Empréstimos com garantia de imóvel valem a pena?

Empréstimos com garantia de imóvel valem a pena?

Apesar de amplamente conhecidos em outras partes do mundo, somente agora estão ganhando mais visibilidade no Brasil os empréstimos feitos com garantia de imóvel – chamados de home equity ou refinanciamento de imóvel.

Esse crédito diferencia-se da hipoteca por contar com a alienação fiduciária, ou seja, nessas operações há a transferência da propriedade fiduciária do imóvel para a instituição financeira até a quitação da dívida. Por representar menor risco à instituição – afinal, ela conta com uma garantia e tanto caso a pessoa não cumpra os pagamentos -, o home equity conta com juros menores do que os cobrados, por exemplo, no crédito pessoal ou consignado.

No Banco Sofisa, por exemplo, as taxas de juros no home equity estão em média em 1,39% ao mês, na Creditas, entre 1,15% e 1,50% ao mês e no Santander, entre 1,22% e 1,39% ao mês. Para fazer uma comparação, a média do crédito pessoal no mercado está hoje em 3,45% ao mês, e no consignado, em 2,04%, segundo dados do Banco Central.

Para saber se essa é uma boa opção para você, entretanto, é preciso levar em consideração diversos outros fatores, que vão além dos juros. Entenda, então, o que é e os cuidados que você deve ter com esse crédito.

1) Seu imóvel entrará como garantia (ou seja, você pode perdê-lo)

O que diferencia essa modalidade de crédito de todas as outras é o uso do imóvel como garantia caso você não honre os pagamentos. Antes de embarcar nesse empréstimo, portanto, é preciso estar ciente do risco de perda. “Esse é o principal fator que inibe os consumidores. É muito difícil comprar a casa própria no Brasil e a possibilidade de perdê-la afasta as pessoas dessa opção de crédito”, explica Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC.

2) O valor alto e prazo longo de pagamento precisam de atenção

Além dos juros, há outros dois fatores que precisam de atenção especial: o valor mais alto dos empréstimos e os prazos longos para pagamento. O valor do empréstimo na Creditas, por exemplo, vai de R$ 30 mil a R$ 3 milhões, no Sofisa, de R$ 80 mil a 2 milhões, e no Santander, de R$ 30 mil a R$ 2 milhões. O prazo para pagamento costuma variar entre 1 e 20 anos.

Esses dois pontos, se bem planejados, podem ser grandes aliados aos planos da tomadora, mas, se não forem, podem prejudicar seriamente as finanças. “Essa modalidade de crédito exige planejamento de longo prazo e a instabilidade da economia brasileira proporciona maior risco ao consumidor. Por isso, é preciso organizar-se para garantir que conseguirá seguir com os pagamentos mesmo em caso de redução da capacidade de pagamento”, explica o economista.

Agora, para saber se a proposta está valendo a pena financeiramente, é possível usar a já conhecida dica: fique de olho no Custo Efetivo Total (CET) da operação, que consolida o valor total pago por você por esse crédito.

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3) O imóvel precisa cumprir alguns critérios para que seja aceito como garantia

Por fim, para avaliar se essa é uma boa opção para você, é preciso saber que não é qualquer imóvel que entra como garantia. Cada instituição estabelece os seus próprios critérios e é preciso ficar atenta a essas condições.

No geral, o imóvel precisa estar quitado – mas, na Creditas, por exemplo, ele pode estar financiado, desde que o saldo remanescente seja menor do que o valor do empréstimo solicitado. Também é comum a exigência de que o imóvel de garantia esteja em nome de quem solicita o empréstimo – mas há empresas, como o Santander e a Creditas, que aceitam imóveis em nomes de terceiros em algumas situações. Há variação também quanto ao valor do imóvel e tamanho do empréstimo em relação ao preço do imóvel – no Sofisa são aceitos imóveis avaliados entre R$ 200 mil e R$ 5 milhões, no Santander, a partir de R$ 70 mil e na Creditas, a partir de R$ 150 mil.

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Além da necessidade de aprovação do imóvel, o economista pontua que a existência de um bem como garantia não faz com que os bancos reduzam os critérios sobre a análise de crédito, por isso, também é preciso comprovar sua capacidade de pagamento.

Em suma: esteja com a vida financeira planejada antes de tomar essa decisão

O home equity pode oferecer uma boa opção para quem precisa de créditos maiores a juros mais baixos ou deseja trocar uma dívida “cara” por uma mais “barata”. “Se a pessoa precisa, por exemplo, de um valor mais alto para um investimento ou reforma, pode consegui-lo deixando o seu imóvel como garantia”, explica Calife.

Mas nunca é indicado entrar em uma dívida de longo prazo sem planejamento. O empréstimo com garantia de imóvel exige reflexão por parte da consumidora: além de estudar a proposta e avaliar quanto pagará ao final por aquele crédito, é também essencial garantir que ele caberá no seu bolso.

* Havíamos afirmado que home equity e hipoteca eram modalidades equivalentes. A informação foi corrigida às 11h25 de 19 /07. 

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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