Ela mudou a cultura da empresa com trabalho voluntário

Ela mudou a cultura da empresa com trabalho voluntário

No elevador da empresa, vestida de palhacinha, Roberta Bigucci encontra um cliente. Ela, que é diretora administrativa da construtora paulista MBigucci, o responde com toda a seriedade, apesar da roupa (e ele, claro, não entende nada). Essa situação ilustra perfeitamente como essa mulher estimulou o trabalho voluntário dentro da empresa – e como sua história pode inspirar você a fazer o mesmo. Foi dessa maneira que, há quase 12 anos, a diretora criou o Big Riso, projeto social onde os próprios colaboradores da construtora se vestem de palhaços para visitar crianças e adolescentes com câncer em hospitais públicos.

Palhaçada do bem

A vontade de criar a trupe veio depois de assistir o filme “Patch Adams – O Amor é Contagioso”. Para convencer os funcionários a embarcarem na ideia, Roberta aproveitou a sessão de cinema que a empresa já promovia mensalmente e passou o filme. “Perguntaram o objetivo e eu contei sobre minha vontade. Pensaram que eu enlouqueci”, brinca. “Mas sempre tem um maluco que acredita nas minhas maluquices, e a Mônica e a Cecília toparam”, completa, se referindo à Mônica Elaine Binda (do departamento de cobrança) e Maria Cecília Freitas Denadai (do departamento de arquitetura).

Foram dois longos anos de planejamento, um deles só procurando hospitais que aceitassem as visitas e lidando com a frustração do “não” em todos eles. As portas apenas se abriram quando a então presidente da Associação Voluntária de Combate ao Câncer (AVCC), Clotilde Dib, se emocionou com o projeto e as convidou para atuarem no Ambulatório de Oncopediatria da Faculdade de Medicina do ABC, na região metropolitana de São Paulo.

A primeira visita foi em 8 de novembro de 2004. Apesar de todo o preparo, as coisas não foram exatamente do jeito que elas imaginavam.

Roberta já havia trabalhado como monitora de acampamento infantil e animadora de festas – tudo isso vestida de palhaça –, mas encontrou uma realidade completamente diferente nos hospitais. “Nada havia me preparado para lidar com crianças com câncer. Muitas morriam, e isso acabava com a gente”, conta.

Depois, no entanto, as coisas foram se ajeitando. Por meio do exemplo, a diretora conseguiu convencer muitos outros funcionários a se juntarem ao grupo. Cerca de 470 voluntários já passaram pelo Big Riso e, hoje, atuam, aproximadamente, 60 pessoas. Mais de 10 mil crianças e adolescentes já foram atendidos nas mais de 1400 visitas e ações sociais, como o McDia Feliz e Teleton. Neste meio tempo, Roberta teve até a oportunidade de viajar com Patch Adams em carne e osso para a Rússia, onde fizeram o trabalho ao lado de outros 39 palhaços do mundo inteiro.

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Trabalho voluntário dentro da empresa

Todos os espaços podem oferecer oportunidades para fazer a diferença, até mesmo o corporativo. Para Roberta, instaurar essa cultura filantrópica na construtora foi um caminho mais simples: seu pai e fundador da empresa, Milton Bigucci, sempre foi apaixonado pelo voluntariado e, na base do exemplo, ensinou os filhos a também serem. “Quando falei sobre o projeto, ele me achou maluca, mas permitiu que os colaboradores saíssem para os hospitais no horário de serviço”, diz.

Infelizmente, nem todas podem contar com tanto apoio. No entanto, da mesma maneira que Bigucci usou o exemplo para mostrar aos filhos a importância do voluntariado, você também pode iniciar algo por si e, aos poucos, atrair mais gente. “As pessoas veem o que você faz e percebem que também podem. Tem que colocar a mão na massa”, expõe. E torça para ter a mesma sorte de Roberta, que encontrou pessoas tão “malucas” quanto ela para abraçar seus projetos. Também é muito importante se dedicar a algo que você gosta. Por exemplo, a diretora gosta tanto de ser palhaça que até ganhou dinheiro com isso na juventude – e garante que, até hoje, seu espírito é palhaçada pura (com o perdão pelo trocadilho).

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(Acima, Roberta ao lado de Patch Adams, que inspirou a criação do Big Riso)

Lições para a vida pessoal e profissional

Se tem algo que Roberta aprendeu nestes anos de Big Riso é a não reclamar por qualquer coisa. “As mães das crianças me ensinaram a ser otimista. Elas tratam os filhos como se eles não estivessem doentes, como se estivesse tudo bem. É uma lição de vida”, diz. E nada é impossível para quem viu milagres acontecendo com os próprios olhos. “Percebi que meus projetos têm que agregar amor, não dinheiro. Uso essa fé para tocar minhas ideias”, conta.

Como conciliar o voluntariado com a rotina?

A cada segundo da entrevista fomos descobrindo novas funções que Roberta desempenha. Além de diretora administrativa da construtora e voluntária, ela é diretora operacional do SECOVI-SP (o maior Sindicato de Habitação da América Latina) e coordenadora de Projetos Sociais Especiais da entidade, sendo a única mulher em meio a 24 homens empossados neste ano. Além disso, tem quatro filhos, pratica balé e corrida de obstáculos militares. Ufa!

Lidar com tantos compromissos não é tarefa fácil, mas ela tem uma grande amiga para dar conta: “As pessoas brincam que sou escrava da minha agenda”, ri. Ela garante que ser sistemática no seu uso permite que ela faça de tudo, até cuidar dos filhos e viajar. A diretora organiza sua semana inteira no domingo a noite e registra os compromissos por cor, sendo cada uma referente a uma área (pessoal, voluntariado, empresa, sindicato etc.). “Assim, não fico ocupando minha memória. E insisto que as pessoas usem esse método, porque sei que funciona”, aconselha.

Fotos: Arquivo Pessoal

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Matéria atualizada em dezembro de 2017.

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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