deixa-la completamente desolada. A situação deve ser levada a elas quando as soluções já tiverem sido discutidas.

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Praticidade para falar do assunto

Não adianta compartilhar as próprias revoltas e angústias com as crianças, elas não poderão contribuir em nada para mudar este cenário e ficarão ainda mais angustiadas. “Não há razão para dizer à criança que o emprego antigo era péssimo, que ela não sabe como você sofreu ou que passou, isso não vai ajudar em nada. Se o que está causando a crise é uma situação de desemprego, fale objetivamente para a criança o que aconteceu, mas que as providências estão sendo tomadas, que você está enviando currículos e que as coisas vão melhorar. O importante é que a criança perceba que você está no controle da situação”, avalia.

Conduzindo o período de crise

Depois que a situação de crise financeira for apresentada com tranquilidade para as crianças, os pais explicam que será preciso rever os gastos, diminuir a quantidade de passeios, de idas à restaurantes, etc. A educadora financeira ressalta ainda que, em muitas situações, as reações exageradas das crianças e adolescentes são reflexo do que elas observam em casa. Ainda que uma crise forte traga um grande impacto para a família, isso não pode ser encarado de um modo trágico e sem solução. “Faça uma analogia com outras situações. Quando a criança fica doente, por exemplo, ela sabe que é desagradável, mas que precisa tomar o remédio. Faça essa analogia com a cura. Que os sacrifícios são necessários, mas que vão ajudar a trazer a cura para o problema”, comenta.

Por fim, Cássia acrescenta o potencial da resiliência das crianças. Se a situação de crise souber ser levada a elas do modo certo, elas são capazes de se mostrar muito resistentes e engajadas a ajudar encontrar soluções para os problemas. Por mais que uma crise não seja motivo de alegria para ninguém, este momento de adversidade pode ser crucial para unir a família, além de ensinar valores financeiros e mudar as perspectivas de como enxergar o dinheiro.

 

Crédito das fotos: Shutterstock

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