A economia imprevisível e a cartomante de mil faces

A economia imprevisível e a cartomante de mil faces

Olá, meninas! Na coluna Em $uma de hoje, a jornalista Naiara Bertão mostra de um jeito bem prático o que acontece quando instituições tentam prever o que vai acontecer no cenário econômico. 

Bom dia, pessoal.

Vocês já quiseram saber de seu futuro alguma vez? Eu já e resolvi pagar uma visita a uma taróloga que todas as minhas amigas já tinham ido. Saí de lá com a cabeça explodindo de tantas observações sobre coisas que iriam acontecer. Sempre fui muito cética com relação a isso, mas estava em um momento turbulento em que precisava de alguma ideia do que poderia vir pela frente. O problema é que, ansiosa como eu sou, fiquei meses procurando por detalhes, mínimos que fossem, que pudessem comprovar aquilo que a mulher havia me dito. A ansiedade e o estresse que aquela visita me gerou não valeram o esforço. Além de, claro, muita coisa que ela disse não ter acontecido.

Assim como nós, às vezes, precisamos ter previsibilidade para tomar nossas decisões diárias, o mercado também trabalha com projeções para tomar decisões financeiras. Uma empresa precisa entender se vai ter demanda futura para seu produto para decidir se vai produzir mais ou não. Ou se terá de cortar gastos ou não. Ou ainda se vai contratar ou demitir. Tudo isso gera a tal expectativa que analistas, economistas e consultores tentam prever.

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Na semana passada saíram, por exemplo, quatro indicadores sobre o mesmo assunto: previsão para o crescimento econômico do Brasil.

O primeiro deles foi o Focus, o relatório que o Banco Central divulga semanalmente com a mediana das estimativas de dezenas de economistas de instituições financeiras. Agora, a expectativa é que o PIB (Produto Interno Bruto) recue 1,01% neste ano e cresça apenas 1% em 2016.

O segundo foi a previsão para baixo da estimativa do FMI (Fundo Monetário Internacional). A instituição espera retração de 1% do PIB brasileiro em 2015 (a previsão anterior era de crescimento de 0,3%) e avanço de apenas 0,9% no ano que vem.

Já o Banco Mundial, o terceiro deles, vê queda de 0,7% em 2015. Entre os 31 países avaliados, o desempenho do Brasil só vai ficar melhor do que o da Venezuela, se a projeção se confirmar. Para a Argentina, por exemplo, espera-se contração de 0,4%.

Por fim, o quarto foi o IBC-Br. O nome é estranho, mas ele nada mais é do que um sinalizador do PIB, só que mensal – o IBGE só divulga PIB anual. O dado que saiu na semana passada foi de fevereiro. Naquele mês, o PIB teria caído, segundo estimativa do Banco Central, 0,86% ante o mesmo mês de 2014. No primeiro bimestre do ano, a retração foi de 1,10%.

cartomante

Coincidentemente esses quatro calharam de serem divulgados em uma mesma semana, mas existem inúmeros outros. A OCDE, por exemplo, é uma organização que sempre divulga previsões de PIBs para os países membros e parceiros emergentes. Os bancos internacionais e brasileiros também revisam periodicamente suas previsões. Cada um com seu baralho de tarô (critério/metodologia), mas todos observam as mesmas variáveis, o tal ambiente.

Mas não é apenas em nós que a previsão do futuro pode gerar ansiedade. O mercado também sofre do mal da previsibilidade. É por isso que qualquer resultado oficial que venha diferente – acima ou abaixo do esperado – mexe com a bolsa de valores e com as planilhas dos analistas.

Previsões são importantes, mas não definitivas. Às vezes eu sinto que falta um pouco da velha e boa intuição. Alguns sabem bem, outros ficam a mercê de números e cálculos. No fim, ninguém sabe o que virá. Economia é como uma cartomante de mil faces, que tenta prever não só o PIB, mas todos os outros indicadores que tanto bagunçam as cabeças dos gestores.

Para esta semana, temos:

Feriadão!!!!
23/04 (quarta): Nota mensal do Setor externo, do Banco Central
25/04 (sexta): Nota mensal de Política Monetária, também do Banco Central

Boa semana, pessoal!

Crédito das fotos: Shutterstock

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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