Carreira: ela conta como chegou ao cargo mais alto da empresa

Carreira: ela conta como chegou ao cargo mais alto da empresa

Em dez anos de carreira na Admix, Rosana Lima se tornou CEO da consultoria de benefícios corporativos. Hoje, após a integração entre as empresas, ocupa o cargo de vice-presidente executiva na Aon Brasil. Seu percurso de crescimento profissional permanece inexplorado pela maioria das mulheres: segundo o International Business Report (IBR) – Women in Business de 2017, realizado pela Grant Thornton, apenas 16% dos cargos de presidência são ocupados por mulheres no Brasil. Conheça a sua história.

Mulheres e desafios

Depois de passar por empresas como Icatu, MetLife, Unibanco AIG e Notredame Intermédica, Rosana chegou a Admix já com um desafio em mãos. “Fui chamada para montar a área de Canais, ou seja, trabalhar em uma corretora de seguros, convencendo outros corretores – na verdade concorrentes – a distribuir por meio da Admix. Era algo que ninguém tinha feito.” Com o conhecimento acumulado em experiências passadas, começou a bater na porta dos corretores com a proposta. E deu certo: hoje são 1.200 atendidos.

Nesses dez anos, ela conheceu a empresa de todas as perspectivas: passou pelas áreas de estudos, implantação, projetos, pós-vendas e relacionamento, técnica, operacional, recursos humanos, planejamento financeiro e análise até, finalmente, chegar à presidência. Hoje, as novidades continuam a movê-la. “Me tornar CEO na Admix foi uma tarefa menos desafiadora do que virar vice-presidente na Aon, porque, na primeira, eu participei do processo de construção dos alicerces da empresa, foi um crescimento natural. O momento de hoje requer ainda mais tempo e dedicação.”

Para ela, entretanto, ter a carreira movida por desafios – muito mais do que por cargos – é uma característica feminina e foi essa noção que impulsionou as suas decisões. “Todas as escolhas que fiz foram pensando no que elas acrescentariam ao meu mapa pessoal e profissional, em termos de experiência e exposição, e do que eu poderia desenvolver dali pra frente.”

Mulheres e escolhas

Tradicionalmente ocupado por homens, o universo corporativo não é dos mais amigáveis às mulheres. À dificuldade de encontrar espaço e crescer profissionalmente, pode ser acrescentada a tão conhecida dupla jornada.

Com duas enteadas, de 20 e 18 anos, e três filhos, de 15, 11 e 2 anos, para Rosana, a maior dificuldade na carreira veio da necessidade de gerenciar o tempo. “Quando se é mãe, dona de casa e executiva, você tem que fazer escolhas e a maior delas, para mim, foi como lidar com isso tudo. Mas eu tenho a premissa de que qualidade é mais importante do que quantidade de tempo com os filhos, e foi assim que consegui balancear a vida familiar com a atenção à carreira.”

Buscar o seu encaixe no mundo corporativo foi o segundo ponto que precisou desenvolver. “Eu tive que me adequar para entender como caminhar e fazer a tradução para um ambiente masculino, mas continuar com os olhos brilhando pelos desafios.”

Para ela, entender as diferenças entre o comportamento de homens e mulheres foi um passo importante para encontrar o seu espaço nesse universo. “É preciso conservar a essência, ser o que é. Se você está em um ambiente majoritariamente masculino, você precisa procurar entender como eles pensam e buscar, com a habilidade que a mulher tem, construir relações que funcionem em prol do negócio.”

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Mulheres e liderança

A presença de mulheres em cargos de liderança diminui gradativamente conforme subimos a escala hierárquica das corporações. E quem conhece essa realidade de perto é Geovana Donella, membro do conselho de administração de empresas familiares, consultora especializada em governança corporativa e gestão de empresas, CEO e fundadora da DONELLA & PARTNERS.

Em conselhos de administração – grupo de pessoas destinadas a supervisionar e tomar decisões estratégicas para uma empresa – os números no Brasil são assustadoramente discrepantes. “Apenas 7% desses cargos são ocupados por mulheres e, se desconsideramos aquelas que também são acionistas da empresa, a porcentagem cai para 3%”, relata Geovana. Esse cenário acaba sendo a consequência da dificuldade feminina de ultrapassar o “teto de vidro”: como poucas chegam aos cargos de diretoras e presidentes, os conselhos ficam ainda mais inacessíveis.

Mesmo que lento – e ainda muito aquém do esperado -, entretanto, essa situação vem se transformando. O relatório da Grant Thornton, mostra, por exemplo, que a participação feminina entre as posições de presidência aumentou de 11% para 16% entre os anos de 2015 e 2016.

E parte disso ocorre por um motivo prático: muitos estudos já mostraram que a diversidade se converte em lucro, produtividade e resiliência às transformações. Uma pesquisa da Peterson Institute for International Economics, por exemplo, mostrou que o aumento para 30% de mulheres em posições de liderança pode ser associado a um crescimento de 15% na lucratividade. “Em todos os times que eu monto, eu procuro diversidade. O contraponto entre os perfis masculino e feminino é rico e ajuda o negócio”, coloca Rosana.

Na visão dela, enquanto o homem consegue tomar decisões mais pontuais, focadas e objetivas, a mulher ganha em amplitude, diversidade e subjetividade. “Eu acredito que o mercado de trabalho está avançando para acolher melhor as mulheres. Claro que há alguns segmentos que são restritivos, mas o próprio caminho do mundo coloca uma pressão natural para que essas mudanças aconteçam.”

Para que essa situação realmente se reverta, Geovana acredita que não só a conscientização seja necessária, mas o estabelecimento de políticas claras de incentivo à igualdade. “Precisamos cada vez mais de mulheres se preparando e lutando, mas também de medidas por parte do governo e das empresas para que consigamos chegar ao equilíbrio com mais velocidade”, defende.

7 dicas para – sobreviver e – crescer no mundo corporativo

Para quem pretende ultrapassar a barreira invisível da ascensão profissional, confira as orientações de Geovana.

1) Invista em preparação técnica

Estude e fortaleça sua técnica, para que não haja discussão sobre sua capacidade.

2) Inove

A inovação é uma característica essencial para quem deseja ocupar cargos de liderança.

3) Trabalhe com qualidade

Excelência é a regra para quem deseja crescer.

4) Ame o que faz

É possível encontrar felicidade e sucesso quando se está fazendo que gosta.

5) Permita-se errar

Todas as pessoas de sucesso cometeram erros, o importante é saber aceitar riscos e aprender com as falhas do passado.

6) Deixe a sua marca

Faça o seu melhor e mostre quem você é: para realmente deixar a sua marca em tudo o que produz.

7) Tenha confiança

Afaste os ruídos que não a deixam crescer, sejam eles internos ou externos. É importante ouvir o seu coração, suas vontades e ter confiança na sua capacidade.

 

Fotos: Acervo Pessoal e Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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