Teste: você é workaholic ou worklover?

Teste: você é workaholic ou worklover?

Nunca foi tão fácil trabalhar a todo instante – smartphone sempre ligado, grupo de WhatsApp do trabalho, e-mail conectado 24 horas e uma cultura corporativa que pede mais e mais resultados. Ou seja, ambiente perfeito para criar workaholics. Para nós, mulheres, a situação é ainda pior graças à dupla jornada. “Além do trabalho formal ser fonte de esgotamento, há os cuidados com a casa e família, que ainda são muito direcionados à figura feminina. O sofrimento é maior quando há filhos envolvidos”, afirma a psicóloga Renata Adriane, que dá palestras sobre carreira e liderança. De quebra, ainda temos que provar a todo instante que somos tão competentes quanto os homens para competir no mercado de trabalho.

“Em geral, workaholics têm tendência ao perfeccionismo e a serem muito competitivos com eles mesmos e com colegas, além do desejo contínuo de serem reconhecidos e de atingirem metas muito elevadas”, explica a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP.

E não pense que é só no ambiente de trabalho: a insegurança, agressividade e incapacidade de relaxar contaminam todas as áreas da vida, inclusive a pessoal. Chega uma hora que o corpo cobra e surgem sintomas como dores de cabeça e nas costas, insônia, ansiedade e depressão. Ao chegar no limite, emerge a Síndrome de Burnout – o auge do esgotamento físico e mental causado pelo excesso de trabalho, que, somado aos sintomas citados acima, ainda pode provocar tontura, tremores e síndrome do pânico. O fenômeno é tão sério que, segundo a psiquiatra, é cada vez mais crescente o número de suicídios dentro do ambiente de trabalho, principalmente na Europa, Estados Unidos e, mais recentemente, Brasil.

Amante do trabalho ou viciada?

Que fique claro: amar o que você faz não a torna uma workaholic. Por isso, foi criado o termo “worklover”, usado para designar pessoas que se identificam com seu trabalho e se realizam nele, sabendo equilibrá-lo com as demais esferas da vida. Se você pertence à Geração Y – ou seja, nasceu entre 1980 e 1995 –, é bem capaz que se enquadre nessa descrição, pois este é o perfil profissional mais comum entre a geração.

Porém, tudo que é demais azeda. Amar o trabalho em excesso faz do worklover um potencial workaholic. “Depois de certo ponto, essa pessoa começa a ser explorada pelos outros e nem percebe. Ela fica sobrecarregada e, quando menos espera, não está mais rendendo nada”, define Alexandrina. Aí, as demais áreas sofrem, assim como acontece com uma workaholic. Então, se você é apaixonada pelo que faz, lembre-se sempre de seus limites e que a vida não é só trabalho, ok?

Virando o jogo

Se você se identificou como workaholic, ou o teste a seguir apontou este resultado, você pode tomar algumas atitudes para reverter o quadro. O primeiro passo é reconhecer. Depois, é preciso detectar as fontes de estresse. Você fica no escritório porque não quer ficar em casa? Ou porque a cobrança no trabalho é grande demais? “Identificando isso, veja o que pode lidar ou eliminar. Se não conseguir, reinterprete, entendendo porque aquilo aconteceu, e veja o lado positivo de cada estressor”, aponta Alexandrina.

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O terceiro passo é aprender a lidar com a situação – e isso envolve a ajuda de colegas de trabalho, familiares, amigos e, às vezes, profissionais de saúde. “É preciso compreender que a vida é muito mais ampla do que somente trabalhar, e, assim, voltar a ter prazer ao desempenhar outros tantos papeis sociais, como ser mãe, esposa, amiga, praticante de algum esporte etc.”, assinala Renata. “Existe a possibilidade de ser mais flexível e se aceitar”, completa.

Afinal, eu sou uma workaholic?

O psicoterapeuta norte-americano Bryan Robinson, autoridade em workaholismo, desenvolveu o Work Addiction Risk Test, teste que ajuda a identificar o grau de dependência que as pessoas têm em relação ao trabalho. Quer saber o seu? Então, leia as afirmações abaixo e concorde ou discorde de cada uma delas, dando uma pontuação de 1 a 4 – sendo 1 (discordo totalmente), 2 (discordo parcialmente), 3 (concordo parcialmente) e 4 (concordo totalmente).

  1. Prefiro fazer a maioria das minhas tarefas sozinha do que pedir ajuda.
  2. Perco a paciência quando preciso esperar alguém ou quando algo demanda muito tempo.
  3. Parece que estou sempre com pressa, correndo contra o relógio.
  4. Fico irritada quando alguém me interrompe enquanto estou fazendo algo.
  5. Sou uma pessoa muito ocupada e faço várias coisas ao mesmo tempo.
  6. Eu me pego fazendo duas ou três coisas de uma vez só, como almoçar, falar ao telefone e fazer anotações ao mesmo tempo.
  7. Muitas vezes, sinto que estou dando um passo maior do que a perna ao me comprometer em fazer algo.
  8. Sinto culpa quando não tenho nada para fazer.
  9. É muito importante que eu veja resultados concretos de tudo o que faço.
  10. Estou mais interessada no resultado final do meu trabalho do que no processo como um todo.
  11. Para mim, tudo parece muito devagar ou demorar muito para acontecer.
  12. Fico brava quando algo não acontece do jeito que eu quero ou não me beneficia.
  13. Pergunto várias vezes a mesma coisa sem perceber, mesmo depois de alguém já ter me respondido.
  14. Passo muito tempo pensando e planejando acontecimentos futuros, enquanto deixo o aqui e agora de lado.
  15. Sou a última a sair do escritório.
  16. Fico nervosa com pessoas que não atendem meus padrões de perfeição.
  17. Não estar no controle de tudo me deixa frustrada.
  18. Pressiono-me com prazos que estipulo para mim mesma.
  19. Tenho dificuldade de relaxar quando não estou trabalhando.
  20. Passo mais tempo trabalhando do que socializando com amigos, exercendo hobbies ou em atividades de lazer.
  21. Mergulho de cabeça em projetos para que eles se concretizem o mais rápido possível.
  22. Culpo demais a mim mesma, mesmo quando cometo o menor dos erros.
  23. Gasto mais tempo e energia trabalhando do que em meus relacionamentos pessoais.
  24. Esqueço, ignoro ou coloco em segundo plano as comemorações em família, como aniversários e festas em geral.
  25. Tomo decisões importantes antes de considerar todos os fatores e de pensar bem nas consequências.

RESULTADO

De 25 a 54 pontos: tudo certo.
Não precisa se preocupar, pois você administra carreira e vida pessoal com muito equilíbrio.

De 55 a 69 pontos: preste atenção.
Cuidado, pois o trabalho está começando a tomar mais espaço em sua vida do que deveria.

De 70 a 100 pontos: hora de parar.
As chances de você ser uma workaholic são altíssimas. Desacelere e tente equilibrar sua vida com as dicas acima.

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Fotos: Shutterstock

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