Jogo de Damas: empreendedorismo e carreira para mulheres

Jogo de Damas: empreendedorismo e carreira para mulheres

Quer uma causa mais bacana para abraçar do que estimular o empreendedorismo entre mulheres? Empreender é gerar empregos, aumentar a renda e trazer sonhos para a realidade – e como em muitas outras áreas, era tradicionalmente um domínio masculino. Para ajudar mais e mais mulheres a se tornarem empreendedoras, Deb Xavier fundou o Jogo de Damas, um projeto que nasceu em forma de eventos para mulheres trocarem figurinhas (e experiências e cartões pessoais).

Deb Xavier tem 26 anos, é mãe solteira, está terminando a faculdade e virou referência e inspiração quando se trata de empreendedorismo feminino. O Finanças Femininas conversou com Deb para conhecer a trajetória dela e saber o que mais vem por aí!

Deb, conta pra gente um pouco da sua história, de como você começou.

“Eu venho de uma família pobre, estudei em escola pública. Meus pais sempre serviram de exemplo de força de vontade e garra. Tive minha filha bem cedo, aos 16 anos, mas não parei de estudar e entrei para a faculdade de Arquitetura, na UFRGS. Depois de quatro anos, mudei para Relações Internacionais, que é o que estudo hoje. Quando comecei a estudar RI, percebi que  precisava aprender inglês de verdade e meus pais, que então estavam em melhores condições financeiras, me deram de presente um curso de inglês de 1 mês na Irlanda. De volta a Porto Alegre, depois de um ano de faculdade, vi que precisava aprimorar mais meu inglês e entrei em um programa de trabalho em Nova York.

Como foi a vida em Nova York? 

Eu fui já com emprego, na Billabong (loja de roupas e acessórios de surf e skate) na Times Square, depois eventualmente trabalhei em algumas outras coisas, inclusive como garçonete. Trabalhei bastante, conheci bastante gente e mudei meus conceitos. Lá, o trabalho tem um significado diferente e a liberdade é incrível. Sempre digo que existem duas versões de mim mesma: uma antes de NY e outra depois dessa experiência.

E a volta pro Brasil? Foi complicada? 

Quando voltei para o Brasil, minha vida mudou. Inicialmente eu pensava que, aos 24 anos, ainda por me formar, com uma filha, a minha única solução era tentar um concurso público. E estava decidida a tentar carreira diplomática. Até que um amigo meu me chamou para trabalhar na empresa de TI dele, desenvolvendo a parte de novos negócios. Comecei a frequentar eventos e resolvi cursar Empreendedorismo Criativo na Perestroika (escola de atividades criativas), o que foi essencial: conheci muita gente, me inspirei, aprendi, fiz um networking ótimo e ainda apresentei um projeto pra banca que foi vencedor! A partir dali, ninguém me segurava!

Como assim?

A festa de final de curso foi dia 13 de dezembro, me demiti no dia 14, mesmo sem nada garantido (a não ser as contas para pagar). Junto com um grande amigo, o Luciano, comecei a estudar ideias de negócios. Era uma loucura: uma ideia atrás da outra. No fim, abrimos uma empresa de TI, e foi de um jeito bem “lean startup” mesmo: só abrimos a empresa formalmente quando fechamos o primeiro contrato. Hoje vejo que um dos erros que a gente cometeu foi não ter planejado direito, e ter ido muito “na cara e na coragem” mas, os ensinamentos são muitos.

E como veio a ideia de montar o Jogo de Damas?  

Desde quando trabalhava com TI na empresa do meu amigo, eu já frequentava diversos eventos de tecnologia e empreendedorismo – e foi natural me reunir com as poucas mulheres presentes nesses eventos. Num deles, acabei contando minha experiência empreendendo e comecei a pesquisar mais sobre empreendedorismo feminino. Foi quando tive a ideia de fazer um grupo para mulheres empreendedoras se reunirem todo mês para trocar ideias, contatos, se ajudarem. A ideia toda foi desenvolvida no dia 18 de março do ano passado e o primeiro evento marcado pra dali a 10 dias.

E o nome? Como surgiu?

Quando estava pensando num nome, lembro que queria que tivesse algo a ver com xadrez, que eu jogava na época da escola. Até porque xadrez lembra estratégia, jogo, competição, inteligência – exatamente o que eu queria passar com o projeto. Mas xadrez é algo muito masculino, todas as peças são masculinas, com exceção da torre e da rainha, só que a torre representa imobilidade, e a rainha é a peça que se sacrifica pelo rei. Continuei querendo utilizar um nome de jogo e logo veio a ideia para Jogo de Damas.

Como você começou o projeto então?

Organizei o primeiro evento em um bar perto da minha casa na época, a ideia era reunir umas 15-20 mulheres para bater papo. Quando vi, já tinha um monte de gente confirmada pelo Facebook! Tive que improvisar e mudar a ideia de um bate-papo entre todas para uma mesa redonda. Com as quase 80 mulheres do primeiro evento e o sucesso que foi (mensagens, e-mails!), a coisa começou a crescer.

E como foi esse crescimento? 

Assim como minha empresa, vejo que faltou planejamento – tudo aconteceu muito rápido! Mesmo assim, o segundo encontro já foi mais organizado, e nessa altura já haviam outras três mulheres envolvidas no projeto. Já atraíamos a atenção da mídia e muitas pessoas começaram a nos contatar. Desde o segundo evento já houve exposição num programa de TV e a exposição só aumentava com o passar do tempo. Infelizmente, por incompatibilidade de visões, objetivos e diferenças no envolvimento com o projeto, nós quatro resolvemos seguir caminhos diferentes e nos separamos no final de junho. Como a propriedade intelectual era minha e fui eu quem começou tudo sozinha, foi natural que eu seguisse com o projeto. Mas confesso que dei uma parada para me restabelecer. Decidi então remodelar o projeto. Ele voltou em formato de palestras e foquei em conteúdo. Vieram convites para participar de eventos, consegui patrocinadores… Comecei a me apaixonar cada vez mais pelo projeto – todo mundo comenta sobre o brilho nos meus olhos quando falo sobre o Jogo de Damas! Quando terminava um evento, eu já começava a me programar para o próximo. E eu fazia de tudo: organizava a agenda, cuidava das redes sociais, programava o lugar, montava kits para as participantes! E no último evento do ano, eu inclusive palestrei – o feedback foi super positivo!

Você fez tudo isso sozinha?

Não. Acho que nada se faz sozinha nesse mundo. Contei com a ajuda de MUITA gente. Seja através de ajuda no dia do evento mesmo, apoio, mensagens, indicações, foram muitas as pessoas (homens e mulheres) que me ajudaram a construir o projeto. Atualmente, uma grande amiga e profissional de grande talento, a Karina Limeira, está entrando como sócia do projeto. Tenho certeza que ela vai agregar bastante (como já está fazendo) e a tendência é crescermos mais e melhor!

Quais os planos pra 2013? 

A primeira ação do ano foi parar e planejar. Janeiro e fevereiro são meses dedicados a planejamento, contatos, aperfeiçoamento. O Jogo de Damas mudou o foco de empreendedorismo para “vida profissional da mulher” – então falamos também (pois empreendedorismo sempre vai ser um dos principais assuntos!) sobre carreira, negócios, gestão, liderança e seremos uma empresa de conteúdo, mas sem esquecer os eventos! O ano oficial começa em março, quando o projeto completa um ano – vamos comemorar com um evento mega especial – o Dama Day! Mais novidades em seguida! Ah! E emagrecer – porque é resolução de toda virada de ano!

Para acompanhar a programação do Jogo de Damas, vocês podem acessar o site do projeto aqui!

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Carol Sandler

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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