Entenda: o que a redução da Selic tem a ver com a sua vida

Entenda: o que a redução da Selic tem a ver com a sua vida

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Sua relação com o dia a dia da consumidora pode parecer distante, mas vamos mostrar que a Selic afeta mais a sua vida do que você imagina. Confira.

Como ela afeta a economia (e chega até você)

A Selic serve como referência para todas as outras taxas praticadas pelo mercado, influenciando a rentabilidade dos investimentos financeiros e os juros cobrados em financiamentos e na concessão de crédito em geral.

Quando a Selic está em um patamar baixo, ela tem o poder de dar gás à economia, impulsionando o consumo da população e o investimento das empresas, por exemplo. Os bancos também ficam mais interessados em emprestar dinheiro ao consumidor final e menos ao Estado – já que o governo não está remunerando tão bem. Quando está alta, por outro lado, ela desestimula o consumo, o investimento das empresas e faz com que as pessoas sejam levadas a poupar – já que as aplicações financeiras estão pagando bem.

“Considerando que boa parte das pessoas tem acesso ao consumo por meio das diversas modalidades de crédito, aumentando a Selic o governo diminui o poder de compra da população”, explica Múcio Zacharias, professor de Economia da IBE-FGV e diretor da Economies Soluções.

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Nesse jogo de aceleração e freio, a Selic é usada para controlar a inflação do País. Funciona da seguinte maneira: quando a inflação está alta, o Banco Central sobe a taxa, o que desestimula a produção e o consumo e ajuda a segurar o aumento dos preços. Por outro lado, quando a inflação dá sinais de desaceleração, abre-se espaço para que a taxa comece a cair, estimulando o consumo, a produção e o crescimento.

Como ela afeta os seus investimentos em renda fixa

A taxa Selic serve também de referência para o CDI, uma taxa usada para os bancos emprestarem dinheiro entre si e que determina a rentabilidade de investimentos em renda fixa. Quanto mais alta a Selic, portanto, maiores os resultados das aplicações financeiras. Lembrando que, nesses casos, é sempre importante levar em conta o retorno real, ou seja, a diferença entre a rentabilidade do investimento e a inflação.

Como ela afeta as suas dívidas

A Selic também serve de base para as taxas de juros cobradas nas diversas modalidades de crédito oferecidas pelo mercado, como financiamentos, empréstimos e cheque especial. Existe, entretanto, uma desproporcionalidade entre esse valores: o chamado spread bancário, diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e para o consumidor.

“As grandes companhias de crédito explicam o aumento dos juros por outros fatores, além da Selic, como a alta inadimplência. Para o consumidor final (que contrai crédito), portanto, a redução da taxa básica não é sentida no curto prazo”, explica Zacharias.

Como ela afeta as dívidas do governo

Quem também tem dívidas a pagar é o governo. Com a Selic elevada, ele também é obrigado a pagar juros maiores. “Com as taxas elevadas, o custo da dívida pública se torna alto demais para o governo, o que gera um sério problema orçamentário”, explica Zacharias.

* Matéria atualizada em 04/07/2017. 

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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