Como transformar compulsões consumistas em uma vida financeira equilibrada

Como transformar compulsões consumistas em uma vida financeira equilibrada

*Thais Roque Potomati

Sobre a descoberta de compulsões: “Preciso de um armário maior” – foi a primeira coisa que pensei quando comprei minha última calça jeans. Não cabe mais cabides, não cabe mais nada. Disse ao meu marido que precisaríamos nos mudar.

Sentei-me no chão e contei 22 calças jeans. Senti vergonha. Algumas delas, sem nenhum uso, estavam guardadas há anos. Outras nem me servem mais. Fiz as contas e pensei: “Nesse armário devem ter mais de R$ 5 mil em jeans”. E aí sim, quis chorar de verdade. Esse dinheiro viria em boa hora, eu estava precisando.

Desacreditei na quantidade de roupas que eu tinha. E quanto mais eu tentava converter tudo em dinheiro, mais me desesperava.

“Nossa Thaís, mas você achou que roupa era de graça?” Não, eu não achei isso. Mas não comprei tudo de uma vez. E quando somos as rainhas do parcelamento, dificilmente lemos R$ 300. O que eu leio é “por apenas 3 parcelas de R$ 100”. Essa diferença de percepção pesa demais na hora da decisão de compra.

Eu precisava parar de comprar. Eu precisava, de verdade, fazer uma limpa no meu armário. Mais do que isso, eu precisava mudar minha relação com o dinheiro.

Como uma boa ex-compulsiva alimentar, sempre dediquei meu foco à comida. Vivia tentando encontrar a cura para o comer emocional, sem nem notar que minha compulsão causava efeitos na minha vida financeira também.

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Agora mesmo, escrevendo esse texto, pensei em coisas que adoraria ter: um biquíni novo para passar o carnaval, tiaras lindas para fotos nos blocos de rua e um batom vermelho. Eu literalmente podia entrar em um site agora e comprar, sem ao menos pensar se eu podia pagar. Eu parcelo, é quase nada por mês. O prazer de comprar é inexplicável. O que é quase nada, quando somado a 10 parcelamentos, vira muito.

O consumo consciente, é algo novo para mim. Nunca entendi como ficava sempre sem dinheiro, e nunca tinha parado para pensar profundamente, até parar de comer emocionalmente. A partir daí, me atentei a um outro vício: o das compras.

Todo excesso, vem para preencher um vazio. Mas eu não queria mais ser compulsiva, eu precisava parar. Comecei a entender que tinha dificuldade de não ter momentos “muito felizes” todos os dias. A continuidade, estabilidade, me deixavam entediada. A compra online oferece duas pílulas de felicidade: quando compramos e quando recebemos. Duas emoções, pelo preço de uma. Parceladas em 10 vezes.

Como acabei com minhas compulsões em 4 passos

Como coach, precisei me ajudar. Como eu buscaria a solução desse problema? Entendi que eu precisava me reeducar, fazer exatamente como se faz com uma criança.

O primeiro passo foi separar o meu salário na regrinha básica que a Carol ensinou com o método 50-30-20. E ter oficialmente uma mesada, no valor que eu poderia gastar.

O segundo passo, foi triturar meu cartão de crédito. Eu não podia cancelá-lo por conta do Uber, Netflix e YoginApp (aulas de yoga online). Mas não sei mais o número, o que já tem me ajudado tremendamente. Se preciso, vou ao banco e saco o valor exato. É chato? Opa, demais. Mas é necessário.

O terceiro passo foi sair de todas as newsletters imagináveis: Westwing, Etsy, MercadoLivre.

O quarto passo foi parar de seguir nas redes sociais as lojas que me causavam o maior impulso de compras: decoração para casa e marcas de roupas.

A pessoa que tem tendência a compulsões e vícios, deve sempre ficar atenta. Porém, ela tem um benefício tremendo: absorve novos hábitos mais rápido do que qualquer pessoa. Esse “super poder”, se usado para o bem (meditação, organização, realização de sonhos), pode fazer o compulsivo realmente alcançar a vida que deseja com maior facilidade.

Ouvir o que meu emocional pede é novo para mim. Lidar com um dia estável, sem me dar um presentinho em forma de comida ou compras ainda é desconfortável. Acostumei-me a sentir e reagir. Mas, para crescer é necessário encarar os fatos e mudar. Para então, evoluir.

*Formada em Administração de Empresas, Thais Roque Potomati passou oito anos pulando de emprego em emprego em diferentes multinacionais. Se graduou em Coaching e Gerenciamento de Negócios pela New York University (NYU), estudou Pensamento Crítico, Tomadas de Decisão de Alto Impacto, Comportamento Organizacional, entre outros temas. Fez MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV) em Gestão Estratégica e Econômica de Recursos Humanos. Hoje, comanda a Mrs Coach e é palestrante motivacional, oferecendo suporte para mulheres que reformular a carreira e organizar a vida. Mais informações em http://www.thaisroquepotomati.com.br.

Fotos: Shutterstock

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