Aprenda a educar seus filhos com recursos simples

Aprenda a educar seus filhos com recursos simples

*Priscila Lambach

O trabalho como administradora de empresas em uma consultoria me satisfazia, até que eu recebi um convite inusitado de uma colega de faculdade: ela me chamou para ser professora voluntária no Programa Escola da Família, do Governo estadual de São Paulo. Ela disse que eu tinha o perfil ideal e como adoro desafios, topei imediatamente.

Vontade de fazer um bom trabalho não me faltava. Antes de começar a dar aulas, passei semanas planejando, colhendo informações, separando material. Montei uma pasta enorme, cheia de informações. Em meu primeiro dia, segui a caminho da escola como se fosse a pessoa mais poderosa do mundo. Em algumas horas seria professora e isso me trouxe brilho nos olhos, palpitou meu coração.

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Os muros da escola eram altos e bem cuidados. Quando passei porta adentro, percebi que a estrutura não era tão boa assim. As salas de aula eram desorganizadas, vi cadeados por toda parte e um mimeógrafo sobre a mesa.

A cada sábado eu tinha uma novo aprendizado. Os alunos me alertavam para não ligar o ventilador, já que havia o risco de ser eletrocutada. O sistema de som da sala era uma quantidade enorme de pombos que arrulhavam no teto sem parar. Quando chovia, as poças d’água dentro da sala eram tão grandes que eu andava nas pontas dos pés. Muitas vezes cheguei lá e a escola havia sido roubada. Além disso, por mais de uma vez me escoltaram até o metrô para me protegerem de brigas de gangues.

Aprendi muito durante os quatro anos que frequentei essa escola. Entendi que era possível ensinar, aprender, crescer e se desenvolver também em circunstâncias adversas. Minha realidade profissional mudou há alguns anos, mas a bagagem segue comigo. Essa experiência me fez cursar Pedagogia e seguir a carreira com todo amor do mundo.

Acredito que os percalços que enfrentei no início me possibilitaram ser mais criativa mesmo com poucos recursos disponíveis. Tenho certeza de que podemos trabalhar com as crianças com materiais de baixo custo e obter um maravilhoso resultado. Quantas vezes vemos os pequenos se divertindo mais com um rolo de papel toalha do que um brinquedo que custou caro? Podemos ser inventivas, produtivas e sensíveis, criando situações interessantes para entreter nossos filhos com muito pouco – ou quase nada.

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Como podemos usar o que temos para auxiliar o desenvolvimento dos pequenos?

Em primeiro lugar, é preciso prestar mais atenção ao que está à nossa volta. É necessário compreender que tudo que nos cerca pode ser colocado ao nosso serviço. Podemos aprender com os objetos, com a natureza, com o que vemos, com quem interagimos – o mundo é um grande professor. Dizem que as crianças são como esponjas e absorvem tudo o que veem e ouvem.

Muitos estudiosos classificam os aprendizados em diferentes grupos, desenvolvemos muitas habilidades ao longo da vida. Elas são cognitivas, emocionais, sociais, afetivas, motoras, entre outras. A divisão é didática, porém, podemos pensar sempre em um ser que integra tudo isso.

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Um aprendizado que começa cedo é o das cores. O mundo se torna colorido para os bebês a partir dos três meses – apesar deles começarem a nomear as cores por volta dos 3 anos. Podemos destacar para elas as cores do mundo, suas semelhanças e contrastes, luzes e sombras. Esse é um aprendizado importante e que pode ser ensinado dentro de casa, antes mesmo dele (a) ir para a escola. E o melhor: você não precisa comprar nada. Que tal começar pelas cores primárias?

Pegue três caixas e coloque etiquetas com as três cores primárias: vermelho, azul e amarelo. Em seguida, separe alguns objetos de casa de acordo com suas cores. Dentro das caixas, você pode ter peças de roupa, materiais escolares, objetos de decoração, toalhas, brinquedos, acessórios, papeis, enfim, tudo o que encontrar.

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Com os kits prontos, é hora de explorá-los. Você pode brincar cada dia com uma cor, misturar duas, depois misturar três, assim por diante. Quando estiver com tudo misturado, é legal pedir para a criança separar qual pertence a cada grupo. De acordo com o desenrolar da atividade, vá introduzindo outras cores. O verde é encantador, pois há inúmeros elementos da natureza que podem integrar a caixa. Inclua na atividade um passeio pelo jardim ou pelo parque público mais perto de casa.

Se o processo de educação da criança for em mais de uma língua, por que não nomeá-la em diversos idiomas?  O momento da refeição também é um prato cheio para ensinar aos pequenos. Pergunte a cor do brócolis, da beterraba, da banana, entre outros. Saber as cores é importante para o desenvolvimento de noções estéticas, artísticas, criativas; além de trabalhar o cognitivo, com o reconhecimento, classificação e memória. São informações simples e válidas para toda a vida.

Porém, lembre-se de que não só de brincadeiras dirigidas se dá o desenvolvimento de uma criança. Ela precisa, e muito, ter tempo para ser 100% ela mesma, 100% criança. Deixe que ela explore o ambiente e se divirta livremente, isso é essencial. Afinal, a gente pode ensinar cada cor em sua nuance e matiz, mas juntas elas formam lindas outras cores que combinam com o mundo – um grande e incrível arco-íris.

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Fotos: shutterstock

*Graduada em Pedagogia e Administração de Empresas, com mestrado em Psicologia da Educação, todos pela PUC/SP, Priscila Lambach tem formações no Brasil e exterior (Universidade de Barcelona), e apresentou trabalhos em congressos internacionais e nacionais. É mediadora, conciliadora e gestora de conflitos, capacitada pelo Instituto dos Advogados de São Paulo.

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