Terremotos financeiros e a banalização das decisões de vida

Terremotos financeiros e a banalização das decisões de vida

*Gisele Andrade e Fernanda Lattari

Sair da casa dos pais, separar, mudar de emprego…

A maioria das dificuldades financeiras que surgem nesses momentos de vida está relacionada à ansiedade por se viver intensamente o presente. As pessoas não se questionam sobre o estilo de vida possível, mas sim desejam encaminhar rapidamente o seu futuro bempróximo sem refletirem sobre os desafios de uma vida financeira equilibrada de longa duração.

Nós planejadores financeiros colecionamos bons e maus momentos da relação dos nossos clientes e amigos com dinheiro. O dinheiro permeia as decisões de vida, por mais que exista resistência a essa ideia ou certo pudor cultural brasileiro. Como observadores mais críticos, os planejadores financeiros irão diagnosticar o problema, apontar as vulnerabilidades presentes e futuras e sugerir às pessoas opções para uma jornada financeira saudável.

Aqui neste espaço faremos um pingue pongue entre duas planejadoras financeiras, Fernanda Lattari e Gisele Andrade:

Fernanda – Solteiros ou jovens casais podem se precipitar na presunção da independência financeira e iniciar um crônico processo de endividamento. Ainda mais se foram crianças inconscientes do padrão financeiro da família. Isso é comum? Como evitar um mau começo?

Gisele – Sim, é muito comum. Descreverei um caso recente. A primeira distração aconteceu quando a pessoa manteve o padrão de vida que possuía junto à família após de mudar e nem se deu conta de que o salário não cobria as suas novas despesas totais. Afinal, as despesas fixas passaram ser por sua conta!

Um sinal de alerta de que algo estava errado no orçamento pessoal veio da recusa do cartão de crédito em vários estabelecimentos comerciais. A pessoa tomou um susto ao descobrir que o seu nome estava no registro oficial de inadimplentes. Precisou renegociar seus limites de cartão de crédito com o banco e vendeu bens. Pior ainda: precisou recorrer à fonte antiga de recursos – a sua família. O sentimento de inferioridade e fracasso demorou a ser superado.

Ficam algumas dicas simples: identificar quais das despesas seriam reduzidas ou eliminadas com menos sacrifício ao bem estar, buscar fontes de renda complementar, não ter pressa para alcançar a real independência financeira, refletir sobre os bens e o padrão de vida que realmente traz felicidade!

Fernanda – Sentimentos e decisões práticas envolvem as separações dos casais. Planejadores financeiros e jurídicos são bem vindos para mitigar o estresse das partes envolvidas. Quais são as principais reviravoltas no orçamento familiar? Sabemos que não é só a definição das pensões, mas algo no dia-a-dia pode sim passar despercebido.

Gisele – É preciso ter em mente que uma separação cujo contrato seja o da comunhão parcial dos bens e onde tenha havido a constituição de novo patrimônio durante o casamento haverá uma diluição patrimonial para ambos. O efeito não é constatado apenas pela divisão dos bens, mas também porque as despesas em alguns itens serão duplicadas. Ou seja, cada ex-cônjuge fica com metade do patrimônio, por hipótese, porém custos com a moradia, a manutenção, as apólices de seguro residencial, entre outros, dobram.

O ajuste nas despesas do dia-a-dia será menos traumático quando os ex-cônjuges trabalham e geram rendas parecidas. Quando existe relação de dependência de renda das duas partes é preciso ter bom senso dos dois lados e buscar uma acomodação do padrão de vida anterior até que um novo estilo de vida seja encontrado pela parte que até então não gerava renda.

terremotos financeiros e a banalização das decisões da vida

Fernanda – “Vou largar tudo”. “Não é possível que eu não caiba em outra empresa”. “Decidi que vou montar um negócio”. Essas são frases de desabafo em momentos de estresse no trabalho. Sabendo que o empreendedorismo é uma atividade de alto risco, como poderíamos proteger parte do nosso patrimônio pessoal?

Gisele – Para a montagem de um negócio próprio é fundamental estudar bem as opções que interessam e que a pessoa tenha alguma experiência ou habilidade. Limite seu investimento no projeto, defina as suas metas ao longo do tempo – incluindo critérios para a desistência. Como diz o ditado: “é melhor um final horrível do que horror sem fim”!

Se a primeira empreitada falhar, mas a pessoa tiver as reservas e os controles adequados, estará pronta para buscar novas oportunidades, já com mais conhecimento de causa, maturidade e, portanto, chance muito maior de sucesso.

Para concluir…

A independência financeira significa liberdade em se fazer escolhas em diversos momentos de vida – inclusive em meio a um terremoto financeiro. O estresse financeiro pode ser minimizado com precaução ou lições do passado.

 

*Gisele Andrade e Fernanda Lattari são planejadoras financeiras com Certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.

O texto acima reflete as opiniões das autoras, e não do site Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Este conteúdo foi útil para você?

IBCPF

IBCPF

Planejamento Financeiro

close