Empreendedorismo: um atalho para a independência financeira da mulher negra

Empreendedorismo: um atalho para a independência financeira da mulher negra

*Mônica Costa

Independentes, criativas e batalhadoras. Herdeiras de uma história de resistência e desafios, nós, mulheres negras temos encontrado no empreendedorismo uma oportunidade para expressar nossa capacidade de nos reinventarmos diante das adversidades impostas por uma sociedade que insiste em nos apresentar apenas as sobras e, em muitos casos, a única alternativa para aumentar a renda familiar. Além disso, essa é uma oportunidade preciosa para o exercício da auto-estima, já que nesta arena podemos fugir das regras de uma relação de trabalho injusta que negligencia a capacidade e o talento da mulher negra.

A inventividade está no DNA. Foi assim com a criação das Abayomis (bonecas feitas sem nenhuma costura, apenas com a amarração de retalhos) e da feijoada (resultado do cozimento das sobras do porco com o feijão preto) para ficarmos nos exemplos mais comuns no cotidiano brasileiro. Essa postura diligente explica a participação expressiva da mulher negra no universo do empreendedorismo – os dados mais recentes do Sebrae são de 2013 e, segundo a entidade, naquele ano, metade das 22,5 milhões de micro e pequenas empresas existentes no Brasil eram comandadas por negras e negros.

“Somos a maioria também neste segmento”, assegura Tatiane Alves, diretora da comissão do estado de São Paulo na Rede Brasil Afroempreendedor (Reafro). Na rede, que apoia e fomenta o afroempreendedorismo, 90% das comissões estaduais são coordenadas por mulheres, que também respondem pela maioria dos empreendimentos acampados pela entidade.

“Nós empreendemos há 500 anos e os desafios continuam sendo imensos. Vão desde a luta em busca de conhecimento, agregação de valores ao negócio até o acesso a crédito” diz Tatiane, que começou a empreender aos oito anos, vendendo os geladinhos feitos pela mãe. “Sempre me vi dona do meu próprio negócio. E isso é ainda mais desafiador em uma sociedade dominada pela elite branca e masculina”, diz a empresária, acrescentando que ocupar este espaço também representa um ato audácia. “Estamos nos apropriando de espaços que sempre nos foram negados.”

Para a jornalista Silvia Nascimento, fundadora do site Mundo Negro, portal de notícias voltado para a comunidade negra brasileira, o maior acesso ao ensino superior e a valorização da cultura afrobrasileira tem contribuído para o aumento da participação da mulher negra no universo do empreendedorismo.

mulher-empreendedora

“Acredito que este modelo de trabalho seja uma tendência, apesar das barreiras, como os tributos e o acesso ao crédito”, diz Silvia que sempre foi prestadora de serviços e tem a própria empresa há 21 anos. O projeto do site surgiu quando Silvia se tornou mãe. “Se já sofremos discriminação por sermos negras, imagina quando também nos tornamos mães”, afirma. Hoje ela trabalha cercada por três lindas meninas e afirma que a flexibilidade e a liberdade para definir as atividades diárias são as principais vantagens.

“Eu vejo que no futuro muitas mães negras gerarão, além de renda, emprego. Elas terão o reconhecimento da sua contribuição para a economia à frente de negócios bem-sucedidos, mas para isso ainda falta orientação, incentivo e crédito.” aponta.

Força de vontade, garra e criatividade não nos faltam. Tais virtudes são heranças que recebemos dos nossos ancestrais e que, certamente, são potencializados pela maternidade.

*Mônica Costa é jornalista, mãe de um garoto de 14 e uma menina de 6 anos. Estudiosa de educação financeira e curiosa sobre a condição da mulher negra e o capital.

Fotos: Fotolia

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