A “brincadeira” que custou alguns bilhões

A “brincadeira” que custou alguns bilhões

Quem anda de olho nas notícias sobre tecnologia deve ter lido esses dias que o famoso Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, comprou o serviço de mensagens instantâneas WhatsApp por nada menos que US$ 19 bilhões (US$ 16 bi na compra e US$ 3 bi em ações para os empregados do aplicativo).

Até ai, tudo bem. É só mais uma notícia de um acordo bilionário. Algo que não faz parte da realidade de todo mundo, mas que acontece todo dia. Mas os bastidores dessa história trazem uma excelente reflexão para quem é empreendedora.

Por trás da compra do WhatsApp está uma grande lição sobre o que conhecemos como “Lei do Retorno”, ou “Lei de Causa e Efeito”. Em outras palavras, tudo que fazemos para o outro, seja bom ou ruim, volta de alguma maneira.

Recordando o passado

Segundo informações do portal de notícias Business Insider, tudo começa há cerca de dez anos. Mark Zuckerberg, que hoje pode ser considerado um CEO maduro, tinha um comportamento não muito louvável. Detalhes como um cartão de negócios com os dizeres “I’m CEO…Bitch!” eram uma demonstração da personalidade arrogante que o rapaz costumava ter.

Por volta de 2004, Zuckerberg resolveu fazer uma brincadeira de mau gosto com uma empresa que investe em capital de risco, a Sequoia Capital. Naquela época, ele ainda não sabia ao certo se queria continuar à frente do Facebook para sempre, então veio a ideia de criar uma nova start-up, a Wirehog, que ele acreditava que seria um sucesso ainda maior que o Facebook.

Sendo assim, ele começou a fazer contato com investidores de risco sobre a nova ideia. Ao saber da notícia, a Sequoia Capital foi atrás de Zuckerberg. O problema é que logo de cara o fundador do Facebook já enxergou a Sequoia como carta fora do baralho. Tudo porque, no passado, a empresa havia investido na plataforma Plaxo, criada pelo co-fundador do extinto Napster, Sean Parker, e os negócios não deram certo. Zuckerberg, por sua vez, era amigo de Parker e inclusive o contratou para a equipe do Facebook (amizade que é narrada no filme A Rede Social).

Mesmo sabendo que já estava decidido a não aceitar o dinheiro que a Sequoia Capital tinha a oferecer, Zuckerberg aceitou participar de uma reunião com eles, somente pela vontade de “pregar uma peça” na empresa. Pois bem, o rapaz chegou atrasado para a reunião agendada para às 8h da manhã, vestindo pijamas e, ainda não satisfeito, abriu aos investidores uma apresentação de Power Point intitulada de “Dez razões para vocês não investirem”.

Entre os “argumentos” apontados por Zuckerberg estavam:

– Não temos nenhuma receita

– Nós provavelmente seremos processados pela indústria da música

– Nós chegamos em seu escritório atrasados e usando pijamas

– Sean Parker está envolvido

– Nós só estamos aqui porque um sócio da Sequoia (de nome não revelado) nos disse para vir

Depois de uma dessas, obviamente a investidora desistiu de aplicar dinheiro no projeto da Wirehog, também nunca investiu no Facebook.

Publicamente, os sinais de arrependimento pela brincadeira apareceram somente em 2010. Durante uma entrevista, Zuckerberg teria dito que reconhecia que havia ofendido os investidores com a brincadeira de mau gosto e que sentia-se mal a respeito do episódio.

Bom, nesta semana Zuckerberg teve a oportunidade de “reparar o erro”, mas custou caro! A compra bilionária do WhatsApp, como já dissemos, beira os US$ 19 bilhões. E a única investidora de risco que apostou no aplicativo e que detém 40% da companhia é nada menos que a Sequoia Capital!

A empresa que foi alvo da “zoação” de Zuckerberg agora leva dele cerca de US$ 6,4 bilhões pela compra do WhatsApp.

Facebook Holds Its Fourth f8 Developer Conference/reprodução internet

A lição

Como bem dizem nossos pais, “um dia é da caça, o outro do caçador”. A vida mostrou a Zuckerberg, no momento certo, que ele havia desdenhado de uma parceria com enorme potencial.

A brincadeira infeliz – por um motivo igualmente infeliz – resultou em uma “reparação” que custou bem caro. No mundo dos negócios, a partir do momento em que uma pessoa torna-se bem-sucedida, é comum vermos comportamentos cheios de arrogância e vaidade.

O caso acima envolve não só muito dinheiro, mas grandes corporações. Mas o enredo pode acontecer na vida de qualquer uma de nós. Não é preciso nem reforçar que a vida sempre se encarrega de colocar tudo em seu devido lugar, o exemplo acima é uma prova disso. Sendo assim, independente de quais sejam os seus motivos, pense duas vezes antes de tomar uma atitude precipitada ou usar palavras mal colocadas diante de um possível cliente ou parceiro. Afinal de contas, ninguém é capaz de prever as voltas que o mundo dá…

 

 

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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