Você é vítima das DSTs – as dívidas sexualmente transmissíveis?

Você é vítima das DSTs – as dívidas sexualmente transmissíveis?

Meninas, neste Carnaval precisamos falar de um assunto MUITO importante: as DSTs! Mas calma, não é nada disso que você está pensando… Estamos falando das dívidas sexualmente transmissíveis!

O romance começa e ele é a sua razão de seu viver. Os programas a dois são incríveis – a companhia é maravilhosa, tudo que sempre procurou e te agrada em todos os quesitos. Partidão!

Com o passar do tempo, a intimidade aumenta e você vai descobrindo os defeitos dele, mas não é nada assustador, portanto prefere continua. Entre uma ida ao shopping e o restaurante, percebe que a situação financeira do amado não é das melhores. Isso parte o seu coração apaixonado e, então, decide ajudá-lo…

Paga uma conta ali, assume aquela outra dívida no cartão, faz um empréstimo no outro dia … Quando viu está endividada igual a ele. E, o pior, as dívidas que estão no seu nome nem são suas!

Isso é muito comum de acontecer e em quase 100% dos casos as principais vítimas são as mulheres. Para se blindar desse problema conheça histórias de mulheres apaixonadas que passaram por essa situação e aprenda com elas.

Caso 1: “Conheci o Danilo quando tinha 18 anos. Apesar de ele não ter pai e só a sua mãe bancar a casa, sempre teve tudo que queria. Depois de três anos de namoro, a mãe dele faleceu. Ele já era maior de idade e trabalhava então recebeu a herança dela e pronto, mas ela não tinha grandes patrimônios. A grana que ele ganhava no trabalho não dava pra bancar uma casa sozinho. Além disso, ele entrou numa depressão sem saída. Como o amava muito e não queria abandoná-lo, fui morar com ele para dar apoio. Pouco tempo depois nos casamos e partilhamos todas as contas (e dívidas). O problema é que ele parou de trabalhar… Daí pra diante minha situação financeira piorou. Trabalhava muito para pagar nossas contas e ele continuava o mesmo menino de sempre. Minha situação era tão desesperadora que cheguei a fazer dois empréstimos no nome do meu pai para conseguir pagar nossas contas. Claro que a relação ficou insustentável e nos separamos. Apesar de fazer 5 anos que nos separamos, ainda pago dívidas e, por mais que ele esteja trabalhando, não me ajuda em nada!”.

Lição: Por mais que você o ame muito, não podemos confiar em ninguém de olhos fechados. Principalmente quando o assunto é dinheiro, contratos e dívidas, fique sempre com o pé atrás e pense duas vezes a contrair uma dívida que não é sua por amor. Geralmente, o amor acaba e as dívidas ficam. Procure ser racional, até mesmo porque ficar se justificando depois não resolve a situação – as pessoas não querem saber se você estava apaixonada ou não. Sempre que for assinar um contrato, leia todas as linhas e dê uma maior atenção às letras pequenas. Se mesmo assim restarem dúvidas, entre em contato com um especialista e esclareça todos os pontos.

Caso 2: “Sou educadora e o Rogério é contador. Apesar de meus horários serem mais flexíveis do que os dele, sempre tive a agenda cheia de compromissos. Só que, justamente por isso, faltava tempo para organizar a minha vida financeira. Como ele tinha mais facilidade com números, cuidava disso pra mim. Assim que nos casamos, era tudo uma maravilha-  eu recebia, falava com ele e ele pagava as contas e fazia os investimentos… O problema é que de uns tempos pra cá, ele ficou extremamente ciumento, perguntando porque comprei isso e aquilo. Fica tentando controlar tudo. Eu não posso fazer o que eu quero com o meu dinheiro, porque ele decide o que fazer e se aquilo é necessário ou não pra mim. Só que eu não sei como ele gasta e onde estão nossos investimentos. Nossa relação está quase no fim por causa disso e eu não sei o que fazer…”.

Lição: Por mais que seja prático, não deixe que seu namorado ou noivo assuma toda a vida financeira de vocês. Assim você perde a sua independência e individualidade, além de prejudicar a magia de um relacionamento. Se o dinheiro é seu também, você deve saber como ele é cuidado e aplicado. Mas se mesmo assim vocês optarem por uma conta conjunta, assegure-se dos seus direitos e de sua liberdade. Para movimentações grandes, vale a pena usar um modelo em que a assinatura dos dois é necessária para liberar a transação.

Caso 3: “Ficamos juntos por quase 10 anos. Os problemas aconteceram logo quando me formei. Como já quase que morávamos juntos e tínhamos uma baita intimidade, assim que fui efetivada contei a ele o meu salário. O valor era mais que o dobro do que ele ganhava. Não pensei que a partir daí começaria o meu inferno pessoal. Na hora ele disfarçou a felicidade, mas nossa saídas ficaram muito chatas… Ele só queria dividir a conta e falava que não tinha dinheiro pra nada. Até a conta do motel a gente dividiu. Se eu questionasse qualquer coisa, era pior. Ele jogava na minha cara que eu ganhava mais do que ele e que não deveria reclamar. Para evitar brigas, comecei a inventar programas para salvar a confiança dele. Conforme tive promoções no meu emprego, ia programando viagens, noites em hotéis caríssimos e presentes inesperados. Só que aquilo virou uma bola de neve e eu fiquei sem saída. Quando vi estava lotada de dívidas e pagando grande parte das contas de casa! E quando a situação financeira não vai bem, que os problemas (e o caráter) das pessoas aparecem… Eu conheci um monstro que estava ao meu lado a todo esse tempo! Depois de 6 anos morando juntos, nos separamos. Não teve negociação e, além de estar toda endividada, ele quis receber pensão! O processo ainda está na justiça e, por mais que meu advogado fale que vou sair dessa ilesa, morro de medo de ter que pagar um salário pro meu ex-monstro”.

Lição: Você não pode virar refém do seu dinheiro. Só divida detalhes da sua vida financeira quando existir muita intimidade e confiança, e aproveite a ocasião para ouvir também da vida dele e vocês fazerem um combinado do que faz sentido para vocês. Não é porque um ganha mais do que o outro – seja ele ou você! – que essa pessoa deve se responsabilizar por todas as contas. Isso deve ser uma decisão do casal – mas tome cuidado para não se tornar algo em que um se aproveita do outro. Em casos de pedido de pensão consulte um advogado para prevenir todo e qualquer susto. Antes de assumir uma dívida, pense duas vezes. Viver um amor é tudo de bom, mas cuidado para não perder o que você mesma construiu com o seu trabalho!

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carolinaruhman

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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