Como não gastar com roupas e acessórios na troca da estação

Como não gastar com roupas e acessórios na troca da estação

*Carolina Camocardi

Primavera-verão, outono-inverno, alto verão, alto inverno, lançamento… E assim os slogans das estações vão nos incentivando a fazer novas comprinhas de roupas e acessórios. Mas será que somos tão influenciáveis que precisamos mesmo de tudo novo a cada estação?

Se olharmos para as mídias e publicidades elas dirão: sim! Você tem que ter! Os famosos “must have” com uma lista infinita de itens a comprar. Mas se olhar para seu bolso, consciência e armário, provavelmente a resposta será outra.

Lembro que quando criança, minha mãe readequava o guarda-roupa duas vezes ao ano, seguindo as estações. Começava limpando tudo que não servia e depois caíamos nas compras com um orçamento pré-determinado. Chegava em casa cansada, lotada de sacolas, espalhava as peças no sofá, provava uma a uma e desfilava pela casa para todos verem. Era uma festa, um acontecimento. E a sensação de prazer durava. Marcou tanto que lembro como se fosse ontem.

Qual a diferença de hoje? Naquela época trocávamos o armário ao iniciar o inverno e o verão, não ficávamos comprando o tempo todo, por isso era realmente especial, um evento planejado. Hoje fazemos compras todo mês, alguns compram toda semana, outros, diariamente. As estações já não existem, nem a graça de comprar algo novo.

Então, voltando à pergunta: é preciso renovar o armário a cada estação? Não! O que falta não são roupas novas, e sim a estabilidade para não se entregar ao novo o tempo todo.

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“Esse ritual de transformar o objeto de desejo em necessidade é conhecido como neonecessidade. Em vez de dizer eu quero, o discurso é: eu preciso. Ou seja, o objeto que antes era uma escolha, agora torna-se necessidade”, comenta a psicanalista do Espaço Partager, especializada em compulsão, Alessandra Cejkinski.

Novas coleções podem ser perigosas

Além do impacto nas emoções, outro efeito colateral é na conta bancária.

A pior época para comprar é quando entra uma coleção. Você pode pensar ao contrário. Vou usar uma analogia fácil: imagine um bolo que acabou de sair do forno, aquele cheirinho delicioso. Qual a vontade? Sair correndo e comer o bolo inteiro. Se fizer, o que vai acontecer? Come o bolo só pelo cheiro, mas às vezes nem é bem o sabor que mais gosta, ou come quente e passa mal, come além do que deveria e se sente culpada. A nova coleção está vendendo bolo quente. A tendência já vem trabalhando para acharmos que necessitamos de algo que na verdade nem queremos. É importante analisar antes de sair comprando com a falsa crença de que está aproveitando o lançamento.

Outro efeito colateral é o impacto ao meio ambiente. “Quanto mais roupa se produz, mais água e energia se consome, gerando dióxido de carbono e contribuindo para o aquecimento global. A moda que muda a cada estação leva as pessoas a consumirem mais. O consumidor precisa ser educado para perceber a importância de sua contribuição na transformação da sociedade de consumo para a de bem-estar, fundada na satisfação pelo uso do produto e não por sua compra”, explica o presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, Helio Mattar.

Para conciliar emoções, finanças e bem-estar, é importante um planejamento do quanto gastar e no que investir, pensando na durabilidade e nas tendências que deve consumir, pensando em quem você realmente é.

*Carolina Camocardi é personal stylist e trabalha com o conceito da imagem consciente. Desenvolve consultorias personalizadas com foco no autoconhecimento da própria imagem, desconstrução de paradigmas e reorganização visual e conceitos. 

Fotos: Shutterstock

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