Guia: O jeito certo de se endividar

Guia: O jeito certo de se endividar

Pouca gente percebe, mas quando fazemos um financiamento para comprar uma casa ou um carro novo, estamos ficando mais pobres. Mesmo com apartamento novinho no seu nome, por exemplo, um financiamento é uma forma de dívida – e qualquer dívida diminui o tamanho do seu patrimônio. No momento em que você quita tudo, pronto, o apartamento é seu de fato. Mas até lá, você deve algo ao banco, e se não pagar, o apartamento é tomado de você.

Mas para darmos certos passos nas nossas vidas – como comprar o tal apartamento, um carro, começar um negócio – às vezes é inevitável assumir uma dívida. Às vezes, não estamos nem falando de compras tão importantes, mas talvez de uma dívida no cartão de crédito depois de algumas tardes com as amigas no shopping, por exemplo. No entanto, existem diversas formas de fazer isso e diversos formatos com os quais você pode se endividar. Nós preparamos um guia para você entender exatamente como funciona cada tipo de dívida:

Cheque especial – em algum momento da vida, você já pode ter ouvido falar que não é bom cair no cheque especial. Mas você sabe por quê? É simplesmente a taxa de juros mais cara que existe no mercado! Além disso, é o tipo de dívida mais fácil de a gente entrar: é só exagerar nas compras e entrar no vermelho no banco, que você já entrou no cheque especial, e ninguém te avisou. Hoje, tem banco que cobra 10% ao mês, o que dá mais de 200% ao ano! Você conhece algum investimento seguro que te dê este tipo de retorno? Não, né? Assim você consegue ver quão caro é o cheque especial. Se você ficou com R$ 1.000 no cheque especial, ao fim de um ano sua dívida disparou e vale agora R$ 3.000. Por isso, não fique no vermelho por muito tempo, pois a sua situação pode ficar bem difícil. Mas se for por poucos dias, é a solução mais prática. Mas agora que você já sabe como caro é esse tipo de dívida, fique esperta e resolva isso logo!

Cartão de crédito – Encrenca também. É muito fácil perder o controle e parar de acompanhar seus gastos no cartão de crédito. Então não use o seu cartão como um jeito de ter acesso ao que quer que você queira – pense nele mais como uma forma de antecipar a sua renda. Mas fique de olho nos seus gastos! De novo, as taxas aqui podem chegar ao ano em um nível perto de 200% por ano, segundo a Anefac. Então use-o com moderação e tenha bem claro o risco que o cartão pode representar. Uma dica para lidar com o cartão da melhor forma é pesquisar os diferentes tipos, benefícios e juros. Você pode encontrar algum cartão que cobre uma taxa menor e ainda converta as suas compras em milhas aéreas – ou seja, você gasta e ainda pode conseguir passagens de graça. Mas lembre-se: use o cartão apenas dentro do seu orçamento!

Crédito pessoal – Essa é uma opção mais barata para você conseguir um empréstimo no banco, mas você tem que pesquisar. Segundo a Anefac, hoje em dia a taxa de juros do crédito pessoal em bancos está em 3% ao mês (42% ao ano). Já é uma boa diferença! Na maioria das vezes, o banco ou a financeira vai te pedir uma garantia, como uma carteira assinada, para comprovar que você recebe salário. O prazo de pagamento varia e pode chegar até 24 meses, então você pode tentar buscar um empréstimo que faça maior sentido para você. O mais importante é você saber que taxa de juros vai pagar e não atrasar os pagamentos, para evitar juros maiores ainda. Preste atenção, pois as taxas cobradas por bancos no empréstimo pessoal costumam ser muito mais baixas do que as cobradas em financeiras, que se aproximam dos juros do cartão de crédito e cheque especial!

Um cuidado na hora de tomar um crédito pessoal é pedir ao banco para cancelar o seu cheque especial, para você não cair na ciranda de usar o cheque especial antes de pagar todo o financiamento. Fica a dica!

Existem diferentes modalidades para o crédito pessoal e você pode encontrar uma que faça maior sentido para você, como a antecipação do 13º salário, da restituição do Imposto  de Renda além de crédito especializado para compra de carro ou de imóvel. Com essas informações em mão, pesquise o que for mais vantajoso para você!

Financiamento Imobiliário – Se você vai comprar uma casa, o melhor que você faz é ir direto ao financiamento imobiliário. Este tipo de dívida tem uma das menores taxas do mercado, entre 8% e 13% ao ano, mais TR (Taxa Referencial). Por que isso? Como você deixa a casa como garantia, o banco consegue reduzir esta taxa!

Financiamento de automóveis – O mesmo vale para a compra de um carro. Você pode escolher entre fazer o financiamento na concessionária (mas aí você tem taxas adicionais) ou então ir direto ao banco, o que é normalmente mais barato. Segundo a Anefac, a taxa média de juros deste tipo de dívida está em 1,5% ao mês (19% ao ano).

Crédito consignado – Imagine tomar um empréstimo e não ter o trabalho de pagar parcela a parcela, pois já é tudo descontado do seu salário no fim de cada mês. Isto é o crédito consignado. O limite é calculado com base no seu salário e uma vez que a segurança do banco é maior, já que o pagamento está garantido, as taxas de juros são menores. Para você ter uma ideia, podem ser menores do que 1% ao mês!

Entenderam? Há diversas formas de contrair dívidas, mas algumas são mais caras do que outras. Então na hora de tomar um crédito ou exagerar no cartão de crédito, pesquise as taxas de juros cobradas pelos bancos e busque encontrar o empréstimo que faça mais sentido para você! Não adianta você só olhar para o tamanho da parcela e não ver os juros cobrados – isso é uma armadilha fácil de cair. Você precisa entender qual é o juro que você paga, pois este é o preço do seu dinheiro!

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Carol Sandler

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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