Cartão de crédito: como parar de usar é mais fácil do que parece

Cartão de crédito: como parar de usar é mais fácil do que parece

O cartão de crédito é um vilão em potencial para a saúde do bolso: segundo uma nova simulação do SPC Brasil, uma dívida não paga nessa modalidade pode se tornar 60% mais cara em apenas um ano – e, sim, até pessoas mais controladas estão sujeitas a isso.

Foi assim que Flávia Romeo, estagiária de marketing do Finanças Femininas – que se considera bem moderada quando o assunto é dinheiro –, quase acabou em uma enrascada. Por isso, depois de alguns deslizes, ela decidiu: não usaria mais o cartão de crédito.

“Desde criança minha mãe me ensinou a guardar 10% do que eu ganho, não comprometer mais do que 30% do salário em dívidas e sempre pagar à vista”, conta. Ela que administrava sua mesada, sempre guardando uma grande parcela, e os cuidados para gastar e guardar dinheiro continuaram quando começou a trabalhar.

Enrolada no cartão de crédito

Porém, quando dizemos que todos estão sujeitos a loucuras de consumo – e, por isso, todo cuidado é pouco –, não estamos brincando. Em junho de 2017, ela e sua mãe decidiram redecorar a sala. “A gente tinha uma reserva de dinheiro só para isso e sabíamos quanto iríamos gastar, mas na hora de comprar a gente se empolgou”, relembra.

O motivo? Uma liquidação na loja de móveis e decoração. “A gente começou a falar ‘nossa, isso aqui ficaria lindo no meu quarto’, ‘e isso aqui na cozinha?’ e, quando a gente viu, já tinha extrapolado com quadros, luminárias e até uma mesinha para o meu quarto”, confessa ela, que estava desempregada na época.

Hoje em dia, apesar de contar a situação em tom de brincadeira, ela fica arrepiada só de lembrar do sufoco que passou para sair da situação. “A fatura começou a vir alta demais e a gente viu onde poderia cortar gastos. Eu tenho muitas maquiagens e costumava gastar muito com isso, então, coloquei o pé no freio”, reconhece.

cartao-de-credito-como-cortar

Em outubro, Flávia entrou para a equipe do Finanças Femininas. Mesmo sem ter pagado todas as parcelas – que continua quitando até hoje – o fato de estar empregada acendeu novamente uma faísca de consumismo na estudante, que acabou se empolgando nas compras mais uma vez. “Não cheguei a ficar com o nome sujo, mas decidi que não dava mais.”

Foi quando ela desenvolveu um método de controle que, até agora, lhe parece bem efetivo: grifar em amarelo todos os itens supérfluos que aparecem na fatura do cartão de crédito. “Naquele mês vi que, de 15 compras, 10 eram desnecessárias. Fiquei surpresa, porque poderia ter economizado um dinheiro absurdo. Então, comecei a fazer isso todo mês”, diz.

Até dezembro, o número de compras supérfluas diminuiu tanto que ela garante que sua fatura ficou 70% mais barata, em comparação com junho, quando se excedeu na redecoração da casa.

Quando cortar o cartão de crédito virou realidade

Vendo toda a economia, Flávia concluiu que sua vida financeira seria muito mais saudável se ela fosse mais radical e deixasse o cartão de crédito de lado – exceto para emergências.

“Quando vi que tinha mais itens marcados em amarelo na minha fatura do que os não marcados, percebi que o cartão de crédito facilita muito a compra de coisas que eu não preciso. Se for usar só o débito, penso duas vezes antes de usar”, assume.

Outra tática é revisar a cesta de compras antes de ir para o caixa. “Já saí da loja sem nada, ou seja, não precisava gastar com nada daquilo. Vi que poderia guardar muito dinheiro que gastava com supérfluos para coisas melhores, como viagens e investimentos”, comenta.

Como parar de usar o cartão de crédito

Entretanto, ser mais radical pode ser necessário em diversos casos. De acordo com Carol Sandler, fundadora do Finanças Femininas e educadora financeira, a tática de deixar o cartão em casa é ótima para quem já precisou pagar o mínimo da fatura ou parcelá-la.

E nem precisamos falar quais são os perigos de se enrolar no cartão de crédito, não é mesmo? “Brinco que ele é como carro: se você souber usar, ele te leva de um lugar para outro. Mas, se não souber, vira uma arma na sua mão. Com ele, gastar mais do que se tem é uma possibilidade muito concreta. Usar o cartão sem controle e planejamento traz um risco muito alto.”

Por isso, Carol dá algumas dicas para diminuir o uso do cartão de crédito ou parar de usá-lo de vez:

  • Deixe-o em casa. “Só de não andar com o cartão de crédito você já deixa de entrar em uma loja pra dar ‘aquela olhadinha’. Você fica mais consciente sobre os gastos do dia a dia e as escolhas que toma”, defende;
  • se você não quiser abrir mão da facilidade e dos programas de pontos, o cartão pré-pago pode ser uma boa ferramenta;
  • para evitar situações constrangedoras de não ter dinheiro para bancar algo na urgência (como passagem de ônibus), a melhor arma é o planejamento financeiro. “O ideal é que você tenha previsto os gastos do mês, incluindo os essenciais, e um orçamento estabelecido para os supérfluos. Assim, você garante que não vai faltar dinheiro para fechar as contas.”

Flávia aprendeu tão bem a lição que já decidiu qual será o próximo passo: aderir ao Desafio 6 meses sem compras, mas em uma versão light, que dura apenas três meses. “Vou começar o detox de compras um dia depois do meu aniversário, pois quero iniciar esse novo ciclo renovada”, promete.

Veja todos os vídeos do Finanças Femininas sobre cartão de crédito:

Fotos: Fotolia

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

close