Após o IR, o Tesouro Direto ainda compensa contra a poupança?

Após o IR, o Tesouro Direto ainda compensa contra a poupança?

Minha dúvida é sobre a tributação (IR) sobre investimentos no Tesouro Direto. Sempre se fala sobre o quanto mais esses títulos rendem com relação à poupança, mas não vejo ninguém lembrar que o $$ do Tesouro direto sofre uma diminuição por causa do imposto que não incide sobre o investimento em poupança. Eu fiz uma simulação para um investimento de um ano e o Tesouro Direto não parece ser tão mais rentável assim ainda mais somando o fato de que ele sofre tributação, e a poupança não. Pode me ajudar?

Priscila

Priscila, você tem toda razão: quando comparamos a rentabilidade de dois investimentos em renda fixa em apenas um ano, a diferença é mínima. O problema está em olhar o rendimento dos seus investimentos no curto prazo. Quando você tem pouco tempo para fazer o dinheiro render, geralmente a poupança é mesmo a melhor solução: não há cobrança de IR e é muito mais simples. No entanto, quando olhamos para um horizonte de tempo maior, esta diferença de desempenho entre os seus investimentos pode ficar enorme.

Veja aqui um exemplo:

Se você investir R$ 1.000 na poupança por apenas um ano, você terá ao final deste prazo R$ 1.064, livres de IR. Se aplicar este mesmo valor no Tesouro Direto Selic, terá R$ 1.094 antes de pagar impostos. Após a mordida do leão, ficará com R$ 1.077. Realmente, são apenas R$ 13 de diferença da poupança.

No entanto, se você ficar 10 anos na poupança, juntará ao longo deste tempo R$ 1.863. Por outro lado, se você tivesse aplicado Tesouro Direto, teria juntado R$ 2.473 brutos. Após a cobrança do IR, teria ficado com R$ 2.252. São R$ 389 de diferença.

Se você estiver pensando em usar este investimento para o longuíssimo prazo – digamos, 30 anos -, a diferença é chocante: na poupança, você teria R$ 6.469. No Tesouro Direto, R$ 15.137 brutos e R$ 13.016 líquidos: mais do que o dobro do que na boa e velha caderneta de poupança.

(Esta simulação não considera o impacto da inflação).

Por isso, Priscila, na hora de decidir um investimento, você precisa sempre considerar o prazo. No curto prazo, a diferença entre o Tesouro Direto é pequena. No longo prazo, ela se torna algo importante.

Na hora em que for escolher um investimento, procure sempre saber qual será a rentabilidade líquida acumulada – quanto ele vai render ao longo do tempo, após os impostos.

Boa sorte e bons investimentos!

Fotos: Shutterstock e GIPHY

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Carol Sandler

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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