Como investir com juros altos?

A alta dos juros retrai o consumo, mas favorece alguns investimentos de renda fixa. A planejadora financeira Thais Linero dos Santos aponta algumas estratégias para quem quer investir. leia mais

A taxa básica de juros do Brasil continua alta e a previsão dos especialistas é que permaneça assim ainda por algum tempo. O instrumento usado pelo governo para tentar segurar a inflação – que também segue elevada – encarece o crédito e também dita a dinâmica de muitos investimentos.

Para quem investe ou pretende fazer isso neste ano, é preciso ficar de olho em alguns aspectos para que o dinheiro possa render melhor. Apesar dos juros altos atrapalharem o nosso cotidiano de algumas formas – o crédito, por exemplo, fica mais caro – eles podem ser favoráveis se você souber fazer a escolha certa na hora de investir seu dinheiro.

A planejadora financeira certificada pelo IBCPF, Thais Linero dos Santos, dá algumas orientações úteis para buscar um investimento nos tempos atuais.

Por que devo repensar o dinheiro guardado na poupança?

Antes de mais nada, a planejadora destaca que a poupança não vale a pena se o objetivo for rentabilidade. Com os juros altos, o dinheiro não rende praticamente nada, as vezes não consegue sequer acompanhar a inflação, o que torna o rendimento negativo.

A ressalva que ela faz para a caderneta é nos casos que ela for usada somente como instrumento para guardar uma reserva de emergência, tendo em vista a liquidez e a facilidade de tirar o dinheiro. Ainda assim, ela aponta uma outra possibilidade que pode ser considerada. “Existem bancos que oferecem LCAs sem carência. Se a pessoa tiver essa possibilidade, é melhor. Isso porque a poupança tem a regra de ter rendimento somente na data de aniversário, enquanto na LCA sem carência, o dinheiro pode render melhor”, explica.

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Funciona da seguinte maneira, se você aplica hoje o seu dinheiro na caderneta, mas precisa retirar a quantia dentro de 20 dias, você tira o dinheiro sem rendimento nenhum, porque o saque foi feito antes de completar um mês. Na LCA sem carência, em contrapartida, esta mesma quantia teria rendido um pouco.

Vale reforçar no entanto, que é preciso ter cuidado na hora de avaliar o contrato, tendo em vista que cada banco tem uma regra para investimentos em LCI e LCA. Em geral, é estabelecido um prazo de carência e antes deste período você não consegue retirar o dinheiro. Algumas instituições, entretanto, não estabelecem essa carência no caso da LCA, mas é preciso ter total certeza disso antes de fechar o contrato se o seu objetivo for ter liquidez diária.

Que tipo de investimento devo escolher?

De imediato, a orientação da especialista é buscar investimentos atrelados à inflação – tendo em vista que ela segue alta – ou pensar em ativos pós-fixados (que acompanham a alta dos juros), como CDBs, LCIs ou LCAs.

Neste ano, os dois últimos ainda estão isentos de Imposto de Renda. O governo estuda mudar essa regra, mas a expectativa é de que as mudanças só passem a valer a partir do próximo ano. “Com a isenção do IR, existem bancos médios que oferecem LCI ou LCA com rendimento de 94% do CDI, são opções melhores do que o CDB com 100% do CDI, tendo em vista que o investimento tem a cobrança do imposto de renda regressivo”, reforça.

Na prática, o quadro é o seguinte: ainda que o percentual de rendimento do CDB seja maior, há um desconto no rendimento porque é preciso pagar o IR. A taxa descontada vai diminuindo conforme o tempo de investimento aumenta. No caso da LCI e LCA não há incidência do IR, pelo menos por enquanto.

Contratos e investimentos pré-fixados

Se a opção for por investimentos pós-fixados, para aproveitar este momento de alta dos juros, a especialista ressalta que é preciso ter atenção para não firmar contratos longos, tendo em vista que o cenário econômico pode mudar novamente no próximo ano.

“Até o final do ano, é bom avaliar as medidas que o governo fizer, principalmente quanto à Selic e à inflação oficial. No ano que vem é bom rever os investimentos novamente, porque se os juros abaixarem, os investimentos pré-fixados podem ser opções melhores”, afirma Thais.

No caso dos pré-fixados, você já tem uma taxa de retorno pré-definida, além da inflação. Ou seja, o investimento garante que você não perca poder de comprar e ainda estabelece um percentual de ganho. É uma opção melhor para o caso dos juros abaixarem no ano que vem.