Meu colega de apartamento sempre atrasa as contas, e agora?

Meu colega de apartamento sempre atrasa as contas, e agora?

Quem já dividiu apartamento sabe que uma das maiores dificuldades na convivência com o colega de apartamento está na hora de pagar as contas. Infelizmente, nem todos são responsáveis e quitam tudo em dia – e o prejuízo sempre fica para alguém.

A designer Maristela Caires só percebeu que tinha alguma coisa errada nas contas a pagar quando chegou em casa e estava tudo escuro. “A região onde eu morava tem instalações antigas e cheias de ligações clandestinas, então, era muito comum que caísse a força”, conta. Porém, esse não era o caso.

O caminho até descobrir o motivo do corte foi longo. Maristela ouviu poucas e boas de sua colega que, no dia seguinte, decidiu ir à companhia elétrica ver o que havia acontecido. “Foi então que ela descobriu que não tinha queimado fusível e nem nada, mas, sim, que ela estava há três meses sem pagar a conta de luz”, comenta. O combinado prévio era que a designer pagaria parte do aluguel e o combo de internet e telefone, enquanto sua colega cuidaria da outra parte do aluguel, água e energia elétrica.

“Depois que ela regularizou a situação, eles religaram a energia, mas nem ouvi desculpas pelas grosserias que ela disse. Deixei para lá, porque morar com outra pessoa requer paciência, senão estraga a convivência”, diz.

“Não tenho dinheiro”

No caso de Maristela, um caso pontual – apesar de grande – deixou o apartamento sem luz. Já a estudante de medicina veterinária Bianca Oliveira ouve uma mesma conversa todos os meses desde fevereiro, quando sua colega se mudou para o lugar: “Sempre, antes do dia do vencimento das contas, ela diz não ter dinheiro e eu, mesmo extremamente apertada, dou um jeito de complementar”, conta.

Por conta do comprometimento de Bianca, a dupla nunca sofreu com cortes de luz. Porém, cada mês é um novo sufoco. “Eu falei que não tem como ficar tapando o buraco porque minha renda é muito limitada, então, como ela é professora de inglês e dá várias aulas particulares, deveria se programar mais em relação às contas”, acrescenta.

Apesar disso, a estudante garante que a convivência é pacífica. “Pelo menos ela sempre paga, mesmo que apenas alguns dias depois, e não fica me enrolando”, pondera.

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Como lidar com uma colega de apartamento “atrasadinha”

Paciência, paciência e mais paciência. Esse vem sendo o mantra de Bianca e que é perfeitamente aplicável nesses casos. Para Sulivan França, especialista em comportamento humano e presidente da SLAC® Coaching (Sociedade Latino Americana de Coaching), compartilhar o espaço é uma forma de parceria, então, todas as partes deveriam ter consciência e comportamento ético para que dê certo. Por isso, é fundamental ter certa tolerância. Mas há limites.

Nem sempre podemos contar com o bom senso alheio – e os casos de Bianca e Maristela só ilustram isso. Para resolver, ter uma conversa é um bom início. “Isso pode ajudar a esclarecer exatamente quais são os pontos de desacordo. É preciso deixar claro que, apesar de se compreender as dificuldades que o colega possa estar enfrentando, a postura dele quanto a essa questão pode estar prejudicando diretamente alguém a quem ele deu sua palavra”, explica França.

Inicialmente, o tom deve ser amigável, colocando na mesa números e argumentos que comprovem que o comportamento negligente está atrapalhando. Por exemplo, se você recebeu algum aviso do locador de que o aluguel está atrasado, mostre isso e coloque na ponta do lápis o quanto vocês gastarão em multas.

“Mostre-se aberta a discutir opções e entender o problema. Caso isso não resolva, passe a investir em conversas mais duras e incisivas. Mas nunca perca a cabeça porque isso não será bom para o relacionamento e não vai resolver o problema”, recomenda.

Nessas conversas, a colega também colocará suas questões e cabe a você ouvir com atenção. Mas sempre há aquelas que inventam desculpas esfarrapadas para escapar. Para saber se é o caso, basta observar suas atitudes e escolhas da rotina. “Desta maneira, é possível ter pelo menos uma ideia do quanto a negligência das contas se trata de um contratempo de força maior ou quando a pessoa está argumentando para acobertar uma ação premeditada de má-fé”, completa.

Se não der certo, comece a investir em avisos por escrito – isso dará dimensão da seriedade e também servirá como prova caso você decida entrar na Justiça no futuro. Dependendo da gravidade, pode-se considerar até mesmo expulsar a pessoa do apartamento e, como dissemos, recorrer à Justiça para obter o dinheiro devido.

Quando for procurar o substituto, lembre-se de que prevenir é o melhor remédio. “Discuta e busque um acordo sobre os valores a serem pagos por cada parte previamente, ressaltando a responsabilidade em relação aos juros e multas que podem ser cobrados por conta de atrasos”, aponta França. Vale fazer um contrato estabelecendo todos esses pontos para se proteger – afinal, já pensou trocar um atrasadinho por outro?

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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