Devo um amigo e não sei quando poderei pagar: como agir?

Devo um amigo e não sei quando poderei pagar: como agir?

Pedir dinheiro emprestado às instituições financeiras é uma decisão difícil. Imagina quando é necessário recorrer a um amigo? A situação pode sair do controle e até prejudicar a relação com a pessoa. Mas é possível tomar algumas precauções para não ficar em saia justa com quem aceitou te ajudar. Seguir algumas dicas de quem entende do assunto e planejar suas finanças pode te salvar.

Karine Vilela, 26 anos, passou por isso depois de investir tudo o que tinha em um quiosque de doces e se viu em uma situação de “desespero”. O empreendimento teve que ser fechado e, com ele, aconteceu o fim do casamento. Hoje, com uma filha de três anos, a jovem começa a se recuperar de outro problema financeiro em um segundo negócio – que também não prosperou. “Precisava de dinheiro para investir, acabei recorrendo a um grande amigo. Cheguei a pedir, de uma vez só, R$ 2 mil, mas consegui pagar R$ 1,6 mil”, conta.

Vendo a segunda tentativa de ser uma empreendedora indo pelo mesmo caminho da primeira, precisou de mais ajuda. “As coisas pioraram e a dívida com ele chegou a cerca de R$ 3 mil. O negócio não andou bem como eu queria e acabei tendo que pegar mais dinheiro para minhas necessidades básicas, já que estava desempregada.”

Porém, no caso de Karine, os empréstimos foram feitos de forma informal e não houve cobrança por parte do amigo. “Quando acabavam as coisas da minha filha e eu não tinha mais dinheiro, recorria a ele. Isso me doía muito, ficava envergonhada, meu estômago até embrulhava. Mesmo eu sabendo que ele iria me emprestar sem problemas e nunca me cobrou”, relembra.

Com o psicológico abalado, Karine assume que a situação mexeu com seu orgulho. “Se eu precisasse do dinheiro hoje, só conseguia pedir no dia seguinte. Na hora de mandar mensagem, eu escrevia o texto e fechava os olhos para enviar. Mas era a única solução, ele foi a única pessoa que me ajudou de verdade.”

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O professor de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Joelson Sampaio, acredita que esse tipo de acordo é vantajoso, “ mas só no caso de ser honrado. O problema é o risco das partes não cumprirem o combinado. Assim, o prejuízo pode ser significativo.”

Como se planejar na hora de pedir dinheiro emprestado?

Se recorrer a um banco não é uma opção para conseguir o dinheiro, é importante pensar não apenas no seu problema imediato, mas também nas condições do amigo em questão. Sampaio explica que é aceitável pedir ajuda em situações onde o valor não seja alto e a possibilidade de conseguir de outra forma seja difícil. “Como é um empréstimo sem garantias e contrato, o risco aumenta mesmo sendo entre amigos”, reforça.

Pensar em um prazo realista de pagamento da dívida também deve estar no seu planejamento financeiro. Não é porque é um amigo que pode-se deixar a dívida para lá. Afinal, ele também pode precisar deste valor em algum momento. “Os cuidados são de valores e prazo, quanto maior os dois, maior a probabilidade de inadimplência. Para empréstimos pequenos – até R$ 2 mil, o prazo de dois anos seria razoável. Já para empréstimos acima desse valor, seria preciso pensar mais no valor da parcela do que no prazo em si”, pontua Sampaio.

Programando-se para pagar

Muitas coisas podem acontecer depois que a dívida já foi feita – como no caso de Karine, que ficou sem emprego e, consequentemente, sem ter como honrar com os pagamentos. Para que tudo não vire uma bola de neve, o principal é se planejar antes mesmo de pedir o dinheiro ao amigo.

Mas, se as coisas saírem do controle e as parcelas ficarem atrasadas, Sampaio dá a dica. “ Nesse caso, resta a negociação entre as partes. Essa é a melhor saída. O ideal seria que o valor comprometido da renda não ultrapassasse 30%. A melhor forma é procurar o credor e apresentar uma proposta de pagamento. É importante ter um planejamento financeiro para que a pessoa não venha a inadimplir novamente”, comenta.

Dando a volta por cima

Karine foi contratada em um emprego formal e o planos dela são audaciosos. Ao terminar de pagar o que deve ao amigo – o que pretende fazer o quanto antes -, irá investir parte dos rendimentos todos os meses. “Estou assistindo vídeos sobre investimento e, a partir de dezembro, guardarei R$ 1 mil por mês para investir no Tesouro Direto. Quero garantir o futuro da minha filha e dos meus pais. Mas aprendi isso depois de perder muito dinheiro”, ressalta.

Após o estresse por conta da falta de dinheiro, que resultou até na queda dos cabelos da jovem, Karine diz que aprendeu a lição. “Se eu conhecesse o Tesouro Direto na época que resolvi montar o quiosque, teria feito tudo diferente. Eu e meu ex-marido chegamos a comprar um apartamento juntos, mas também não foi um bom investimento. Não tínhamos nenhuma noção de economia. Hoje nossas vidas seriam diferentes”, conclui.

Fotos: Shutterstock

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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