Homens e mulheres: entender as diferenças é a chave para a igualdade

Homens e mulheres: entender as diferenças é a chave para a igualdade

Discutir constantemente a questão da igualdade de gêneros é uma necessidade. O tema tem sido abordado de modo cada vez mais frequente – e não é para menos. De acordo com dados do IBGE, as mulheres ganham cerca de 30% a menos do que os homens para exercer as mesmas funções, e ainda precisam enfrentar uma série de desafios para conciliar maternidade e carreira.

Para falar sobre este assunto, a Superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, Denise Hills, destaca uma mudança importante no intervalo de duas décadas: a forma como a mulher precisava destacar-se no mercado de trabalho. “Comecei na década de 1980, em um ambiente de banco. Era um mercado predominantemente masculino, eu era a única mulher entre 70 homens. A gente tinha uma realidade de tentar se igualar às condições masculinas para ser percebida como igual. Hoje percebo uma mudança de mentalidade. Cada vez mais essa geração de agora não trabalharia na empresa que eu trabalhei anos atrás”, avalia.

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O ponto crucial levantado por ela é justamente a compreensão das diferenças sob uma ótica agregadora. “Não é que a gente trabalha e deixa os filhos em casa. Estamos numa casa em que todo mundo trabalha, todo mundo tem tarefas fora de casa. A gente não está mais discutindo papeis, estamos discutindo que somos diferentes. Essas diferenças de perfil precisam ser olhadas em uma condição em que elas possam agregar”, reforça.

A superintendente defende que a tendências é que as empresas continuem cada vez mais replicando o que vivemos em sociedade, por isso a necessidade de adequar o discurso quando falamos em igualdade, buscando entender de que forma as características femininas e masculinas podem se combinar no ambiente corporativo de um modo mais agregador.

Uma forma interessante de despertar essa discussão foi feita recentemente em uma campanha feita em um restaurante de São Paulo. Na situação, foram distribuídos cardápios aos clientes em que os pratos custavam 30% a mais para os homens. O menu chamava a atenção das pessoas, que reagiam de um modo negativo. Ao questionarem a casa, eles recebiam um encarte que traz um dado alarmante e verdadeiro: no Brasil, as mulheres recebem, em média, 30% a menos que os homens para desempenharem as mesmas funções que eles. A situação criada na campanha mostra o quão absurda é esta disparidade.

“A gente não quer discutir mérito, não queremos discutir se um é melhor ou pior que o outro. Temos que caminhar para uma realidade de entendimento das diferenças (entre os perfis de cada gênero), aceitação dos significados e benefício dessas diferenças”, completa.

No próprio ambiente corporativo é possível perceber de que forma esse direcionamento de cada perfil permite que a instituição atenda melhor os clientes e direcione o crédito de um modo mais eficiente. Ela conta que, das empresas atendidas pelo banco, mais de 40% possuem mulheres como donas e acionistas. A superintendente dá o exemplo de uma linha de crédito que foi criada para distribuir recursos no período de um ano e que todo o estoque foi consumido em nove meses, fomentado por pequenas empreendedoras.

O desempenho positivo quanto ao empreendedorismo desmente uma visão equivocada que muitas vezes as próprias mulheres têm delas mesmas. “A mulher se vê com menor capacidade de planejamento, mas na verdade ela não é. Por ter poucas referências de mulheres de sucesso, ela prefere ser colocada em rede com outras empreendedoras, para que possa trocar experiências”, ressalta.

“Eles estão interessados em modelos estratégicos, em instrumentos financeiros, enquanto elas estão interessadas em modelos de negócio. Temos que entender as diferenças de cada gênero, não é fazer julgamento do que é certo ou errado”, finaliza.

Crédito das fotos: Shutterstock

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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