Aprenda a calcular o custo-benefício das roupas que você compra

Aprenda a calcular o custo-benefício das roupas que você compra

*Carolina Camocardi

Quando vamos comprar um imóvel nos preocupamos com o custo-benefício, ou seja, em saber quantos anos pretendemos morar ali e quanto pagaremos por isso. Mas você já parou para pensar quanto dinheiro se perde por não fazermos o mesmo raciocínio com outros itens de consumo, como roupas?

Quando falamos de durabilidade do produto, entram alguns itens ligados à compra consciente: que é ter um olhar apurado sobre o objeto de desejo e a análise sobre a real necessidade dele.

Muitas pesquisas apontam que o consumidor brasileiro está preocupado em pesquisar preços. Isso está diretamente ligado ao crescimento das “fast fashions” nacionais e importadas que lotam araras com deliciosas tendências. Basta uma passeada por qualquer uma delas para se imaginar como uma “it girl”ou celebridade de Hollywood.

Quando li a pesquisa da consultoria McKinsey sobre o aumento do consumo, tomei um susto. No período entre 2000 e 2014, o número de peças compradas durante o ano aumentou 60%. Isso quer dizer que nós estamos comprando 60% a mais de roupas a cada ano. E não para por aí: o tempo que ficamos com elas caiu pela metade. Ou seja, compramos muito e nos desfazemos rápido demais.

O efeito colateral disso é o desperdício de dinheiro. Sim, estamos jogando nosso dinheiro no lixo e com ele, nosso tempo, nossa autoestima e nosso valor. A indústria do “feito para durar pouco” cria um impacto muito negativo.

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Vale a pena comprar essa roupa?

É preciso criar hábitos saudáveis de consumo e entender a mecânica da matemática financeira da moda.

1 – Já ouviu o barato que sai caro? Essa é a peça que comprou na “oportunidade imperdível” e esgarçou na primeira lavada. Cuidado com as promoções, principalmente as muito baixas, porque não existe milagre no comércio. Muitas peças podem ter defeitos que você só descobre ao chegar em casa. Quem nunca colocou a peça e percebeu que a costura que era lateral vem parar na barriga? As vezes isso acontece após a lavagem. Problema de modelagem ou tecido de má qualidade. Então anote a regra de ouro: desejou algo, observe com olhar crítico. Observe tecido, costuras, caimento, prove e preste atenção na modelagem. Um tecido de boa qualidade tem durabilidade mais alta e provavelmente será mais caro.

2 – Assim chegamos no ciclo de vida do produto. Se ele dura mais, você vai usar mais. Lógico que já estou levando em conta que não é uma compra por impulso e você já sabe no que tem que investir. Se ainda tem dúvida, comece com uma bela organização no armário e entenda o seu estilo. Agora ficou fácil, basta dividir o valor da peça que está comprando por quantidade de uso.

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Complicou? Vamos a um exemplo:

Se um casaco de lã, com durabilidade alta custou R$ 400 e você o usou 20 vezes nos últimos anos, quer dizer que ele custou R$ 20 reais para cada vez que utilizou. E o melhor, quanto mais você usar, mais barato ele ficará. Agora, aquela blusinha de R$ 29 que está parada no armário, ainda com etiqueta, ficou cara, não é mesmo?

Fácil criar um estilo sustentável de vida e consumo consciente. Então lembre: matenha o olhar crítico, analise bem todos aspectos como se fosse um imóvel, pois você vai morar dentro daquela roupa por um dia inteiro. Leve em conta a durabilidade do produto e por quanto tempo ele ficará na sua vida, como se fosse um compromisso, afinal, não precisamos de um armário lotado de coisas que não usamos, ocupando espaço físico, gerando culpa por compras indevidas e desperdiçando nosso rico dinheirinho.

*Carolina Camocardi é personal stylist e trabalha com o conceito da imagem consciente. Desenvolve consultorias personalizadas com foco no autoconhecimento da própria imagem, desconstrução de paradigmas e reorganização visual e conceitos. 

Fotos: Shutterstock

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