Crianças: ensinando a solidariedade dentro de casa

Crianças: ensinando a solidariedade dentro de casa

*Luciana Cattony

“A humanidade é desumana / Mas ainda temos chance
O sol nasce pra todos / Só não sabe quem não quer”
(Renato Russo)

Com este verso, o poeta, jornalista e cantor Renato Russo reforça a crença de que há uma esperança, por mais difícil que a situação se apresente. Talvez o fato dele ser pai tenha contribuído para esse pensamento. Talvez não. Afinal, quando nos tornamos pais, o desejo de melhorar o mundo e deixar uma vida melhor para os filhos é tão grande, que a esperança, muitas vezes adormecida, ressurge de forma avassaladora.

Mas o que seria esse tão almejado mundo melhor? Muitos concordam que um mundo melhor é um lugar onde a não-violência/solidariedade habita de maneira natural, não é mesmo? O dicionário Michaelis define solidariedade como o “Estado ou condição de duas ou mais pessoas que repartem entre si igualmente as responsabilidades de uma ação, empresa ou de um negócio, respondendo todas por uma e cada uma por todas”. Um conceito que se relaciona intimamente com a família, já que explora a convivência em grupo e a empatia – capacidade de se colocar no lugar da outra pessoa. Isso reforça que, se aprendida dentro de casa, a solidariedade se fará natural também fora dela.

Você sabia que existem pequenos gestos de solidariedade que podem ser estimulados na rotina familiar? De acordo com Melinda Blau, jornalista e coautora do best-seller A encantadora de Bebês, “pedir ajuda às crianças é uma forma de construir dentro de casa uma Consciência Familiar”.

No Seminário Internacional de Mães, que ocorreu em Belo Horizonte – em Julho deste ano, Melinda ainda comentou que as crianças se sentem muito bem ajudando nas tarefas de casa e que essa prática é uma forma delas se sentirem úteis e valorizadas. “Elas amam!”, afirmou. A jornalista ainda defendeu em sua palestra que, com a chegada de um filho, a família deve procurar se focar nas relações familiares e não somente na criança em si.

 

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Uma abordagem mais holística e também humana, já que considera todos os atores do processo, o que tem tudo a ver com solidariedade, não é? Visitar os avós, contar e ouvir estórias também exercitam a empatia e solidariedade. Ao conviver com pessoas mais velhas, os mais novos irão perceber as diferentes necessidades e dificuldades que se apresentam e até oferecer ajuda! Assim, as crianças percebem que o mundo não gira somente ao redor delas mesmas.

Pamela Druckerman, autora do best-seller Crianças Francesas Não Fazem Manha, em sua palestra no Seminário de Mães, contou que na França as crianças utilizam, desde muito pequenas, as palavras “mágicas”: bom dia, até logo, por favor e obrigada. E que algumas “penalizações” são aplicadas, caso não haja o uso dessas palavras. Segundo Pamela, “códigos sociais fazem as crianças perceberem que elas não são o centro do Universo”, princípio extremamente importante para uma convivência saudável em sociedade.

Fazer pelo menos uma vez por semana a refeição e programas em família (sem a presença dos “gadgets” viciantes) favorece o compartilhamento de experiências e o contato “olho no olho”. É uma maneira de conhecer melhor o outro, descobrir novos pontos de vista e exercitar a empatia. “Minha filha estava reclamando demais da vida e não queria fazer nenhum tipo de programação. E olha que ela só tinha 7 anos”, conta a Professora aposentada gaúcha Maria Aparecida Jobim Pacheco, residente em Porto Alegre.

Após consecutivas reclamações, Maria Aparecida não hesitou e levou sua filha para visitar um hospital pediátrico em sua cidade. Lá, ela e sua pequena tiveram a oportunidade de conviver durante algumas horas com crianças deficientes e doentes. Foi uma convivência afetuosa que fez sua filha enxergar um outro lado da vida. “Tudo que aquelas crianças, em suas cadeiras de roda mais queriam era correr livremente por suas próprias pernas. E a minha filha tinha isso e não dava valor. Aquela visita foi transformadora”, afirma. Cida e sua filha, hoje com 11 anos, ainda conservam a prática da visita ao hospital, levando carinho e afeto aos pacientes, além de doações de brinquedos e roupas que não usam mais.

Em tempos de bullying, você há de convir que educar um filho para a não-violência, não é lá uma coisa muito simples, né? Neste caso, faça-o entender que existem outras alternativas à violência e que enxergar o mundo sob as lentes de outras pessoas pode ser transformador. Mostre a importância da gratidão e lembre-se que o exemplo é seu melhor ensinamento.

E como já dizia o cantor: “quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só”. Lembra também que esse caminho começa dentro de nossas próprias casas, alicerçado no amor. E sim, Renato! Concordo contigo: ainda temos chance! E você, também concorda?

 

*Luciana Cattony é publicitária e fundadora do site Real Maternidade.  Luciana tem como objetivo facilitar a vida das mães e levar leveza e alegria a essa rotina.

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