A publicitária que montou uma agência com R$ 3 mil

A publicitária que montou uma agência com R$ 3 mil

Quando compôs “O juízo final”, Nelson Cavaquinho acreditava que o sol voltaria a brilhar mais uma vez e que a luz chegaria aos corações. Em momentos de dificuldade, pouca gente consegue ter esse espírito esperançoso. A publicitária Andressa de Almeida com certeza tem. Aos 32 anos, ela é proprietária de uma agência de marketing que fundou com a ajuda de uma amiga, com aproximadamente R$ 3 mil. Já deixou um emprego para fazer especializações fora do país, mesmo sem ter dinheiro no bolso para bancar o plano.

Chegou em Nova York em plena recessão americana e enfrentou a crise de peito aberto para conquistar o que queria. Voltou ao Brasil e ai foi a vez de encarar a crise financeira pessoal! Tinha o desafio de dar um novo rumo para a carreira e quitar uma dívida de R$ 30 mil.

À base de muitos tropeços, noites mal dormidas e perrengues, ela hoje se considera uma pessoa feliz e carrega consigo o trunfo de ter conseguido fazer tudo que sonhou até hoje. Histórias inspiradoras sempre alegram o nosso dia, então é sobre a trajetória de Andressa que vamos falar agora!

As incertezas do começo da carreira

Os primeiros passos como publicitária foram dados em agências, começou como estagiária e posteriormente tornou-se gerente de produto. Sabia desde o começo que tinha um forte interesse por planejamento e organização de eventos, mas sentia que queria fazer algo a mais, só não sabia ainda ao certo o que era.

Em 2008, enquanto cuidava de um projeto com uma empresa estrangeira para o lançamento de uma nova bebida no Brasil, estourou a grande crise dos Estados Unidos e o trabalho que ela cuidava ficou em stand-by. “Eu comecei a ganhar dinheiro para ficar em casa, porque o projeto estava parado. Aquilo me incomodava e eu resolvi pedir demissão para fazer algumas especializações nos Estados Unidos”, conta.

O dinheiro que tinha na conta bancária era o suficiente apenas para a compra da passagem. Conseguiu um pouco a mais vendendo um plano caro de academia que havia ganhado. Era isso, malas feitas, muita coragem e desembarcou em Nova York.

“Uma amiga minha ganhou muito dinheiro trabalhando em chapelarias e eu imaginava que dava para fazer o mesmo. Mas com a crise, os empregos foram por água abaixo. As pessoas saiam muito menos e não davam mais gorjeta. Comecei a trabalhar em um café, mas não ganhava nem um décimo do que eu gostaria”.

Para conseguir o dinheiro que precisava para manter-se e pagar as especializações, trabalhou em mais de um emprego, até que conseguiu o que precisava. Estudou estratégia de marca e varejo de moda. Com as especializações concluídas, era hora de voltar ao Brasil.

 

De volta a terra natal

Depois de oito meses fora cuidando das especializações, ela ainda não tinha certeza do que queria fazer, mas não lhe agradava a ideia de voltar a trabalhar para os outros. Fez alguns freelas de planejamento para amigos e começou a perceber que não era um bicho de sete cabeças montar a própria empresa.

Começou a vender patrocínios e em uma venda conseguiu ganhar o que normalmente levava um ano para conseguir. O acontecimento fez surgir uma ideia, ela queria juntar as habilidades que tinha com persuasão para venda e a capacidade de ligar as pessoas. “Eu vi que não dava mais para fazer publicidade do jeito tradicional, era preciso entender mais sobre relacionamento. Daí eu tive a ideia de aproximar marcas que tivessem interesses comuns e elaborar projetos que favorecessem os dois lados”.

O dinheiro que ela havia ganhando com a venda de patrocínios foi suficiente para lhe dar mais tranquilidade quanto à quitação da dívida bancária de aproximadamente R$ 30 mil. Além disso, uma amiga que trabalhava com moda topou trabalhar em parceria para abertura da agência Tricot. Somando o capital das duas, a empresa foi aberta com aproximadamente R$ 3 mil.

Andressa de Almeida/arquivo pessoal

Os sufocos

“Nunca foi fácil. Abri a Tricot em dezembro de 2009 e só fui receber a primeira grana em maio de 2010. Tem 4 anos e meio que estou fazendo isso, e foram pelo menos 3 deles de muito sufoco e persistência. Minha amiga não aguentou essa montanha russa e acabou saindo da sociedade há cerca de dois anos”, relata.

Entre os fatores que contribuíram para os períodos de aperto financeiro, ela cita a falta de experiência administrativa. “Eu não sabia cobrar, não trabalhava fazendo contratos e não entendia que o dinheiro da empresa não era o nosso dinheiro, a gente misturava tudo. Eu tive que aprender a jogar com o time em campo, aprendi errando mesmo”. Hoje, além de trabalhar sem cometer os mesmos erros do passado, ela conta que está fazendo um curso de coaching e dá a receita para ter persistido com o sonho.

“Diante de uma crise a gente não pode entrar em desespero, é preciso ter frieza e saber contornar com criatividade. Eu amo o que faço e preocupo sempre com a qualidade da entrega do meu produto, o dinheiro é consequência”.

Depois da tempestade, ela vive hoje um outro momento. As reuniões que antes eram feitas no hall de entrada do prédio de uma amiga, agora são realizadas em um escritório próprio. Se no início ela fazia um esforço imenso para elaborar projetos e oferecer a empresas, agora a agência é que vem sendo procurada por marcas que querem se destacar. Entre os clientes, estão a linha de beleza da Phillips, a Sunglass Hut e a Hope Lingerie, fora outros projetos em andamento.

A história dela é o exemplo clássico de que as dificuldades enfrentadas na vida acabam contribuindo de uma forma positiva no futuro. Se você anda desanimada por enfrentar uma fase ruim, recupere a calma e saiba que a solução existe, basta você ter paciência para busca-la!

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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