Fórmula 1 tira Grid Girls antes das largadas

Fórmula 1 tira Grid Girls antes das largadas

O ano começou com uma novidade no mundo das corridas de carro. De agora em diante, não existirão mais ‘Grid Girls’ na Fórmula 1. A decisão é da nova proprietária do campeonato, a Liberty Media, que proibiu a participação das modelos minutos antes da largada das corridas.

A mudança entrará em vigor a partir do primeiro Grande Prêmio da temporada 2018, que está previsto para começar em 25 de março, na Austrália. No comando da F1 desde janeiro de 2017, a Liberty Media divulgou a decisão em um comunicado oficial recentemente. “Examinamos uma série de áreas que achamos necessário atualizar para estar mais em sintonia com nossa visão deste esporte fantástico”, disse em nota o diretor comercial da F1, Sean Bratches.

“Embora a prática de empregar meninas no grid tenha sido um elemento básico da Fórmula 1 Grands Prix por décadas, sentimos que esse costume não ressoa com os valores da nossa marca e claramente está em desacordo com as normas sociais modernas. Nós não acreditamos que a prática seja apropriada ou relevante para a Fórmula 1 e seus fãs, antigos e novos, em todo o mundo”, acrescenta.

A mudança foi anunciada em meio ao movimento #MeToo (#EuTambém), que incentivou mulheres a denunciarem casos de violência sexual e de assédio. Para a jornalista esportiva Maria Eduarda Cardim, colunista do blog Elas no Ataque, do jornal Correio Braziliense, a proibição chegou em um bom momento. “Essa proibição foi um pouco polêmica, mas eu a vi com bons olhos. Acho que foi uma atitude polêmica pelo fato de acabar com algo que era uma tradição. Sempre existiu e sempre foram mulheres. Foi assim pelo fato da intensidade, mas achei corajoso e é uma briga por certos ideais que precisam começar em algum lugar.”

Mais mudanças a caminho

Nesta quinta-feira (05/2), a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou que crianças irão substituir as modelos minutos antes da largada das corridas. Os jovens, chamados ‘Grid Kids’, poderão se aproximar e acompanhar a preparação dos pilotos. Escolhidas por mérito ou sorteio, elas precisam já competir em karts ou na categoria junior.

“Acho muito legal a atitude de colocarem as crianças. Isso irá estimulá-las e dará a oportunidade de conhecerem seus ídolos. Tem uma relação maior, uma troca mais rica. Considero a mudança importante para o mundo do esporte justamente porque quebra um pouco essa objetificação feminina que existe em alguns esportes. É um primeiro passo na luta contra isso”, comenta Maria Eduarda.

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Repercussão: feministas x ‘Grid Girls’?

Em sua página na Internet, a associação britânica de promoção do esporte feminino Women’s Sport Trust comemorou a decisão da Liberty Media. “Concordamos e encorajamos fortemente os esportes como o ciclismo, o boxe e o UFC a seguirem a liderança e reconsiderar o empregoo uso de meninas ndo pódio, garotas com o cinturão e as do octógono. Esta não é uma questão de feministas versus modelos, que é como muitas pessoas querem retratar a história. Essas mudanças estão ocorrendo porque as empresas globais fizeram uma escolha sobre como as mulheres devem ser valorizadas e retratadas em seus esportes em 2018.”

“Me considero a favor da decisão justamente por acreditar que o fim da objetificação feminina tem que começar por algum lugar. Ainda mais no esporte. Bom que começou na Fórmula 1 e espero que vá para outros. Muitos pensam que as mulheres só estão ali para segurar uma placa, que não têm capacidade para outras coisas. Considero importante para começar a mudar a mentalidade das pessoas de alguma forma”, ressalta Maria Eduarda.

O anúncio da mudança deu o que falar nas redes sociais. Algumas modelos que fazem parte do Grid da F1 se manifestaram contra a decisão por meio de suas contas no Twitter. Entre elas, está Rebecca Cooper, que já foi ‘Grid Girl’ por cinco vezes, e a modelo Lucy Stokes. Ambas reclamaram da mudança e disseram que se sentiram prejudicadas.

“O inevitável aconteceu, as garotas da F1 foram banidas. Ridículo que as mulheres que dizem estar “lutando pelos direitos das mulheres” estão dizendo o que os outros devem ou não fazer, impedindo-nos de exercer um trabalho que amamos e temos orgulho de fazer.”

“Eu amo meu trabalho. Eu sou respeitada, bem paga e tenho orgulho de representar meu time. Não é certo para ninguém, e muito menos para as “feministas”, julgar a nossa função quando, francamente, estão tirando o trabalho de tantas mulheres. Onde está a igualdade e empoderamento neste caso?

Pilotos: opinião dos diretamente envolvidos

No final de janeiro, o portal Sky Sports realizou uma pesquisa com os internautas e mais de 70% disseram não concordar com a decisão. Entre os pilotos, a opinião sobre o fim das ‘Grid Girls’ não é unânime. O piloto alemão de Fórmula E Maro Engel disse que as modelos fazem parte do espetáculo. “Vocês podem dizer que sou antiquado, mas para mim as ‘Grid Girls’ fazem tanto parte do espetáculo quanto os carros, as escuderias e os pilotos.”

Já Lucas di Grassi, piloto brasileiro e atual campeão da Fórmula E, se mostrou favorável à inserção de homens e crianças nas corridas.

“Esses não são os valores de uma sociedade liberal. Sou a favor de que os pilotos/equipes decidam se querem mulheres, homens ou crianças no grid de largada – em Marrakesh, essas crianças estavam animadas demais em estarem lá! Experiência de vida para alguns.”

“O que eu mais me questiono é porque são apenas mulheres, e não homens e mulheres desempenhando esse papel? Para mim, isso é o machismo implícito da sociedade. Espero que outros esportes acabem seguindo o exemplo da Fórmula 1”, conclui Maria Eduarda.

Fotos: Fotolia e Motor1.

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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