Desigualdade: não espere até 2089 para buscar empoderamento

Desigualdade: não espere até 2089 para buscar empoderamento

Se nada mudar, teremos igualdade salarial somente daqui a três gerações. Relatório divulgado pela ONG britânica Oxfam sobre a desigualdade no Brasil mostra que nós, mulheres negras, só teremos o mesmo salário que um homem branco daqui a 72 anos. Ou seja, se não aparecer mais ninguém para atrapalhar, as netas da minha filha, que hoje tem 6 anos, terão reconhecido um direito pelo qual a geração da minha avó clamava no século passado.

Não tenho ilusões sobre a sociedade machista e racista em que vivemos. Pouco espero das políticas públicas para reverter este quadro. Mas acredito no potencial feminino, que sempre esteve à frente de todas as iniciativas revolucionárias empreendidas pelo povo negro (embora a história oficial omita, descaradamente, tais fatos) para adotar novas estratégias e reduzir esta longa espera.

Em uma sociedade capitalista, precisamos aprender a lidar com o capital e usá-lo a nosso favor. A educação financeira é uma estratégia de empoderamento. Claro que, com os piores postos de trabalho e a média salarial mais baixa da pirâmide social, nem todas nós dominamos assuntos como bolsa de valores, ativos imobiliários ou fundos de pensões. Mas é razoável começar a investir em nós mesmas: capacitação, conhecimento, fortalecimento.

Reserve parte do seu tempo para aprender mais sobre como usar melhor o seu salário, separe uma parte do seu dinheiro para investir em cursos profissionalizantes ou de capacitação. É importante saber mais para exigir melhores condições de trabalho, moradia e educação.

empoderamento-feminino

Não digo que seja fácil, mas é necessário reconhecer as armadilhas do capitalismo. Nós, que historicamente já nos sacrificamos financeiramente pelos filhos, companheiros, pais e irmãos, agora devemos fazer mais por nós mesmas. Vamos usar o capital a nosso favor e adiantar em pelo menos 50 anos a previsão da Oxfam.

Em visita ao Brasil, a filósofa Angela Davis, ativista negra e ícone na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, afirmou: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras e, assim, muda-se a base do capitalismo”.

Eu já comecei o movimento lá em casa. E você?

Mônica Costa é jornalista, mãe de um garoto de 14 e uma menina de 6 anos. Estudiosa de educação financeira e curiosa sobre a condição da mulher negra e o capital.

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter.

Foto: Shutterstock.

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Financas Femininas

Finanças Femininas

Sua independência financeira depende de você, com uma ajudinha nossa.

close