Dívida pode triplicar em um ano se não negociada!

Dívida pode triplicar em um ano se não negociada!

O nascimento de uma grande dívida pode trazer uma queda considerável na qualidade de vida de alguém. Além de todos os contratempos da restrição de crédito, o descontrole faz com que muita gente demore a tomar uma providência. Resultado? As cifras vão inflando numa rapidez assustadora, até que a pessoa endividada sente-se completamente encurralada. Sabemos que há uma saída e que a renegociação é possível. Mas como fazer essa renegociação com a segurança de conseguir arcar com as parcelas? Como chegar a um valor razoável? Abaixo vamos mostrar o crescimento assustador de uma dívida e o que pode ser feito para quita-la da melhor forma.

O endividamento no cartão de crédito é algo muito comum, apesar de ser o tipo de dívida mais cara no mercado. E o valor cresce absurdamente em função do crédito rotativo. A dívida cresce tanto de tamanho em função dessa lógica de cobrança de juros em cima de juros. Para que você perceba a importância de buscar a renegociação o quanto antes, segue abaixo uma simulação de dívida no cartão de crédito feita pelo economista Samy Dana, mestre em economia e Ph.D em Business. Nos dois exemplos você poderá observar o valor que a dívida acumulada atinge em um ano e como ela infla numa proporção absurda em dois anos de acúmulo. Ao final, você verá que a dívida acumulada em dois anos chega a ser três vezes maior que o valor hipotético de uma renegociação com um ano de dívida vencida.

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O crescimento da dívida

Vamos considerar a seguinte situação: Imagine uma pessoa com salário de R$ 2.000,00 e uma dívida de R$ 1.000,00 no  cartão de crédito. Vejamos como essa dívida evolui ao longo de dois anos, considerando os últimos dados sobre os juros do cartão de crédito divulgados pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Em um ano, as operadoras de cartões de crédito cobram, em média, 295,48% de juros, o que dá uma média de pouco mais de 12% ao mês.

MesesEvolução da dívida (R$)% do salário
01,000,0050%
11.121,0056%
21.257,0063%
31.410,2071%
41.581,4079%
51.773,3889%
61.988,6799%
72.230,09112%
82.500,82125%
92.804,42140%
103.144,88157%
113.526,66176%
123.954,80198%
134.434,91222%
144.973,31249%
155,577,06279%
166.254,12313%
177.013,36351%
187.864,78393%
198.819,57441%
209.890,26495%
2111.090,93555%
2212.437,36622%
23 13.947,25697%
2415.640,44782%

Como você pode ver, em um ano a dívida já tem um valor praticamente quatro vezes maior que o inicial. Em dois anos, a pendência sobe para mais de 15 vezes o valor inicial. Sendo assim, o economista simula uma situação em que a dona desta dívida resolva fazer uma renegociação após um ano do vencimento da pendência, acordando o pagamento em doze meses, com taxa de 3,5% ao mês.

ValorR$ 3.954,80
Prazo12 meses
Taxa3,5% a.m.
ParcelaR$ 409,26
TotalR$ 4.911,10

Com a dívida acumulada em um ano, você paga um valor quase cinco vezes maior do que o montante inicial, mas pelo menos garante parcelas mais suaves e com uma taxa de juros mais razoável. A situação é mais controlável do que deixar a dívida crescer a ponto de tornar-se praticamente oito vezes superior ao valor da renda hipotética desta endividada. É claro que o resultado de uma renegociação é variável, mas colocamos o exemplo acima para mostrar a importância de tomar uma providência a tempo, antes que a situação piore em proporções catastróficas.

renegociar-divida

Como chegar à uma boa renegociação

Para chegar a um valor razoável, é preciso que a devedora mostre ao credor sua boa vontade em pagar. Para explicar como essa renegociação deve ser conduzida, conversamos com o diretor do Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), Fernando Cosenza.

Antes de mais nada, o conselho do especialista é reunir esforços dentro de casa para fazer um diagnóstico do orçamento e ver o que pode ser cortado do dia a dia. “Reúna-se com todo mundo em casa e seja transparente com o que está acontecendo. Faça um plano para economizar e direcionar os recursos economizados para o pagamento da dívida”, comenta. A proposta é reunir um montante inicial para dar como entrada no pagamento de uma dívida.

Ter este dinheiro em mãos para iniciar o pagamento já é um passo dado para garantir uma boa renegociação. Ele explica, por exemplo, que o credor terá uma boa vontade muito maior para renegociar se a pessoa que deve R$ 1.000,00 chegar com R$ 400,00 de entrada do pagamento, interessada em discutir parcelas mais razoáveis para o restante da dívida. Por outro lado, a situação fica muito pior se a pessoa procura o credor de mãos vazias querendo um parcelamento, adiantando que não pode passar de determinado valor e dispondo-se a começar a pagar somente a partir do próximo mês, por exemplo.

“Os sistemas dos credores são diferentes, mas eles são parametrizados para serem mais maleáveis se a pessoa antecipa essa boa vontade de pagar. Se ela tem 20, 30, 40% ou até 50% do valor da dívida original, este é o sinal mais claro que a consumidora dá ao credor que ela está comprometida com o acerto. As condições melhoram, ficam mais flexíveis”, orienta.

Além da orientação na forma como renegociar, o diretor ressalta ainda que a pessoa que deseja pagar uma dívida não pode ter como prioridade somente limpar o nome, mas encarar essa situação como uma forma de reorganizar-se, assumir o controle do orçamento e rever a forma de gastar.

 

Crédito das fotos: Shutterstock

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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