Como a inflação pode afetar você?

Como a inflação pode afetar você?

Apesar de o assunto parecer distante do seu universo, ele está muito mais próximo do que imagina. Sabe aquela compra no supermercado que você faz? Está diretamente ligada à inflação, só que você não sente isso de forma clara. A inflação come o seu poder de compra a cada mês – de tudo! Roupas, comida, lazer, viagens, etc. Tudo mesmo. Para você sentir o drama, saiba que a aposta da maioria dos analistas do mercado financeiro é de que a inflação vai acelerar ainda mais neste ano.

Ontem foi divulgada a taxa de inflação oficial do governo, o IPCA. O índice subiu 0,86% no mês e 6,15% nos últimos 12 meses. Este é um resultado considerado muito alto e visto como “desconfortável” pelo próprio governo. Para você entender, a meta de inflação no Brasil é de 4,5% – ou seja: estamos muito acima da meta desejada.

Sentiu a pressão agora? Vamos juntas entender e aprender a trabalhar bem com a inflação!

O que é inflação?
Segundo o nosso dicionário, a inflação é quando a média dos preços da economia sobe. Os produtos e serviços ficam mais caros e o seu dinheiro desvaloriza. É justamente por isso que você não pode de jeito nenhum deixar o seu dinheiro parado na conta – se ele rende todo mês, ele não perde valor, na comparação com a inflação. O problema acontece quando a taxa de inflação de um país começa a se acelerar demais e todo mundo começa a reagir, aumentando os preços nos restaurantes, supermercados, e assim por diante. A moeda perde rapidamente o valor e isso vira a famosa hiperinflação. Nós já passamos por isso aqui no Brasil e é exatamente o que está acontecendo na Agentina. No Brasil, só com o Plano Real que as preços conseguiram se estabilizar.

Como nos atinge?
A sensação fica clara quando vamos ao supermercado. Os preços dos produtos estão mais caros e o nosso salário continua o mesmo. Com os preços avançando, nós perdemos o poder de compra: precisamos de mais dinheiro para comprar aquilo que comprávamos no mês passado.

Neste momento, os alimentos estão sofrendo com um problema climático: as chuvas. Com isso, os valores ficam mais caros. Por exemplo: o tomate, cenoura e cebola sofreram uma alta grande, de quase metade do preço. Isso interfere diretamente no nosso bolso, reduzindo a quantidade de itens que podemos comprar com o mesmo dinheiro. Outros produtos que também subiram foram cigarro, passagem aérea, passagem de ônibus, aluguel de imóvel e o carro zero.

Para equilibrar isso, os cabeças da economia brasileira devem aumentar os juros, de acordo com a expectativa do mercado. Os juros são o principal instrumento do Banco Central para combater a inflação. Mas nós sentimos isso também na prática: quando compramos parcelado, dificilmente conferimos qual é o preço pago pelos juros. Se os juros sobem, muito provavelmente, vamos sentir isso no bolso, nos financiamentos e compras no cartão, por exemplo. Então, mais do que nunca, quando for parcelar, fique atenta aos juros. Confirme se não está pagando juros abusivos e bem altos. Assim sua vida financeira fica mais difícil ainda.

Os investimentos são afetados pela inflação?
Sim! Com a inflação mais alta, o retorno real trazido pelos seus investimentos diminui. Se você tinha uma aplicação que rendia 6% ao ano, por exemplo, na verdade, descontada a inflação, o seu rendimento fica de apenas 0,15% no ano!

Então se você tiver algum investimento, fique atenta à inflação para ver se no final do mês, você não está perdendo dinheiro. Isso além de diminuir o seu lucro em alguns investimentos, diminui o seu poder de compra. Para saber disso certinho, fique atenta à taxa de retorno. Veja se o seu investimento está rendendo mais do que a inflação para decidir se deve manter a sua estratégia ou procurar uma nova alternativa!

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Carol Sandler

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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