5 lições do ganhador do Nobel de Economia, Richard Thaler, para economizar dinheiro

5 lições do ganhador do Nobel de Economia, Richard Thaler, para economizar dinheiro

Nas dicas do pesquisador para economizar dinheiro, entender o comportamento na hora de comprar é importante. Durante o século 20, muitos economistas acreditavam que as pessoas se comportavam racionalmente e com base nos próprios interesses. Se alguém vai ao mercado e está comparando duas opções de papéis higiênicos idênticos, ela irá escolher o mais barato.

Se alguém faz uma oferta para comprar a sua casa, você calcula o valor para saber se compensa o custo de uma mudança antes de aceitar ou rejeitar a oferta, certo?

Bem, talvez não. Essas premissas nunca estiveram certas para Richard Thaler, economista da Universidade de Chicago, que no início de outubro recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas.

Então, segundo Thaler, se as pessoas são tão economicamente racionais, porque nós presenteamos uns aos outros?

Quando publicou sua pesquisa principal, no início dos anos 80, Thaler e suas ideias foram vistos como radicais – tanto que grande parte da Faculdade de Economia da Universidade de Chicago teria tentado impedir a sua nomeação. Eventualmente, as ideias de Thaler ajudaram a dar origem aos estudos modernos da economia comportamental, que combina elementos de economia e psicologia, na tentativa de entender como nós tomamos nossas decisões. Algumas de suas descobertas tiveram grandes ramificações, particularmente para quem planeja economizar dinheiro.

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Se você possui um fundo de previdência, por exemplo, os estudos de Thaler podem ter grande influência nisso. Em um experimento com poupadores de aposentadoria, Thaler mostrou que, quando os planos eram automatizados, os trabalhadores mais do que triplicaram a porcentagem de cada salário que economizaram.

Um dos colegas de Thaler estima que suas sugestões sobre como estruturar contas de aposentadoria adicionaram cerca de US$ 29,6 bilhões para a economia das pessoas.

Confira algumas das melhores – e mais úteis – dicas de Thaler.

1. “Vencedores” de leilão são frequentemente perdedores

Um dos artigos mais recentes e populares de Thaler fala sobre um conceito chamado de “maldição do vencedor”, que consiste na ideia de que pessoas que “ganham” os leilões tendem a pagar mais pelo o que for que estejam comprando.

Essa maldição do vencedor pode acontecer de duas formas: Pagando mais por algo do que realmente vale, ou comprando algo que se mostra bem menos valioso do que você pensou quando decidiu pagar por isso. Segundo Thaler, quando a maldição do vencedor acontece, é provado que os leiloeiros não estão se comportando racionalmente.

Ele explica que a maldição do vencedor acontece com frequência porque as pessoas tendem a cometer erros quando tentam decidir no que dar um lance. Grandes grupos de leiloeiros também acabam encorajando que outras pessoas dêem lances mais agressivamente, levando um item a um preço muito mais alto que o real, tornando menos provável que o “vencedor” esteja fazendo um bom negócio.

2. Você acha que as suas coisas são mais valiosas do que elas são

Outra ideia que Thaler ajudou a popularizar foi algo chamado de “efeito doação”, que é uma outra forma de dizer que as pessoas tendem a supervalorizar suas próprias coisas, sendo o resto mais do mesmo.

Em um experimento muito citado, Thaler selecionou um grupo de estudantes de economia e, para a metade deles, deu canecas de café da faculdade, instruindo-os a atribuir um valor aos itens. Aqueles que tinham uma caneca acreditaram que essas eram mais valiosas do que aqueles que não as tinham.

A razão disso deve ter a ver com algo conhecido como aversão à perda, que consiste nas pessoas superestimarem a dor de perder alguma coisa e não darem valor ao prazer em adquirir aquilo. Em um de seus artigos, o efeito doação é usado para explicar o porquê de, ao revelar fotos, tão poucas pessoas pedem reembolso daquelas que saem com má qualidade.

3. Planejar o futuro vale a pena

Um dos grandes motivos para o comitê dar o Prêmio Nobel a Thaler foi o seu trabalho sobre o autocontrole. Todos sabem que devem poupar para a aposentadoria, porém poucas pessoas realmente guardam dinheiro – e o motivo é que as pessoas têm dificuldade de equilibrar planos a longo prazo com as necessidades e tentações do dia a dia.

A estrutura do trabalho de Thaler para analisar essa tensão é chamada de modelo do planejador-executor, e é muito usada por psicólogos e neurocientistas. Essa dificuldade explica o porquê de tantas pessoas ainda optarem por sempre tomar aquele cafezinho pela manhã, ainda que pudessem economizar muito dinheiro se deixassem o cafezinho de lado.

Essa simples descoberta abriu o caminho para uma das formas mais infalíveis de economizar dinheiro: tome cinco minutos agora e automatize os seus depósitos bancários.

4. É preciso prestar atenção aos caminhos invisíveis que orientam as suas tomadas de decisão

A previdência social é exemplo de algo que Thaler e um de seus parceiros de pesquisa, Cass Sunstein, chamam de um pequeno “empurrão” para o processo que leva a uma melhoria substancial. Por isso, as políticas públicas têm buscado novas formas de direcionar as pessoas a tomarem melhores decisões de longo prazo.

Um ponto interessante é que esses estudos de Thaler, sobre a previdência social, são tidos como responsáveis pela implementação do almoço gratuito nas escolas. Atualmente, um plano similar está em andamento nas escolas públicas de Nova York e deve atender cerca de 200 mil crianças.

5. Você exagera com más notícias – e subestima as boas.

Não é de se surpreender que as ideias de Thaler também influenciaram nas estratégias de investimentos. O vencedor do Prêmio Nobel aconselha que se escolha um investimento nas ações da bolsa de valores aplicando esses princípios: as pessoas tendem a exagerar as más notícias e subestimar as boas. Isso acaba influenciando o comportamento de quem investe na hora de determinar quais ações vender e quais comprar.

De acordo com a Bloomberg, um fundo criado por Thaler gerencia cerca de US$ 6 bilhões, um resultado relativamente positivo, tendo em vista que garante retorno de cerca de 16% ano – taxa melhor do que 97% de seus colegas.

Texto originalmente publicado no MIC.

Fotos: Chatham House e Shutterstock.

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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