Tenho sapatos demais!

Tenho sapatos demais!

*Carolina Ruhman Sandler

Eu estava outro dia conversando com umas amigas, quando surgiu o assunto de uma marca de sapatos bacana que havia lançado uma coleção para uma grande varejista de moda. No caso, a coleção da Sarah Chofakian para a C&A. Sempre que surge um novo lançamento desses, as peças são instantaneamente alçadas para a lista de desejos de consumo – afinal, quem não quer um sapato de uma marca badalada por um preço muito menor?

A receita de sucesso é garantida. Quer saber por quê?

Por trás destes lançamentos de coleções de marcas bacanudas para redes varejistas existem diversas estratégias para fazer a gente a consumir mesmo. A sensação de urgência vai às alturas: são poucas peças, é por tempo limitado, quem consegue comprar é uma sortuda.

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Mas além da urgência, está uma estratégia que é conhecida na economia comportamental como priming. Você tem como referência (ou âncora, na linguagem técnica) os preços originais da marca. No caso da Sarah Chofakian, são sapatos que custam mais de R$ 1.000, mas que na C&A, saem por R$ 150.

Na hora que você avalia a queda dos preços, chega sempre à mesma conclusão: vale muito a pena! Afinal, sempre que você olha para os R$ 150, lembra logo dos R$ 1.000. No entanto, nessa hora, e por causa de toda aquela urgência que já falamos, você esquece de avaliar dois pontos essenciais: quanto você pode gastar de fato em um sapato e o todos os sapatos que você já tem.

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É nesses momentos que a gente acaba comprando mais uma sapatilha, ou mais um sapato preto, parecido até com tantos outros que você já tinha e até esqueceu…

Não quero parecer uma chata aqui, não é essa a minha ideia. Ao escrever este artigo, meu objetivo era explicar as estratégias das marcas para fazerem a gente gastar, e o que pensamos na hora de fazer uma compra. Quer saber o que eu faço?

– Nunca compro uma peça de roupa sem ao menos pensar se já tenho algo parecido, ou se vai combinar com o que já tenho
– Nunca compro sem provar – o que fica lindo na vitrine nem sempre funciona no meu corpo!
– Se o valor for alto, sempre tiro um dia para pensar se quero mesmo, ou se foi apenas um impulso

Então não estou sugerindo que você não compre os sapatos – eu mesma estou encantada com uma das sapatilhas. Sugiro apenas que não se esqueça de lembrar de todos estes outros pontos na hora de soltar o cartão. Pode ajudar – e muito – na hora que a fatura chegar.

Fotos: Shutterstock

*Carolina Ruhman Sandler é a fundadora do site Finanças Femininas e coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva). Jornalista, tem 31 anos, é casada e mãe da Beatriz.

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carolinaruhman

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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