A cultura de consumo nos filmes

A cultura de consumo nos filmes

*Priscila Lambach

Quando eu era pequena, o acesso aos filmes não era tão fácil como hoje. Assistíamos ao que passava na sessão da tarde, o que a emissora de televisão havia contratado, ou frequentávamos um local que hoje as crianças nunca ouviram falar: a locadora de vídeos.

Ouvíamos dublagens repetitivas, e quem era mais assíduo, conseguia encontrar semelhança em quem dublava mais de um personagem em diferentes filmes.

As locadoras eram verdadeiros paraísos. Os lançamentos brilhavam nas prateleiras. Levávamos para casa e não tínhamos outra escolha a não ser assistir rapidinho, porque logo teríamos que devolver. Não era barato alugar, e o prejuízo financeiro poderia ser grande se não devolvêssemos o filme a tempo.

Um dos filmes que marcou a minha infância foi “Riquinho”. Um filme de 1994 que mexeu com muitos pequenos da época. Riquinho era um personagem milionário que vivia como um rei. Lá aprendi o que era esgrima, sonhei em também ter um McDonalds em casa, e confesso que achava uma gracinha o Macaulay Culkin de terno e cabelo arrumadinho.

Hoje as crianças assistem TV a cabo, Netflix, Youtube e a variedade de conteúdo é muito maior.

Qual será que é o impacto do que assistimos para as nossas vidas?

Será que o que eu assisti durante a minha infância me influenciou?

consumo_filmes_interna

Não tenho dúvida de que o meu gosto pela moda começou em “Patricinhas de Beverly Hills” e “Uma linda Mulher”. Comecei a desejar ter sacolas em ambos os braços, sair para fazer compras com as amigas. Isso durou alguns anos, até que já na idade adulta fui perdendo o interesse.

Nem sempre nos damos conta do quanto o mundo externo nos bombardeia de elementos que nos influenciam. Uns afetam mais do que outros, alguns são mais marcantes. Em intensidades diferentes, eles se fazem presentes.

Quanto mais consumimos arte, informação, cultura, elementos do universo, mais repertório temos para refletir, transformar e nos desenvolver.

Há uma infinidade de anúncios que indireta ou diretamente estão passando mensagens de consumo para crianças. Desde pequenos passam a desejar um brinquedo, ou até mesmo uma experiência. Dificilmente conseguiremos blindar as crianças disso – e isso tão pouco parece interessante. É necessário educar para que se desenvolva a capacidade de discernir: o que preciso do que desejo, o que posso comprar, o que não posso, quando e onde irei fazê-lo, por quê e para quê. Enfim, educar na cultura do consumo consciente.

Precisamos fazer isso pelas crianças e pelo planeta. Precisamos fazer por nós. Há muito descarte, desperdício, muita gente querendo “ter” e esquecendo de “ser”.

Nem sempre a gente tem tudo o que quer, mesmo que tenhamos condições financeiras para tal. É necessário desenvolver a cultura do planejar, poupar, orçar, pensar, cuidar do que se tem, reciclar, emprestar, enfim, colaborar para que esse seja um mundo melhor para se viver. Vamos deixar a influência positiva entrar, e vamos permitir que outras saiam e passeiem por aí.

*Priscila Lambach é administradora de empresas e pedagoga. Fala sobre desenvolvimento humano e formação pessoal feitos com poucos recursos, de forma criativa e eficiente – desfazendo a ideia de que para educar bem é preciso investir muito dinheiro.
Émail: contato@priscilalambach.com

 

Fotos: Shutterstock

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Priscila Lambach

Priscila Lambach

Nova perspectiva

close