Saiba como negociar seu salário

Saiba como negociar seu salário

Embora um salário mais alto seja recompensador, as negociações para tanto costumam ser bastante desafiadoras, tanto para quem está discutindo uma contratação, quanto para quem está atrás de um aumento. Controlar o nervosismo, lidar com o risco e as possíveis frustrações são fatores que costumam trazer uma boa dose de estresse ao funcionário.

Se você está nessa situação, as dicas do relatório “Negociações de salário: como negociar o seu” (Salary Negotiations: How to Negotiate Salary), da Escola de Direito de Harvard, poderão ajudá-la a alcançar uma negociação bem-sucedida.

Salário é apenas parte do negócio

Números são importantes quando se trata de trabalho, ninguém é capaz de discordar disso. Mas, segundo o relatório, para realmente sair satisfeita de uma negociação, é importante enxergar o todo e não se prender apenas aos valores. Nesse processo, há muita coisa em jogo: salário, benefícios, carga horária e possibilidade de crescimento, por exemplo.

Negocie pela sua felicidade

Portanto, uma das dicas de ouro de Harvard é colocar a sua felicidade na mesa. Para eles, um acréscimo de pagamento não é capaz de trazer satisfação duradoura e, sem funções que a estimulem, é provável que a animação com o aumento passe rapidamente.

Para não cair nessa armadilha, os pesquisadores sugerem a criação de um “sistema de pontuação”, no qual você possa dar peso diferente a diversos critérios (como auxílio saúde, localização do trabalho, plano de carreira…) e elencar suas prioridades. Assim, ficará muito mais fácil visualizar o que realmente importa para você.

Negocie pelo sucesso no longo-prazo

É importante ter um plano definido ao buscar a negociação, ou seja, saber o que você quer do seu futuro. Por isso, é preciso negociar não só pelo presente, mas por ferramentas que a ajudem a crescer e conquistar seus objetivos profissionais. Segundo o relatório, recém-graduados devem planejar pensando dois anos à frente, já profissionais mais experientes podem subir esse prazo para cinco anos.

Reflita sobre o valor do seu salário

Todo mundo deseja um aumento, mas antes de encarar a chefia, é preciso refletir sobre quanto você ganha e assegurar-se de que o acréscimo é plausível. Se você sabe quanto ganham os seus colegas, considere as atribuições e experiências de cada um, converse também com outras pessoas da área para entender o contexto. Antes de procurar os seus empregadores com uma proposta que eles podem considerar absurda, portanto, procure por evidências sólidas de que você merece o valor proposto.

Adapte sua estratégia à da organização

Não basta saber o que você quer, é preciso atentar-se também ao que está em jogo naquela empresa. Por isso, na hora de apresentar uma proposta, considere diversos fatores, como tamanho, estilo de negócio e possibilidades financeiras atuais da corporação.

Cuidado com a autossabotagem

Segundo o relatório, as pessoas têm uma tendência autodestrutiva de “ficar no próprio caminho” enquanto negociam, ou seja, se sabotarem mentalmente. Esse é um risco ainda maior quando se está discutindo uma contratação, já que as pessoas costumam se sentir mais inseguras nesse momento. Quando alguém não consegue entender o próprio valor, fica sujeito a aceitar menos do que achava que merecia.

Entenda qual é o seu poder de barganha

Para garantir uma negociação bem-sucedida, é preciso entender o mercado, a organização em que trabalha e ter consciência de que seu poder de barganha é limitado. O tamanho da sua influência vai depender de diversos fatores, como a demanda por profissionais da sua área, experiência profissional e conhecimento sobre a empresa. Não entender o seu limite é muito perigoso, pois pode levá-la a pôr tudo a perder. Por isso, reflita antes de fazer a proposta e elenque prioridades.

negociar_salario_harvard_interna

Perfis de negociação

Segundo o relatório, questões gênero, estilo de negociação e tolerância ao risco são alguns dos fatores que influenciam a abordagem de cada uma na hora de encarar a chefia e negociar. As pesquisadores Michelle Marks, da Universidade George Mason, e Crystal Harold, da Universidade Temple, classificam os negociadores em cinco categorias:

Colaborador: aquele que participa ativamente da solução da questão e busca o melhor resultado possível para os dois lados.
Competidor: aquele que tenta maximizar os seus ganhos em relação aos dos outros.
Acomodado: aquele que coloca os interesses dos outros à frente do seus.
Comprometido: aquele que tenta chegar ao meio termo.
Contornador: aquele que evita o conflito a qualquer custo.

A escolha do estratégia é crítica para determinar o sucesso da negociação. Nesse estudo, aqueles que se comportaram de maneira competitiva tiveram melhores resultados, mas os colaboradores saíram mais satisfeitos com a negociação. Já os outros perfis não foram ligados a aumento de salários.

Claro que cada pessoa precisa respeitar o seu próprio perfil, mas negociar assertivamente é fundamental para conseguir o que deseja. É importante lembrar também que é preciso cautela na hora de negociar, pois há sempre uma dose de risco envolvida nesse processo.

Negociação entre as mulheres

Ao contrário de outras pesquisas – que dizem que as mulheres são menos propensas a negociar por aumentos salariais -, nesse estudo as participantes não ficaram atrás dos homens na negociação. Curiosamente, ao enfrentar um oponente competitivo, as mulheres também responderam de maneira mais competitiva, o que sugere que sejamos mais adaptativas ao estilo de negociação das outras partes.

 

Fotos: Shutterstock

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

marianaribeiro

Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

close