Blue Jasmine: qual o peso de uma crise financeira?

Blue Jasmine: qual o peso de uma crise financeira?

Qual seria sua reação se, da noite para o dia, todo seu dinheiro desaparecesse? Mais além, se você vivesse uma vida de luxo ao lado de um milionário, qual seria sua percepção de realidade? Todos esses questionamentos não fazem sentido para você? Então experimente assistir “Blue Jasmine“, novo filme do aclamado diretor Woody Allen, responsável por render à atriz Cate Blanchett – que interpreta a personagem principal – o prêmio de melhor atriz no Globo de Ouro. A musa foi indicada ainda ao oscar de melhor atriz e o filme também concorre na categoria de melhor roteiro original.

Com muita inteligência e ironia, o diretor trata de maneira satírica o mundo fantasioso que é construído junto ao dinheiro. Mais além, abre espaço para os questionamentos que acabamos de citar. As admiradoras de Allen podem inclusive fazer certa associação da personagem de Cate Blanchett com o jornalista Lee Simon (Keneth Branagh), protagonista de “Celebridades” (1998). Os personagens são o retrato de uma discussão comum nos dois filmes do diretor: a superficialidade.

A atriz dá vida à esnobe Jasmine, mulher que casou-se com o milionário Hal (Alec Baldwin) e passou a levar uma vida de princesa, com todo o luxo e status de uma socialite. O patrimônio, no entanto, é construído à base de trapaças e o dinheiro é confiscado pelo governo dos Estados Unidos. A reviravolta faz com que Jasmine veja-se obrigada a morar de favor com a irmã Ginger (Sally Hawkins), que leva uma vida suburbana em São Francisco, bem distante do glamour que tinha em Nova York.

A primeira discussão, que aparece logo no início do filme, é sobre o descaso da protagonista em prestar atenção na administração da vida financeira do casal. Preocupada em organizar festas para outras socialites, fazer aulas de yôga e pilates, ela deixa de lado qualquer questão referente à origem do dinheiro que usufrui e também sobre a gestão do mesmo, limitando-se a apenas assinar tudo que o companheiro coloca em suas mãos. Subentende-se que ela é laranja do marido e, por pouco, escapou de ser indiciada pela polícia. Como a irmã bem descreve, quando não quer saber de algo, Jasmine “olha para o outro lado”.

E o “olhar para o outro lado” não limita-se apenas à vida financeira. Hal não faz muito esforço para manter a imagem de bom marido e, por várias vezes, dá brecha para que a mulher descubra suas puladas de cerca. Em alguns momentos, ela tenta reações a respeito do assunto, mas é facilmente dissuadida diante de algum “mimo”, como uma joia bem extravagante.

s_bukley / Shutterstock.com

Cate Blanchett ganhou o globo de ouro de melhor atriz por “Blue Jasmine”

É interessante perceber a intenção do diretor em mostrar a personalidade superficial de Jasmine e as consequências de sua futilidade de diversas formas. Uma delas é o desprezo com que trata a irmã pobre, menosprezando seus namorados e seu estilo de vida, mesmo estando falida e dependendo dela.

Por fim, o belo rosto de Cate Blanchett e o figurino sofisticado de uma socialite de extremo bom gosto acabam ficando em segundo plano diante de sua amargura, depressão e surtos que a fazem falar sozinha em público, tudo isso como reflexo de sua incapacidade de lidar de forma realista com a mudança de padrões financeiros. A musa de Allen é complexa, perturbada, têm valores completamente distorcidos em função do dinheiro e mostra-se incapaz de colocar os pés no chão.

Cate Blanchett em Blue Jasmine

“Blue Jasmine”, que pode ser interpretado em tradução literal como “Jasmine deprimida” é um retrato melancólico e ao mesmo tempo divertido das dificuldades do ser humano em enfrentar crises. Anotem ai, vale a pena pela diversão e mais ainda pela reflexão!

 

 

 

 

 

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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