10 relatos sobre a falta de diversidade em Hollywood

10 relatos sobre a falta de diversidade em Hollywood

O anúncio dos indicados de 2016 ao Oscar reacendeu a discussão sobre a falta de diversidade e também a desigualdade de gênero em Hollywood.

Recentemente, as atrizes Jennifer Lawrence e Patricia Arquette usaram a popularidade para falar sobre desigualdade salarial. A  atriz Viola Davis também usou sua voz para ressaltar a falta de oportunidades para as mulheres negras. Agora  foi a vez de Jada Pinkett Smith se manifestar sobre as poucas indicações de atores e diretores negros, iniciando um boicote à premiação e a criação da tag #OscarSoWhite nas redes sociais.

Quando os famosos se manifestam, ajudam a tirar o assunto dos bastidores de produções e cobrar atitudes e mudanças dos cargos administrativos. Pensando nisso, o New York Times convidou mais de 27 trabalhadores da indústria cinematográfica (atores, produtores e cineastas) que representam minorias para relatar dificuldades e preconceitos que já enfrentaram nas profissões.

A matéria surgiu a partir de uma análise feita pela Universidade Annenberg de Comunicação e Jornalismo, por meio de uma iniciativa com foco em pesquisas sobre Mídia, Diversidade e Mudança Social. O resultado foi a comprovação da fraca participação de mulheres e negros em função da supremacia branca e masculina na realização de filmes.

Os pesquisadores constaram que o problema vai além do que está sendo apontado pela #OscarSoWhite e outras manifestações, engloba a fraca representação de pessoas latinas, asiáticas, plus size e transexuais.

A análise da Universidade explica que os filmes hollywoodianos são fortes reprodutores e influenciadores da sociedade atual. Por isso, muitas histórias de estrelas e cineastas divulgadas pelo New York Times, poderiam facilmente ser adaptadas ao mercado de trabalho do “mundo real”.

Entre os 27 relatos do artigo, escolhemos 10 histórias contadas por mulheres de diferentes profissões, corpos e origens, para ficar como reflexão.

1. Mindy Kaling, criadora e estrela de “The Mindy Project”

“Na mesma época em que fui contratada para interpretar Kelly Kapoor, na série ‘The Office’, escrevi um episódio piloto com a minha melhor amiga, chamado ‘Mindy and Brenda’, baseado em nossas experiências de vida. Os produtores queriam fazer audição para o meu papel, o qual eu mesma gostaria de interpretar, e procuraram inicialmente por uma atriz de descendência indígena-americana. Não conseguiram achar ninguém, então abriram para atrizes  com descendência do Oriente Médio. Eles disseram que não encontraram nenhuma atriz com essa descrição, então resolveram procurar por uma mulher branca. Aquilo quebrou o meu coração por muitas razões, mas principalmente porque fiz uma boa audição, para um papel que eu havia criado. Acho que eles estavam procurando por alguém tradicionalmente bonita”.

2. Effie Brown, produtora de “Dear White People”

“Quando eu estava me formando na faculdade, eu não pareceria com ninguém da minha turma e também não tinha feito nenhum contato. Eu liguei para a Black Business Bureau (uma associação que facilita o contato com empresas administradas por pessoas negras) e fui recepcionada por uma atendente maravilhosa que me contou sobre a prima dela, que estava trabalhando em ‘The Five Hearbeats’, com Robert Townsend. Foi assim que eu consegui o meu primeiro estágio”.

 

3. Eva Longoria, atriz e produtora

“Eu estava produzindo uma série médica, na qual a personagem principal seria uma cirurgiã latina. Por várias razões, não consegui seguir em frente. Quando os canais dizem: ‘Nós estamos de acordo com a diversidade’, eles vão desenvolver isso, mas raramente eles colocam (a série) no ar.”

4. Queen Latifah, atriz, musicista e produtora

diversidade-hollywoodFoto: Joe Seer / Shutterstock

“A discussão surgiu quando estávamos produzindo a série ‘Living Single’: o elenco precisava perder peso. Quando o meu empresário recebeu a ligação com essa solicitação, já me passou o telefone rindo, pois sabia que eu não iria aceitar. Eu sinto que devo representar um grupo de mulheres que podem pesar o quanto quiserem, sem culpas”.

5. Katie Dippold, autora de “The Heat”

“Eu definitivamente penso antes de falar. Eu sinto que é muito provável ofender alguém apenas por ser uma mulher com uma forte opinião sobre qualquer coisa”.

6.Priyanka Chopra, atriz

“Eu me sinto extremamente orgulhosa quando pessoas do sul da Ásia dirigem-se a mim para agradecer por não ser uma indiana estereotipada na televisão. Em um evento, lembro-me de uma garota ter vindo me abraçar chorando. Ela disse: ‘Obrigada por nos fazer relevantes’. Eu fico arrepiada sempre que me lembro disso”.

 

7. Jurnee Smollett-Bell, atriz

“Eu perdi as contas de quantas discussões já tive no set de filmagem com os diretores que querem o meu figurino diferente. Eu também questiono por que os atores precisam tirar a roupa o tempo todo. Em cenas de amor, o ângulo da câmera é sempre do ponto de vista masculino e isso simplesmente me enfurece”.

8. Kimberly Pierce, diretora (Sobre quando dirigiu “Carrie”, de 2013)

“Eu recebi metade do salário e isso já tinha acontecido outras duas vezes. Quando eu reclamei, eles disseram: ‘Nós vamos te dar a metade. Aceite ou deixe’. Eles acham que se você gostaria muito de fazer algo, está disposta a aceitar menos dinheiro. No Top 100 de filmes daquele ano, só dois tinham sido dirigidos por mulheres, o meu e ‘Frozen’”.

9. Lori McCreary, produtora que trabalha constantemente com Morgan Freeman

“Se o roteiro não deixa claro, o papel é presumido para um ator branco. Quando a diretora do filme  ‘Deep Impact’, Mimi Leder, disse que queria chamar Morgan para fazer o papel de presidente,  alguém no estúdio disse: ‘Nós não estamos fazendo um filme de ficção científica. Você não pode colocar o Morgan Freeman para interpretar o presidente’. Ainda bem que ela lutou muito por isso”.

10. Julia Roberts, atriz

diversidade-hollywoodFoto: Everett Collection / Shutterstock

“Eu me lembro da primeira reunião com os produtores do filme “Erin Brockovich”, antes de Steven Soderbergh entrar na equipe. Eu disse: ‘Nesta cena ela está dançando com uma micro saia? Eu não posso fazer isso’. Eles responderam: ‘Mas isso é o que realmente aconteceu’ e eu disse: ‘Eu sei, mas por que colocar isso no filme? Precisamos analisar a real função dessa cena para a história’.

Eu não sentia que estava sendo completamente entendida. As pessoas acreditavam que era sobre mim. Quando Steven chegou à equipe, entramos em uma sincronia sobre como interpretá-la, desde a sua sexualidade até a alma. E eu não tive que dançar usando uma micro saia para mostrar isso”.

Foto: Shutterstock

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