Selic a 11,25%: como ela afeta seus investimentos e dívidas

Selic a 11,25%: como ela afeta seus investimentos e dívidas

Após um corte de 1 ponto percentual, a taxa básica de juros da economia – a Selic – atingiu agora o patamar de 11,25% ao ano – o mais baixo desde 2014. A decisão foi tomada na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), finalizada ontem (12). Essa foi a quinta queda seguida da taxa e a mais intensa até agora.

O corte já era esperado pelo mercado, principalmente em decorrência do cenário mais controlado de inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, está em 4,57% no acumulado dos últimos 12 meses – a meta é de 4,5%.

“Como a Selic norteia as demais taxas praticadas pelo mercado, com os cortes, espera-se estimular a atividade econômica e impulsionar a retomada do crescimento. E essa queda só é possível em decorrência do controle da inflação”, explica Nilza Santos Siqueira, mestre em Economia e professora da Faculdade Drummond.

A Selic funciona como um “norte” para a economia. Quando a inflação está alta, a taxa é elevada, para desincentivar o consumo da população. Por consequência, os investimentos das empresas são desestimulados e há uma redução na pressão inflacionária. Quando a inflação dá sinais de controle – como o que está acontecendo agora – é possível dar início a um processo de queda na taxa e acelerar a economia do País – entenda melhor aqui como a Selic afeta a sua vida.

A queda, iniciada em outubro do ano passado, veio acompanhada da perspectiva de novas reduções nas próximas reuniões – o Copom se reúne a cada 45 dias para discutir a taxa de juros. O ritmo de queda, entretanto, dependerá da performance da economia e política brasileira. Os analistas preveem que a Selic caia para 8,5% em 2017. Já as expectativas apuradas pelo boletim Focus, do Banco Central, para a inflação este ano estão em 4,1% ao ano.

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Como a Selic afeta minhas dívidas

Com a queda da Selic, diversos bancos do varejo, como Banco do Brasil, Santander, Bradesco e Itaú, já anunciaram queda nas taxas de juros cobradas em diversas modalidades de crédito, como cheque especial e crédito pessoal.

À consumidora vale lembrar que, mesmo com a redução, o País continua liderando o ranking das taxas de juros mundiais, organizado pela MoneYou e pela Infinity Asset Management. Além disso, há um descompasso entre a Selic e as taxas praticadas pelo mercado, que são muito superiores. Mesmo com a redução, portanto, os juros não deixam de ser muito pesados para o bolso. Por isso, ainda vale toda a cautela antes de optar por qualquer modalidade de crédito.

“A queda na taxa de juros é positiva, mas é preciso ter consciência de que o reflexo para o consumidor não vem na mesma velocidade e proporção. Por isso, a consumidora não deve se iludir: é preciso avaliar sempre a real necessidade de crédito, as condições oferecidas e fugir das modalidades mais caras”, explica Nilza.

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Como a Selic afeta meus investimentos

A Selic é a taxa referencial para todas as outras praticadas pelo mercado. Por isso, ela tem influência direta sobre o rendimentos dos seus investimentos em renda fixa. Antes de ficar decepcionada, entretanto, é preciso lembrar que não só os juros estão em queda, mas também a inflação – de 10,6% em 2015, para 6,3% no ano passado, com expectativa de 4,1% para 2017. Por isso, é preciso observar o rendimento real dos seus investimentos, ou seja, descontando a inflação.

Com a taxa em queda, a poupança vem ganhando força novamente como reserva de emergência – isso enquanto a Selic não chegar a 8,5% ao ano, quando muda o cálculo de remuneração da caderneta. Segundo dados da Anefac, no momento, os fundos de investimento com taxas de administração inferiores a 2,5% ao ano continuam mais atrativos do que a poupança.

Os investimentos em renda fixa, como Tesouro Direto, CDBs e LCIs, também permanecem como boas opções na maioria dos cenários. Mas é preciso redobrar a atenção com a remuneração – principalmente em relação às taxas oferecidas pelos grandes bancos para aplicações como CDBs e LCIs, que podem ser pouco vantajosas. Além disso, é preciso considerar outras taxas cobradas e o desconto nos investimentos nos quais há cobrança de Imposto de Renda.

O momento pode ser interessante para começar a pensar em diversificar parte dos seus investimentos, assumindo opções com risco um pouco mais alto. É preciso ter em mente, entretanto, que isso só é válido para uma parcela da sua carteira de investimentos e que é necessário considerar seus objetivos e perfil de investidora. “Essa decisão vai depender também do seu horizonte de investimento. Se está trabalhando com o longo prazo, será mais fácil assumir alguns riscos. Se os seus planos são mais imediatos, a renda fixa permanece como a melhor opção”, explica a professora.

 

Fotos: Shutterstock

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