É preciso discutir a dependência financeira dos filhos

É preciso discutir a dependência financeira dos filhos

*Maria Angela Nunes Assumpção

Considero “forte” o tema sobre qual vou sucintamente escrever, porque envolve não só o aspecto financeiro. O assunto aborda também a dinâmica afetiva e emocional das famílias, a relação pais e filhos e a construção da autonomia e independência dos filhos em diversas outras áreas.

Portanto, começo esclarecendo que este texto tem o objetivo de ser, tão somente, um alerta sobre o impacto da dependência financeira de filhos adultos no planejamento financeiro dos pais, seja:

  • Durante a fase de geração de renda do trabalho dos pais – pela dificuldade de gerar uma poupança significativa, tendo em vista que as despesas dos filhos permanecem na fase adulta.
  • Após a aposentadoria – pela manutenção das despesas em decorrência da dependência financeira dos filhos.

Quando analisamos o ciclo de vida financeira, normalmente o esperado é que quando os indivíduos se aproximam da meia idade, fase próxima da aposentadoria, haja uma diminuição da sua pauta de despesas em função do término da formação dos filhos e da inserção deles no mercado de trabalho. Isto decorre do fato de que nessa fase da vida os filhos estão, em geral, no início da vida adulta e tornando-se financeiramente independentes.

O esperado é que a partir desse período os desembolsos relativos aos filhos não façam mais parte do orçamento e que os pais consigam reforçar a poupança necessária para fazer frente à longevidade. No entanto, nota-se que muitas famílias lidam com o contexto dos filhos adultos ainda dependentes financeiramente.

Esse cenário deve ser tratado com muita atenção, pois impactará não apenas na capacidade financeira dos pais no presente, mas, especialmente, no futuro, onde a geração de renda do trabalho terá diminuído ou cessado.

independencia_filhos

A maioria de nós deve conhecer alguma família que tenha uma das seguintes situações:

– A adolescência prolongada: filhos adultos que ainda não encontraram um caminho a trilhar. Muitos ainda não escolheram uma carreira, outros até fizeram um curso ou faculdade, mas ao terminá-lo não começaram a trabalhar pelos mais diversos motivos. Este grupo, normalmente, não gera renda ou quando gera não é suficiente para ser financeiramente independente. Ou seja, precisam do apoio financeiro dos pais quase que integralmente. Normalmente moram com os pais e têm todas as suas despesas arcadas por eles.

– O conforto da casa dos pais: filhos adultos que já têm uma vida profissional ativa, ganham dinheiro, mas vivem na casa dos pais com os mesmos hábitos da época em que eram financeiramente dependentes. Ou seja, apesar de poderem, não contribuem financeiramente com nada, todas as despesas referentes à manutenção da casa são bancadas pelos pais. Usufruem do conforto da “casa, comida e roupa lavada”.

– A semi independência: filhos adultos que saem da casa dos pais, mas não arcam com todas as suas despesas. Por exemplo: os pais colaboram pagando o plano de saúde, um curso de especialização, dando alguma assistência financeira mensal ou pagando a escola dos netos.

– O bumerangue: filhos adultos que já haviam saído da dependência financeira dos pais, mas que por algum evento específico (como o desemprego) voltam para a dependência financeira dos pais – muitas vezes com cônjuge e filhos.

Um alerta importante é que muitos pais se consideram incondicionalmente responsáveis pelos filhos e não discutem o assunto com eles. Por isso, muitas vezes assumem compromissos que não têm condições financeiras de suportar.

Por outro lado, alguns transformam o assunto em uma forte cobrança, o que prejudica o diálogo. O grande alerta é para não negligenciar o tema pela dificuldade emocional que ele traz. O melhor caminho deve ser o diálogo entre pais e filhos, tendo em vista a busca de soluções em conjunto para evitar que o planejamento financeiro da família fique sobrecarregado.

Por se tratar de um assunto muitas vezes delicado e que envolve muitos aspectos emocionais, acreditamos que a ajuda profissional de um planejador financeiro pode ter um papel importante, justamente por ser alguém “neutro” na história familiar. A presença deste profissional pode contribuir para promover esse diálogo.

*Maria Angela Nunes Assumpção é planejadora financeira pessoal, possui a Certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF).
E-mail: angela@moneyplan.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Fotos: Shutterstock

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

IBCPF

IBCPF

Planejamento Financeiro

close