Upcycling: processo de produção de roupas sustentáveis e exclusivas também ajuda a economizar

Upcycling: processo de produção de roupas sustentáveis e exclusivas também ajuda a economizar

O consumismo tem provocado grande impacto no meio ambiente e nos nossos bolsos. É neste cenário que surge o upcycling. Ele nada mais é do que o processo de usar materiais que seriam jogados fora para produzir itens de maior valor ou qualidade.

Apesar de parecer, não é a mesma coisa que reciclagem. “A principal diferença é que a reciclagem passa por processos químicos ou abrasivos, enquanto o upcycling, não. Isso implica em melhor qualidade do produto e menos uso de água e energia”, explica Harumy Yamaguchi, co-founder do site Upcycling.com.br. Ou seja, o material não é reprocessado mas, sim, usado como está.

Por exemplo, no upcycling, é possível descosturar uma jaqueta jeans e fazer uma saia – o material continuará sendo o mesmo, apenas o formato será diferente. “Já na reciclagem, por exemplo, transforma-se garrafas PET em fios, o que possibilitará a mistura com outras fibras para construir um novo tecido. Assim, tanto seu formato quanto sua composição mudam”, esclarece.

Nada se perde, tudo se transforma

De decoração à moda, o upcycling pode ser usado em diversas esferas do consumo. “Quando aplicado à moda, esse processo transforma resíduos ou produtos descartados nas fábricas ou pelos consumidores finais em roupas ou acessórios”, dizem Eloisa Artuso e Marina de Luca, diretoras de educação e comunicação, respectivamente, do Fashion Revolution Brasil, movimento global que busca conscientizar sobre o preço ambiental e social da moda.

Muitas marcas usam o método para elaborar peças criativas, únicas e de baixo impacto ambiental. É o caso da Re-Roupa, que aposta no upcycling como ferramenta de design em todas as peças. “Garimpamos roupas que estão paradas em brechós, bazares e em outros lugares, além de vasculharmos o estoque de outras marcas, buscando peças-piloto que não serão mais comercializadas, retalhos e fins de rolo de tecido”, conta Gabriela Mazepa, estilista e diretora criativa da Re-Roupa (foto de abertura da matéria).

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Acorda aposta no upcycling para produzir acessórios

Outras marcas brasileiras que também têm como base o upcycling são a Acorda, que produz acessórios irreverentes, e a Insecta Shoes, conhecida pelos sapatos veganos e ecológicos.

E não pense que apenas produtores menores apostam no processo: grifes como Fendi e Hermès estão usando o upcycling em suas criações. A técnica está tão em voga que existe uma loja colaborativa em Berlim, capital da Alemanha, dedicada apenas a receber designers que adotaram o procedimento, a The Upcycling Fashion Store.

O resultado são peças únicas e cheias de personalidade, além da redução do impacto no meio-ambiente.

Upcycling no dia a dia

Sabe aquela roupa que você tanto ama, mas que está tão velhinha que precisará ser aposentada? O upcycling pode dar a ela uma nova vida. Aliás, foi a partir dessa memória afetiva das peças que Gabriela começou seu trabalho. “Meu projeto final na escola de artes em que estudei contava a história das pessoas a partir de suas roupas e o significado que elas tinham em suas vidas. Então, eu mostrava as transformações possíveis naquelas peças para que elas pudessem continuar sendo usadas”, relata.

A boa notícia é que é perfeitamente possível aplicar o conceito na vida real. “Você pode transformar roupas e acessórios que não usa mais em itens usáveis novamente, desmontando e costurando de novo, às vezes juntando com outras peças ou tecidos e criando novos modelos”, ensinam Eloisa e Marina.

Diversas instituições oferecem cursos de upcycling, que são especialmente valiosos para quem não tem muita noção de costura. Além das próprias marcas que utilizam técnica em sua produção, é possível encontrar oficinas no LAB Fashion, Belas Artes – neste caso, um curso de extensão de 64 horas – e no Istituto Europeo di Design Rio de Janeiro (IED RIO), ministrada pela própria Gabriela Mazepa.

Praticar upcycling também pode trazer vantagens para o bolso. “Com ele, a consumidora estará aumentando a vida útil de seu produto, pois o transformará em outra peça. Logo, não terá necessidade de comprar novos produtos com mais frequência”, defende Harumy.

Quem não tem muitas habilidades manuais pode considerar consumir marcas que prezem a técnica. Embora elas não tenham preços tão competitivos quanto os de fast fashions, a compradora ganha no quesito sustentabilidade e design exclusivo.

Isso acontece por diversos motivos, muitos deles envolvendo questões éticas. “O modelo de negócio de fast fashions explora a mão-de-obra barata, muitas vezes sem considerar direitos trabalhistas básicos e salários decentes, além de se basear na extração de quantidades excessivas de recursos naturais para a obtenção de matérias-primas”, alertam Eloisa e Marina.

O fato de produzirem em massa também barateia o custo do produto – algo que não ocorre em peças de upcycling, que podem até mesmo serem únicas, pois dependem dos materiais garimpados pelas marcas.

Apesar de ser uma alternativa sustentável, o upcycling ainda não é uma solução permanente para a questão do descarte de roupas. “O ideal seria que não precisássemos do upcycling, pois, se comprássemos menos, não teríamos tanto descarte de roupas e objetos. Precisamos mesmo pensar se o consumo de algum produto é necessário ou se o consumismo está preenchendo outras lacunas”, finalizam Eloisa e Marina.

Fotos: Divulgação

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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