Consumismo e maternidade: como evitar o assédio da indústria desde a gravidez

Consumismo e maternidade: como evitar o assédio da indústria desde a gravidez

Assim que se descobrem grávidas, sem perceberem, muitas mulheres já são afetadas pela onda de consumismo que atinge a maternidade. Faça o teste: pesquise no Google “estou grávida, e agora?” e conte a quantidade de links que mostram tudo o que você precisa comprar para ter uma gestação tranquila.

Acreditar que basta comprar alguns itens para que tudo dê certo é acalentador – afinal, a maternidade traz também uma série de dúvidas e angústias –, mas muitas coisas são apenas reflexo do consumismo que é empurrado para as mães desde o começo.

“Se a gente for ver a quantidade de produtos oferecidos desde que descobrem que estão grávidas, percebemos que é colocado para as mães de forma subliminar que é muito importante ter aquele berço, decorar o quarto do bebê com todos os mimos ou fazer uma sessão de fotos”, diz a pedagoga Luciana Brites, especializada em Educação Especial e fundadora do Instituto NeuroSaber.

Por que somos tão afetadas?

O assédio do mercado de produtos para mães e bebês encontra terreno fértil: a gestação é um momento emocionalmente delicado – tanto pela questão hormonal quanto pelas incertezas que rondam a mente da futura mamãe. Essa vulnerabilidade faz com que essa mulher se agarre nas certezas que tem, mesmo que ela seja apenas uma lista de compras.

Esses fatores se unem à vontade dos pais de darem o que há de melhor para seus filhos, na tentativa de garantir que eles tenham acesso ao que eles mesmos não tiveram. “Conheço mães que já compraram um tablet assim que o bebê nasceu, pois achavam que seria de fundamental importância”, exemplifica.

maternidade-consumismo

Outro exemplo são as festas de um ano de idade, cada vez mais luxuosas, que costumam ser um sonho da família. “A criança não tem noção do que está acontecendo. Para que se tenha ideia, é comum que o aniversariante fique mais entretido com os embrulhos do que com os presentes em si”, afirma.

Por mais que, nessa idade, o pequeno não saiba o que está acontecendo, é conforme ele cresce que começa a incorporar os hábitos de consumos dos pais. Como em um círculo vicioso, existe uma indústria que incentiva o consumismo das mães que, por sua vez, acabam refletindo isso nos filhos. “Assim, vemos que muitas das coisas que a achamos que eles que querem, na verdade, somos nós que desejamos. Mas o impulso de consumo é passado para eles”, completa.

Evitando armadilhas de consumismo desde a gestação

O primeiro passo é aprender a distinguir desejo de necessidade. Será que você realmente precisa de uma bolsa personalizada com o nome do bebê? Precisa comprar aquele móbile caro ou um kit para berço – que, inclusive, podem causar acidentes e são contraindicados pela Sociedade Brasileira de Pediatria? Precisa de uma equipe de fotografia e filmagem para registrar o parto?

“Alguns itens não são importantes para aquele momento. Ao dar mais atenção para eles, se desvincula a conexão do bebê com o momento, pois acaba mais preocupada com todas essas coisas do que com o nascimento em si”, pondera.

Para distinguir o que é necessário no momento em que a criança chegará ao mundo, ensinamos como fazer o enxoval do bebê com menos de R$ 1.200 – clique aqui e confira. Já nesta matéria, falamos sobre os principais gastos no primeiro ano do bebê.

“A criança sempre nos mostra que gosta mesmo é de coisas simples. Mesmo que você busque itens sofisticados, ela preferirá brinquedos que agucem seus sentidos e, por isso, os mais industrializados podem não fazer sentido para ela”, explica. Por que não aprender com a simplicidade delas?

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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