Como voltar ao trabalho após a maternidade

Como voltar ao trabalho após a maternidade

Voltar ao trabalho após um período de dedicação exclusiva aos filhos – seja por meio da licença-maternidade ou de um afastamento efetivo – é sempre um desafio para as mulheres. Frente a um mercado de trabalho que ainda tende a ver a maternidade como redutora da produtividade, a uma sociedade que impõe sobre a mulher o acúmulo de funções e à necessidade de se criar uma estrutura para retomar a vida profissional, muitas mulheres têm dificuldade em reencontrar o seu espaço no mercado.

Segundo uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no ano passado, uma em cada quatro mulheres que já teve mais de um emprego na vida deixou a função para cuidar da família. Entre as mulheres de baixa renda, é maior o percentual das que deixam o emprego após o nascimento dos filhos: 25% entre as que ganham até dois salários mínimos e 15% entre quem ganha mais de cinco.

Apesar da crescente representatividade feminina no mercado de trabalho, inclusive em cargos de liderança, após ter filhos, a mulher ainda precisa encarar a cultura corporativa e provar que está apta a assumir a função. “Observamos avanços, mas muitas empresas ainda encaram a maternidade com certa desconfiança, tanto no que diz respeito às prioridades da mulher, quanto à possibilidade de ela engravidar novamente”, explica Rudney Junior, sócio-diretor da Br Talent.

Para a coordenadora de desenvolvimento de recursos humanos e mãe de três filhos, Fernanda Lourenço Faria, de 40 anos, a atitude dos gestores é fundamental para dar tranquilidade à mulher que deseja voltar ao mercado. “É importante que a pessoa também possa contar com o apoio da família e esteja confiante consigo mesma”, ressalta. A profissional entrou em sua segunda licença-maternidade há duas semanas, após o nascimento de Marina. Ela também é mãe dos gêmeos Arthur e Matheus, de 8 anos.

Fernanda conta que teve uma boa experiência em seus dois afastamentos, mas que a insegurança faz parte desse processo. “Ao voltar, a empresa é outra, as pessoas mudam, há projetos novos e outros que ficaram parados. Quando voltei da primeira vez foi um grande choque, mas fui muito bem recebida. Você se sente um pouco ameaçada, mas precisa acreditar no seu potencial e importância dentro da empresa”, relata.

A profissional de RH retornará ao trabalho quando Marina estiver com quatro meses e, por isso, está se organizando para fornecer a estrutura adequada de amamentação, encontrar uma escola em que confie e coordenar as tarefas entre ela e o marido. “Cada mulher precisa ver o que funciona melhor para ela. Precisamos criar uma estrutura que funcione para nós e para a criança, da maneira mais prática possível. Isso faz toda a diferença”, pontua.

Dicas para quem está se organizando para voltar ao trabalho

– Procure criar uma estrutura de apoio. Esteja você se preparando para voltar da licença ou buscando recolocação, o primeiro passo para retornar ao mercado de trabalho é tentar criar uma estrutura que garanta a sua tranquilidade. Procure um lugar de confiança para deixar a criança, seja uma escola, creche ou casa de parente e tente encaixar os horários na rotina. “É preciso organizar essa parte da sua vida para que você tenha paz de espírito para voltar a trabalhar”, explica Rudney.

– Pense no que você realmente quer. “Mesmo sob pressão da necessidade financeira, para fazer essa transição de maneira adequada, é preciso avaliar o que você realmente quer”, explica Rudney. Às vezes as mulheres utilizam esse período para rever o rumo da sua carreira, cogitar um freelancer ou mesmo empreender. Para o profissional, toda escolha precisa ser planejada e respeitar o perfil da pessoa.

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– Atualize-se. “O principal desafio enfrentado pela mulher é correr contra o tempo em questão de atualização”, explica Priscila Asimoto, psicóloga clínica e coach membro da Sociedade Brasileira de Coaching. Principalmente para quem se afastou por um longo período do mercado, é interessante estudar, averiguar o que mudou e o que há de novo na área.

– “Talvez você precise dar um passo para trás, mas não aceite qualquer condição de trabalho”, defende Rudney. O profissional explica que a pessoa pode não conseguir uma vaga na mesma posição que ocupava, mas é preciso colocar os seus limites e saber reconhecer quando a empresa está se aproveitando da situação. “Para se proteger, é preciso pesquisar, utilizar as informações disponíveis sobre as empresas e conversar com pessoas que já passaram por ela. Não se deixe sentir ameaçada, é preciso mostrar o seu valor.” Para ele, considerar os valores da empresa, inclusive no que diz respeito à maternidade e gênero, é muito importante para garantir uma boa experiência profissional.

– Retome a sua rede de contatos. Para quem busca recolocação, é fundamental reativar o networking. “Sejam amigos, antigos colegas de trabalho ou novos contatos, é importante aproveitar essas oportunidades e mostrar que você está disponível e com vontade de trabalhar”, diz Rudney.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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