Trabalhar de casa à tarde? Veja como ela conseguiu

Trabalhar de casa à tarde? Veja como ela conseguiu

O mercado financeiro é uma das indústrias mais competitivas no mundo. São muitos bancos, gestoras de recursos, fundos de investimentos e corretoras que tentam atrair o maior número de clientes possível. É um mercado também dominado por homens. Neste ambiente, são famosas as longas jornadas e um trabalho muito estressante. A história de Priscila Araújo Simon, 37 anos, é uma raridade. Ela é uma das sócias da Victoire Brasil Investimentos, uma das gestoras de recursos mais badaladas do mercado, casada, mãe de três filhas pequenas e conseguiu uma flexibilidade de trabalho que é um sonho para a maioria das mulheres: à tarde, ela trabalha de casa. De manhã, ela está no escritório, mas na hora do almoço ela vai para casa e trabalha de lá, pertinho das filhas. Incrível, não é? Ela nos contou como conseguiu isso em uma entrevista deliciosa para o Finanças Femininas. Confira!

Priscila Araújo Simon

“Eu acordo às 5h da manhã. Eu preciso de um suporte em casa, então tenho gente que cuida da casa, duas babás, motorista. Você precisa desse suporte, pois se não, você não consegue conciliar tudo. Mas mesmo tendo duas babás, eu faço questão de acordá-las de manhã, de trocar e pentear. As pessoas me perguntam: “Por que você acorda às 5h? Você poderia acordar às 6h!”. Mas eu gosto de me arrumar com calma, de trocá-las com calma. É um momento de estar com elas, tomar café da manhã junto. Eu deixo elas na escola às 7h e 7h30 já estou no escritório. Isso é um grande ponto. Eu sou a primeira, ou das primeiras, a chegar no escritório. Eu chego bem cedo, por dá tempo de ler tudo e fazer tudo antes de o mercado abrir (a Bolsa de Valores começa a operar todo dia às 10h). É um horário que o telefone não toca e que acaba sendo super produtivo.

Fico no escritório a manhã toda, até normalmente 13h. O combinado é que eu saio neste horário para ir para casa. Não foi de uma hora para outra: eu consegui isso por conta de flexibilizações do meu horário de trabalho que foram acontecendo ao longo do tempo. Além disso, tem o fato de eu estar aqui há bastante tempo, de eles conhecerem o meu trabalho, a seriedade, o comprometimento. As pessoas sabem o quão produtiva eu sou. É difícil de conseguir isso em um primeiro momento, mas à medida que você vai se provando, você consegue conquistar este tipo de flexibilidade.

Quando as minhas primeiras filhas nasceram, eu ficava praticamente o dia todo no escritório. Logo no  momento de volta da licença-maternidade, eu voltava para casa para amamentar, mas à medida que elas foram crescendo, meu horário foi se estendendo e eu voltei a ficar o dia inteiro no escritório. Quando eu fiquei grávida da última, nós começamos a negociar. Eu passei a ter interesse em trabalhar de casa e eles me sugeriram de fazer este esquema, de na hora do almoço eu ir para casa e trabalhar de lá.

A grande verdade é que por mais que seja o mercado financeiro, hoje a tecnologia permite que a gente faça tudo isso. Então eu acesso remotamente, de casa, o meu terminal Bloomberg (sistema de acesso a informações que é uma das principais ferramentas do mercado financeiro). Nós temos uma boa plataforma de tecnologia, então acesso todo o sistema de pesquisa de casa, faço vários conference calls de lá. Quando tem uma reunião em algum cliente ou no nosso escritório, eu participo. Este meu esquema não é fixo: se eu não tiver nenhum compromisso no escritório ou fora, eu vou para casa. Se houver algo, eu acabo ficando no escritório. Quando a agenda aqui permite, eu trabalho de casa.

Eu tenho um escritório em casa que tem uma porta de correr. O que acaba acontecendo é que no dia-a-dia, não tem problema. Se eu estou fazendo alguma atividade tranquila, minhas filhas me chamam, falam comigo. Mas se eu preciso me concentrar, redigir algo, fazer um conference call, eu literalmente fecho o meu mundo: fecho a porta de correr e elas sabem que naquele momento, elas não podem me interromper. Elas sabem que meia hora, uma hora depois eu vou estar de novo ali. Mas acho que só o fato de ter a presença física, de elas saberem que eu estou ao alcance delas e eu também saber disso, faz diferença. O que acontece no escritório, essa coisa de ir tomar um café, ir ao banheiro, conversar com um colega, eu faço isso em casa, com elas.

Então tem depois o terceiro turno: o mercado fecha no final da tarde, que é um horário mais agitado na vida da mãe. É a hora do banho, de jantar, de colocar as meninas da cama, é a hora em que meu marido chega de casa. É quando eu aproveito bastante para ficar com as meninas e brincar com elas. Depois que elas vão dormir, eu janto com meu marido – é importante também ter esse lado de esposa. Então lá pelas 21h eu sento no computador de novo e acabo trabalhando um pouco mais.

Sono é um problema. Durante a semana, durmo apenas 5 ou 6 horas. Sempre tem aquela coisa, o marido chama para ver um filme, ou a gente senta pra conversar, então acabo dormindo pouco. Mas no fim de semana tento compensar, procuro dormir mais no sábado e no domingo, quando não tem apresentação de balé, festa na escola… Um dos grandes problemas das mulheres e das mães é que a gente tenta aproveitar todo o tempo que tem. E a noite não tem tanta demanda das crianças nem do trabalho, então eu sinto como se fosse um tempo para mim, para meu marido. Então você acaba sempre estendendo mesmo o horário de dormir. Mas faz parte!”

Vocês gostaram? Como vocês conseguem equilibrar filhos e carreira? Contem nos comentários!

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Carol Sandler

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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