Como lidar com dinheiro e consumismo na adolescência

Responsabilidade financeira é algo que precisa ser construído desde muito cedo. Saiba como tratar sobre dinheiro em meio às turbulências da puberdade. leia mais

Ser adolescente não é fácil. As transformações no corpo, a chuva de hormônios, as mudanças na vida e na forma como enxergar o mundo não são fáceis de lidar. Por mais que a juventude ofereça bons momentos para recordar, não dá para esquecer que este período é também uma prévia do que nos aguarda na vida adulta.

Existem besteiras que fazemos quando adolescentes que podemos usar a desculpa da falta de maturidade, da necessidade de aprender depois de cometer alguns erros. Nada mais natural que isso. Mas quando se trata de dinheiro, não seria melhor tentar evitar alguns tropeços e moldar desde já uma boa consciência financeira? Como essa fase pode ser bem conflituosa, cabe aos pais uma atenção extra para não deixar que as frustrações do jovem sejam descontadas de forma errada, no consumismo, por exemplo.

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Descontar os problemas nas compras

Assim como acontece na infância, muitas vezes os pais caem no erro de compensar problemas familiares, conflitos pessoais com os filhos ou mesmo a ausência com bens materiais. Pode não ser por mal, mas tentar cobrir buracos emocionais com o aumento do limite do cartão ou presentes caros não é a solução. A mensagem enviada é de que eles podem esquecer problemas descontando em compras e bens materiais. Os problemas emocionais não serão resolvidos e é plantada a semente para uma pessoa consumista.

Supervalorizar supérfluos

Se na infância eles queriam sempre os lançamentos de brinquedos, o que parece prioridade agora é ter um tênis legal, uma roupa de grife ou um celular de última geração para fazer sucesso com a turma de amigos da escola. Neste período em que a formação do caráter está acontecendo, o adolescente pode passar dificuldades para distinguir o que tem daquilo que ele realmente é.

Não se engane, este tipo de cilada pega os adultos também. Afinal, faça uma autoavaliação, quantas vezes você sentiu-se bem por ver um monte de gente te elogiando por aquele vestido bonito que usou e postou nas redes? As vezes usamos coisas supérfluas para esconder fragilidades. Para quem ainda está começando a vida, não seria diferente. Por isso é tão importante a presença da família, de lembrar os jovens que eles não precisam de aceitação em função do tênis que calçam ou do celular que podem ter. Mostre a eles o quanto é importante reconhecer e valorizar quem eles realmente são.

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O orçamento de casa

Ainda que o orçamento da família seja de responsabilidade dos adultos, é saudável falar sobre a renda da casa de modo transparente, sem conflitos. Se a família estiver passando por dificuldades financeiras, é válido ressaltar o cuidado para lidar com o assunto, sem causar pânico ou transferindo aos jovens o estresse do momento. Clareza para falar sobre o quadro financeiro da família dá aos jovens maior senso de realidade e os estimula a se envolverem com mais engajamento na busca por soluções para problemas.

Entendendo bem o contexto financeiro de casa, eles podem ficar mais conscientes sobre a necessidade de economizar, de juntar dinheiro e olhar para o futuro.

Reservas financeiras

Como dissemos acima, se os jovens não tiverem consciência de tratar o dinheiro com respeito e cautela, desde muito cedo eles poderão desenvolver um comportamento irresponsável quanto à finanças. Se recebem uma mesada, é fundamental que não a vejam somente como uma forma de custear o lazer. Dê a eles responsabilidades com as próprias despesas, para que aprendam a cuidar do dinheiro com responsabilidade.

Acompanhe os gastos e não ceda aos apelos para dar dinheiro extra fora de hora. Se souberem administrar bem a mesada, podem começar a juntar desde já o dinheiro para realizar sonhos, como uma viagem ou a compra de algo importante, como o próprio computador.

 

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