Investimento em bitcoin: oportunidade ou bolha?

Investimento em bitcoin: oportunidade ou bolha?

Falar sobre bitcoin é, antes de mais nada, polêmico: enquanto há quem defenda a criptomoeda como uma verdadeira revolução, há quem veja nela a formação de uma bolha financeira.

Um estudo conduzido por especialistas da Harvard Business School comparou os padrões de bolhas financeiras no mercado financeiro tradicional com o padrão de valorização do bitcoin. A conclusão foi de que há um risco maior do que 80% da bolha da criptomoeda estourar em breve.

Ou seja, embora não seja possível afirmar que se trata de uma bolha, os indícios são altos. Para entender o motivo, primeiro, precisamos explicar o que é a bitcoin e porque ela valorizou tão rapidamente.

O que são bitcoins?

“São moedas virtuais que não são reguladas e nem emitidas por nenhum Banco Central e que podem ser compradas em corretoras, chamadas de exchanges, ou mineradoras”, resume Letícia Camargo, planejadora financeira CFP pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Elas são descentralizadas, circulam livremente e sem regulamentação de qualquer entidade.

Ela se tornou realidade em janeiro de 2009, quando o criador Satoshi Nakamoto – que até hoje não se sabe se é uma pessoa ou um grupo – colocou o código criado em ação, com o intuito de ser uma moeda imune a banqueiros e políticos. No ano seguinte, já era possível comprar e vender bitcoins. No entanto, os bitcoins ainda têm baixa utilização no “mundo real” ainda hoje.

Por que bitcoins valorizaram tão rapidamente?

A ideia de uma moeda descentralizada e livre empolgou muitas pessoas, que passaram a comprá-la. Um dos principais motivos para tamanha valorização foi a alta procura – quanto mais procurada, mais ela vale. Vendo este efeito, outras pessoas se interessaram e passaram a comprá-la, valorizando-a ainda mais, transformando a situação em uma bola de neve.

Para que se tenha ideia, a criptomoeda teve alta acumulada de 1.751% em 2017.

No entanto, se a moeda foi criada em 2009, porque apenas recentemente houve tanto frisson? Ao analisar o volume de buscas pelo termo “bitcoin” no Google (clique aqui e veja o gráfico), conclui-se que apenas em 2017 que a palavra passou a ser buscada em grande volume.

“Por coincidência, foi o ano em que a mídia começou a veicular notícias envolvendo esta temática. O problema é que muitas dessas notícias ou artigos mostraram pessoas que tiveram sucesso investindo em bitcoins, porém, não descreveram nem ao certo o que é a moeda e como ela funciona”, aponta o master coach e educador financeiro Victor Barboza.

A consequência foi o chamado efeito manada – quando pessoas ou grupos agem ou reagem da mesma forma, como uma manada de bois, o que muitas vezes leva a bolhas especulativas.

bitcoin-bolha

“O reconhecimento do bitcoin como um ativo pela bolsa de valores de Chicago, no final de 2017, também criou um grande impulso para a moeda, atraindo ainda mais atenções para este novo tipo de ativo”, acrescenta Juliana Inhasz, professora de economia da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvarez Penteado).

Bitcoin é uma bolha?

Bolhas especulativas acontecem quando o valor de um ativo se torna muito maior do que seu valor intrínseco. Existiram diversas delas ao longo da história e, coincidência ou não, todas compartilham algumas características. Juliana explica que a principal delas é a especulação excessiva, que acontece quando os investidores têm uma alta perspectiva de ganhos com o ativo.

“Este aumento de preços pode não se basear na criação de valor efetivo, mas apenas na perspectiva de ganhos futuros, o que pode gerar um processo de bolha: o preço aumenta tanto que, em algum momento, há um boom de oferta, o que faz com que os preços caiam de maneira vertiginosa, e quem tiver este ativo perderá muito dinheiro”, diz.

Outra característica que as bolhas compartilham é muitas pessoas que não são investidoras qualificadas apostando na nova promessa de rentabilidade – o já citado “efeito manada”. De acordo com Juliana, o grande problema é que esse público é excessivamente otimista, o que pode distorcer as condições do mercado e acentuar as perdas quando os preços começam a oscilar muito.

Bitcoin e a primeira bolha da história

A supervalorização da criptomoeda compartilha muitas características com a primeira bolha da história, conhecida como Mania das Tulipas, que ocorreu em Amsterdã a partir de 1593. Porém, em vez de bitcoins, os ativos eram as famosas tulipas holandesas.

Devido à sua beleza, a flor se tornou símbolo de status na Holanda, o que aumentou seu preço em todo o país. Com o aumento da procura, especuladores passaram a comprar bulbos da planta para revender. “Em um mês o preço chegou a aumentar mais de 20 vezes, com pessoas comuns trocando todos os seus bens por um único bulbo”, completa Barboza.

Como as tulipas só nascem em determinado período, os especuladores começaram a vender contratos de tulipas, onde o comprador se comprometia a adquirir a flor quando ela voltasse a florescer. Porém, em 1637, diversos fatores levaram a uma quebra de confiança em tais contratos, levando a uma queda vertiginosa no preço da tulipa: a bolha havia estourado, deixando muitos investidores sem nada.

É inevitável comparar a mania do bitcoin e das tulipas. “Ambas possuem falta de propriedade e racionalidade dos mercados e dos envolvidos. Quando se toma consciência da falta de propriedade das premissas envolvidas na valorização, o próprio mercado retoma a sua racionalidade e os preços retornam aos seus intervalos de suporte entre os valores de compra e venda vis-à-vis oferta e demanda, e não especulativa daquele determinado bem ou ativo”, compara Silvio Paixão, professor de Análise de Cenários Econômicos e Macroeconomia da Faculdade FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

Riscos de investir em bitcoins

Trata-se de um investimento de renda variável. Portanto, antes de mais nada, devemos falar sobre sua alta volatilidade. Para que se tenha ideia, em 1º de dezembro de 2017, um bitcoin valia US$ 10.859,56 (aproximadamente R$ 35.125,60). Seu pico foi em 16 de dezembro, valendo US$ 19.343,04 (aproximadamente R$ 62.592). Entre altas e baixas, em 8 de janeiro de 2018, o valor era de US$ 14.922,62 (aproximadamente R$ 48.284,60).

Além disso, por ser uma moeda sem regulamentação alguma, não há para quem reclamar caso algo dê errado. Por isso, recentemente, o Banco Central do Brasil emitiu um comunicado alertando que “a compra e a guarda das denominadas moedas virtuais com finalidade especulativa estão sujeitas a riscos imponderáveis, incluindo, nesse caso, a possibilidade de perda de todo o capital investido, além da típica variação de seu preço.”

Portanto, se você quer entrar nessa, é melhor pensar duas vezes. “Se for para comprar bitcoins, que seja com um montante que você poderia perder. Não hipoteque sua casa, não pegue dinheiro emprestado e nem utilize sua reserva de aposentadoria para comprar bitcoins”, alerta Letícia.

Quem já tem dinheiro investido na criptomoeda, é preciso prestar atenção no mercado. A sugestão de Juliana é estabelecer qual é o valor máximo e mínimo que estaria disposta a vender seus bitcoins no caso de grandes altas – neste caso, se colocaria um limite superior, que garantiria um bom retorno, considerado adequado ao investimento feito – ou de grandes quedas. “Dessa forma, tenta-se diminuir os riscos de perdas excessivas. Para tanto, é fundamental que exista um acompanhamento do mercado”, finaliza.

Se você quer saber mais, veja um vídeo da Carol falando sobre os riscos de investir em bitcoin:

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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